O Hamas tem intensificado seu controle em Gaza, segundo moradores, levantando incertezas sobre se cumprirá sua promessa de transferir o poder, conforme relata a Reuters.
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Depois de o cessar-fogo começar no mês passado, o grupo retomou rapidamente áreas de onde Israel se retirou, executando dezenas de palestinos acusados de colaborar com o inimigo, furtar ou cometer outros crimes.
O Hamas ficou com o domínio de mais da metade da área. Em vez de se desarmar, tem atuado na região. A situação dificulta a organização da segunda etapa do cessar-fogo.
Apesar das exigências de potências estrangeiras para que o Hamas se desarme e saia do governo, ainda não há consenso sobre quem assumirá a administração.
Desde que Hamas, em 2007, tomou o território da Autoridade Palestina, liderada por Mahmoud Abbas, e do movimento Fatah, quase toda a população de dois milhões de habitantes em Gaza vive sob o domínio do grupo terrorista.
Relatórios recentes da agência indicam que, com tropas israelenses ainda presentes em mais da metade da faixa de Gaza e dificuldades na implementação do plano de reconstrução, uma divisão de fato do território se torna cada vez mais provável.
O plano do presidente Donald Trump garantiu o cessar-fogo em 10 de outubro e a libertação dos últimos reféns do ataque de 7 de outubro de 2023. Para uma próxima etapa, prevê a criação de uma autoridade transitória, o desarmamento do Hamas, o envio de uma força multinacional e o início da reconstrução.
A Organização das Nações Unidas precisa aprovar a proposta para que depois seja possível formar um novo governo. A Fatah busca participação na administração, enquanto Israel rejeita o retorno da AP ao controle da Faixa. Munther al-Hayek, porta-voz da Fatah em Gaza, afirmou que “as ações do Hamas dão uma indicação clara de que Hamas quer continuar governando”.
Controle do Hamas
O controle do Hamas tem se tornado cada vez mais nítido, segundo dezenas de moradores, entre os quais três comerciantes. Todas as mercadorias que entram são monitoradas que entram. Taxas são cobradas sobre produtos importados, como combustível e cigarros. Comerciantes que, na visão do grupo, pratica preços abusivos são multados.
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Um importador local disse à agência que o Hamas “não voltou a uma política completa de tributação, mas vê e registra tudo”. Caminhões são parados em pontos de controle e motoristas questionados, e multas aplicadas a manipuladores de preços ajudam a reduzir parcialmente os valores, que ainda permanecem acima dos níveis pré-guerra.
De acordo com Ismail Al-Thawabta, que supervisiona a comunicação oficial do Hamas, as informações sobre impostos sobre cigarros e combustível não têm precisão.
Ele explicou que o grupo está focado exclusivamente em atividades administrativas e humanitárias essenciais, tentando ao máximo estabilizar os preços. Sobre a transição de poder, Thawabta reiterou que o Hamas está preparado para transferir a liderança a uma administração tecnocrática, destacando: “Nosso objetivo é que a transição ocorra de forma tranquila.”
Já Hatem Abu Dalal, dono de um shopping em Gaza, disse que a alta dos preços é resultado direto da escassez de produtos. Ele acrescentou que representantes do governo percorrem mercados e lojas para inspecionar mercadorias e definir os valores, tentando controlar a economia local.
Mohammed Khalifa, consumidor em Nuseirat, relatou que os preços continuam flutuando constantemente, mesmo com essas medidas. “É como uma bolsa de valores”, disse. Ele completou: “Os preços estão altos, não há renda suficiente, a vida é difícil, as condições são duras e o inverno se aproxima.”
Antes do conflito, o governo do Hamas empregava até 50 mil pessoas, incluindo policiais. Thawabta disse que milhares foram mortos, e os que permaneceram estão preparados para trabalhar sob a nova administração.
Durante a guerra, os salários continuaram sendo pagos. Os mais altos, porém, foram padronizados em 1,5 mil shekalim (US$ 470) por mês, possivelmente retirados de reservas em dinheiro, segundo economistas e fontes do Hamas. Quatro governadores regionais mortos foram substituídos, assim como 11 membros do politburo local, de acordo com fontes próximas.
Mustafa Ibrahim, ativista e comentarista, afirmou que os atrasos no plano de Trump são utilizados pelo Hamas “para fortalecer seu domínio”. “Será permitido continuar fazendo isso? Acho que continuará até que um governo alternativo esteja em posição.”






































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