Depois da vitória de Rodrigo Paz, de centro-direita, no segundo turno presidencial da Bolívia, o país se prepara para mudanças voltadas à recuperação econômica e ao fortalecimento das relações internacionais.
Paz derrotou Jorge “Tuto” Quiroga, ao obter 54,6% dos votos, enquanto seu adversário alcançou 45,4%, conforme divulgado pelo órgão eleitoral boliviano depois de 97,8% das urnas apuradas.
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Em seu discurso, realizado na noite deste domingo, 19, Paz prometeu reconstruir a confiança entre diferentes setores da sociedade e priorizar políticas que estimulem o crescimento e a abertura ao exterior.
“A ideologia não dá de comer”, disse Paz. O que dá de comer é o direito ao trabalho, instituições fortes e segurança jurídica.”
O político assegurou que pretende formar um governo de unidade, incluindo representantes de vários grupos políticos e regiões. “Vamos governar com todos os homens e mulheres, os melhores homens e mulheres que queiram ajudar a pátria”, acrescentou o novo presidente da Bolívia. “Não podemos permitir que o insulto e o ódio sejam parte do exercício democrático na Bolívia”.
Promessa de governo de unidade e críticas ao ambiente político
O país foi comandado pela esquerda por 20 anos. O cenário político boliviano vinha sendo marcado por conflitos entre o presidente atual, Luis Arce, e Evo Morales, ex-presidente e antigo aliado, que atualmente está foragido.
Paz declarou que a Bolívia inicia uma nova fase de esperança, trabalho e reconciliação, ao afirmar que o país “respira ventos de mudança e renovação”. Ele destacou a importância de ampliar a presença boliviana no cenário internacional: “Temos um só objetivo — seguir em frente e abrir novamente a Bolívia ao mundo, retomando nosso papel.”
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Nesta segunda-feira, 20, em sua primeira coletiva, anunciou a retomada das relações diplomáticas com os Estados Unidos, rompidas desde 2008 durante o governo de Evo Morales.
O novo governo terá como desafio administrar uma crise econômica acentuada, agravada por queda nos investimentos em gás, recessão, inflação elevada, escassez de dólares e falta de combustíveis.
Com o objetivo de reverter esse quadro, Paz prevê cortar gastos públicos considerados supérfluos, estimando R$ 1,5 bilhão em economias, e direcionar recursos para infraestrutura e serviços essenciais.
Novo presidente da Bolívia defende “capitalismo para todos”

Entre as propostas, o presidente eleito defende um “capitalismo para todos”, com a intenção de legalizar parte do comércio informal, combater o contrabando e flexibilizar a exploração de recursos naturais por empresas privadas. Planeja ainda ampliar a participação dos departamentos bolivianos no Orçamento da União para 50%, promover a reforma do Judiciário e buscar aproximação com os Estados Unidos.
Líderes internacionais enviaram felicitações após o pleito. O presidente da Argentina, Javier Milei, reagiu nas redes sociais. “Este é um dia histórico para a Bolívia, que deixa para trás 20 anos do modelo fracassado do ‘socialismo do século 21’, que tanto prejudicou nossa região”. afirmou o argentino, na rede X. “A Bolívia se reintegrará ao mundo livre, em um caminho focado na abertura econômica, no combate à corrupção e à insegurança e no fim da era do desperdício estatal.”
Rodrigo Paz encerrou seu pronunciamento ao sublinhar valores de fé e patriotismo. “Deus, a família e a pátria são a base da visão que temos em relação ao nosso compromisso com toda a Bolívia”, disse. “Vou trabalhar todas as horas que Deus me der para transformar este país.”
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