O Hamas se prepara para devolver os corpos de quatro reféns israelenses, nesta quinta-feira, 27, em troca da libertação de mais de 600 de prisioneiros palestinos por Israel. A operação foi confirmada pelo porta-voz do grupo terrorista, Abdul Latif al-Qanou, nesta quarta-feira, 26.
Os restos mortais pertencem a Tsachi Idan, Itzik Elgarat, Ohad Yahalomi e Shlomo Mantzur, conforme comunicado do Hamas. A entrega deve ocorrer de forma discreta, sem cerimônias públicas, depois de críticas de Israel e organizações de direitos humanos a eventos anteriores.
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
Enquanto isso, o Hamas prepara a recepção dos prisioneiros palestinos, que já está em andamento no Hospital Europeu de Gaza, em Khan Younis.
Troca simultânea e tensões no acordo

A troca dos corpos pelos prisioneiros palestinos vai ocorrer simultaneamente, para garantir o cumprimento do acordo. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia adiado a libertação dos prisioneiros palestinos depois da liberação de seis reféns, no último sábado, 22. Ele exigiu garantias para futuras entregas por parte do Hamas.
Agora, Israel deve liberar, de maneira simultânea à entrega dos corpos, 602 prisioneiros palestinos. Essa entrega tinha programação para ocorrer no domingo 23.
Leia também: “O homem forte de Trump”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 254 da Revista Oeste
A primeira fase do acordo de cessar-fogo começou em 19 de janeiro deste ano e tem previsão de término no próximo fim de semana. O início da segunda fase do acordo enfrenta tensões para começar, mas a visita de Steve Witkoff, enviado do presidente dos EUA, Donald Trump, ao Oriente Médio, pode ajudar na mediação.
Relato de uma ex-refém do Hamas
Noa Argamani, uma das reféns já em liberdade, compartilhou sua experiência de cativeiro no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Resgatada em junho do ano passado, oito meses depois de ser sequestrada com seu parceiro em uma rave invadida pelo Hamas, ela relatou que não conseguia se mover nem respirar.
“Pensei que seriam os últimos segundos da minha vida. Estar aqui com vocês hoje é um milagre”, disse.
Leia também: “O ‘crime’ de ser israelense”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 251 da Revista Oeste
Noa também fez um apelo pela continuidade do cessar-fogo na Faixa de Gaza e destacou a importância de se manter o acordo integralmente. Seu parceiro, Avinatan Or, ainda está em poder do Hamas.