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Irã não é Venezuela: por que é mais difícil derrubar o regime dos aiatolás

Pouco mais de um mês depois de capturar Nicolás Maduro e sua mulher, EUA, mesmo ao lado de Israel, encontram maior resistência do governo teocrático xiita

Guarda Irã regime aiatolás
Guarda Revolucionária Islâmica do Irã é uma força militar poderosa | Foto: Reprodução/Wikimedia Commons

A captura do ex-ditador Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, durou apenas alguns minutos, em janeiro deste ano, na Venezuela. O fato de a força de elite Delta, dos Estados Unidos (EUA), ter chegado de helicóptero ao Forte Tiuna e ter sido recebida a tiros por militares venezuelanos foi quase irrelevante para os norte-americanos. Eles conseguiram furar o bloqueio e avançar até o bunker e levar o casal para julgamento nos EUA. Naquele momento, o governo de Donald Trump colocou fim a um período de mais de 12 anos de opressão no país.

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Pouco mais de um mês depois, mesmo com todo o preparo das forças Delta e do arsenal utilizado contra o Irã, os EUA não têm a mesma facilidade para derrubar o regime teocrático xiita. Nem mesmo a morte do aiatolá Ali Khamenei é suficiente. Tampouco o fato de ter um aliado de primeira linha, em termos militares: Israel. A verdade é que, apesar da destruição de grande parte do arsenal iraniano, da ruína econômica em que o país entrou e da disparidade de forças, a estrutura de poder enraizada se mantém.

No Irã, o poder não está centralizado em apenas numa pessoa, mas numa teocracia complexa, com uma rede de instituições que sustentam o regime. O líder supremo (até há pouco tempo, Khamenei) é o chefe máximo, e sua autoridade é reforçada por clérigos, conselhos religiosos e militares com lealdade direta ao sistema religioso-político.

Esse modelo impede que uma troca de liderança simplesmente substitua um presidente por outro, como aconteceu na Venezuela, com Nicolás Maduro. Há diversas camadas de guarda do regime (política, religiosa e militar) interligadas, projetadas para resistir a rupturas abruptas.

Estruturas do Irã e da Venezuela

A “vascularização” da segurança do regime é uma de suas garantias no Irã. Uma coisa é destruir o arsenal militar, direcionado a conflitos externos. Outra é tirar essa casta religiosa do poder, já que todo o arsenal direcionado para isso, que inclui a repressão interna, não foi afetado.

A rede de proteção é complexa, formada, lá nos níveis mais altos, pela Corporação da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC): força militar poderosa, leal diretamente ao líder supremo, com unidades terrestres, navais, aéreas próprias e a Força Quds (para operações externas). Ela é um “Estado dentro do Estado”, criada especificamente para defender a revolução e impedir mudanças radicais.

Há ainda, como suporte, as Forças Basij: milícia paramilitar de mobilização interna, usada para vigilância e repressão a dissidências, reforçando a coesão ideológica. O sistema se espalha por todo o país, alcançando o mais remoto vilarejo. Nele também se inclui o Exército regular (Artesh): ainda numeroso e estruturado, com dezenas de brigadas e reservistas.

A Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb) venezuelana não pode ser desprezada pelo seu porte. É grande para a região, com cerca de 150 mil militares ativos e milícias bolivarianas associadas. Mas o sistema não é tão estruturado como o do Irã. A base dessas forças de segurança é muito politizada, mas menos profissionalizada do ponto de vista da defesa do regime de forma autônoma.

Leia mais: “Maduro se declara inocente das acusações de narcoterrorismo”

Não existem unidades militares separadas com cadeia de comando própria, como a IRGC tem no Irã. Há uma guarda presidencial, mas sem o mesmo porte que funcione como corpo independente para proteger o regime. Os últimos que tentaram salvar Maduro foram os 32 cubanos que morreram durante a operação militar. Sem tantos recursos, eles eram membros das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba e do Ministério do Interior cubano, que atuavam em missão na Venezuela.

A IRGC, com cerca de 190 mil militares ativos, não é apenas uma guarda militar, mas um pilar do regime, com interesses próprios e grande influência econômica e política, além do controle do programa de mísseis balísticos. Responde diretamente ao líder supremo, não ao presidente. Diferente de qualquer força venezuelana equivalente.

O ex-chefe do Grupo de Operações no Iraque da CIA, Luis Rueda, fez tal comparação ao The Guardian: “O Irã não é a Venezuela… Remover alguns líderes não significa que o sistema colapse”.

A Oeste, a professora Liora Hendelman-Baavur, diretora do Centro de Estudos Iranianos da Universidade de Tel-Aviv, também descreveu a situação. E colocou um ingrediente a mais para complicar qualquer tentativa de derrubar o governo dos aiatolás. O tempo em que eles estão no poder é mais longo do que o do regime bolivariano na Venezuela. A Revolução Islâmica ocorreu em 1979, quase 20 anos antes da eleição de Hugo Chávez, em 1998. Essa diferença deu mais tempo para o regime estruturar sua proteção.

“A resiliência do regime se apoia em vários pilares”, destacou a professora. “Há controles constitucionais e mecanismos de filtragem política: órgãos não eleitos, como o Conselho dos Guardiões, limitam quem pode concorrer a cargos públicos e restringem o poder do Parlamento. Existe também um aparato coercitivo em camadas, com o poder distribuído entre a IRGC, a Basij e diversos serviços de inteligência, criando redundâncias na repressão ao dissenso. Soma-se a isso o entrelaçamento econômico dos atores de segurança.”

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1 comentário
  1. Marcelo DANTON Silva
    Marcelo DANTON Silva

    Sim!
    São os como se fossem os Nazistas de Allah!!
    Obliteração primeiro….reconstrução depois ….
    Obliteração sem dó nem piedade desse país assassino.

    São assassinos ponto final!

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