Há uma ditadura a sepultar em Cuba

Os protestos deste julho podem ter antecipado para o outono caribenho a surpreendente anunciação da primavera
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Carros tombados depois das manifestações em uma cidade cubana | Foto: Reprodução/Twitter
Carros tombados depois das manifestações em uma cidade cubana | Foto: Reprodução/Twitter

Ao desembarcar em Cuba em 1987, o jornalista Augusto Nunes fora à ilha com a finalidade de entrevista o ditador Fidel Castro. Durante a estadia, percebeu as discrepâncias que havia entre a população e alta casta do regime comunista.

“O governo jura que ninguém morre de fome. Pode ser. Mas também é verdade que nenhum cubano comum come o suficiente para matá-la. Isso é para quem frequenta recepções oficiais”, observou, no mais recente artigo que publicou na Edição 69 da Revista Oeste.

Em razão dos protestos de semana passada, são grandes as chances de a ilha deixar para trás o passado nebuloso. Leia, a seguir, os principais trechos do texto:

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1) “Os participantes da entrevista que fiz na Chancelaria na década de 80 não poderiam imaginar que o Muro de Berlim só duraria mais dois anos, que a URSS seria dissolvida em 1991, que secaria a fonte de mesadas que garantira nos 30 anos anteriores a sobrevivência de Cuba, que na virada do século o patrocínio da ilha seria assumido pela Venezuela bolivariana — e se estenderia por quase 20 anos. Sempre foi impossível antecipar as espantosas proezas do líder que começou a revolução em 1956, ao desembarcar numa praia cubana com outros 81 combatentes. Estavam à espera do grupo tropas de Batista. Os 12 sobreviventes conseguiram refugiar-se na Sierra Maestra. Menos de três anos depois, o mundo se emocionou com as imagens dos jovens barbudos entrando na capital cubana pendurados em jipes e tanques, decididos a dar um jeito em problemas amedrontadores.”

2) “Havia em Cuba uma ditadura a sepultar, havia uma economia asfixiada pela monocultura da cana implorando pela diversificação e havia prostitutas demais em Havana. Neste julho de 2021, milhares de cubanos que lutam nas ruas pela liberdade democrática terão de retomar a missão portentosa. Há prostitutas demais em Havana, um oceano de canaviais no caminho da modernidade econômica e uma ditadura sexagenária a derrubar. O regime caquético terá alguns anos de sobrevida. Mas os atos de protesto deste julho, engrossados por multidões de jovens, podem ter antecipado para o outono caribenho a surpreendente anunciação da primavera.”

Revista Oeste

Além do artigo de Augusto Nunes, a Edição 69 da Revista Oeste traz reportagens especiais e textos de J. R. Guzzo, Dagomir Marquezi, Rodrigo Constantino, Guilherme Fiuza, Ana Paula Henkel, Evaristo de Miranda, entre outros.

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