A Guarda Revolucionária do Irã realizou, nesta segunda-feira, 16, um exercício naval no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parte relevante do petróleo exportado no mundo. A operação ocorreu um dia antes da retomada das negociações nucleares entre Teerã e Washington.
Segundo a agência semioficial iraniana Tasnim, o treinamento teve como objetivo avaliar a prontidão das forças diante de possíveis ameaças militares e de segurança. A área é sensível para o comércio global de energia e costuma reagir a qualquer sinal de instabilidade com volatilidade nos preços.
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O movimento militar coincide com nova rodada de contatos diplomáticos. Em Genebra, o chanceler iraniano, Abbas Araqchi, reuniu-se com o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), Rafael Grossi, antes do reinício das conversas indiretas entre Irã e Estados Unidos. O encontro tratou da disputa em torno do programa nuclear iraniano e das condições para evitar novo confronto na região.
Nas redes sociais, Araqchi afirmou que levou propostas para um “acordo justo e equilibrado”, mas reiterou que o país não aceitará imposições. Teerã afirma que só discutirá limites ao programa nuclear em troca do alívio das sanções econômicas e descarta encerrar completamente o enriquecimento de urânio.
O governo norte-americano, por sua vez, defende ampliar o escopo das negociações, incluindo o programa de mísseis iraniano. Autoridades dos EUA também enviaram reforços militares ao Oriente Médio, incluindo um novo grupo de porta-aviões, enquanto se preparam para a hipótese de impasse prolongado.

Irã rechaça abrir mão de programa nuclear
A Aiea cobra esclarecimentos sobre o destino de cerca de 440 quilos de urânio altamente enriquecido, depois dos ataques do ano passado a instalações iranianas. A agência também pressiona pela retomada integral das inspeções em complexos como Natanz, Fordow e Isfahan.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou no último domingo, 15, que comunicou ao presidente dos EUA, Donald Trump, que qualquer entendimento deverá incluir o desmantelamento da infraestrutura nuclear iraniana. Ele manifestou ceticismo quanto a um acordo limitado à suspensão do enriquecimento.
O Irã afirma que seu programa tem fins civis e diz estar disposto a adotar medidas de transparência para demonstrar que o enriquecimento se destina a usos pacíficos. Internamente, o país também realizou exercícios de defesa química na região de Pars, área vital para a produção de energia, como parte dos preparativos diante de eventuais ataques.
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