As divergências entre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o presidente de Israel, Isaac Herzog, começaram a aparecer depois do fim da guerra com o Hamas e se agravaram com a crise em torno de um possível perdão judicial ao chefe de governo.
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O estopim foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, que criticou Herzog e defendeu o indulto ao premiê. Netanyahu enfrenta três processos criminais em Israel, que envolvem acusações de corrupção, fraude e abuso de confiança. Na quinta-feira, 12, logo depois da saída de Netanyahu de Washington, Trump afirmou:
“O presidente de Israel deveria se envergonhar por ainda não ter concedido perdão ao primeiro-ministro Netanyahu.”
Na sexta-feira, 13, Trump voltou ao tema e disse estar convencido de que o líder israelense receberá o perdão. A reação do entorno de Herzog foi imediata. Fontes próximas ao presidente, segundo o Israel Hayom, levantaram suspeitas sobre possível participação de Netanyahu nas críticas e cobraram explicações.
“Se Netanyahu teve participação nisso, trata-se de ultrapassar uma linha vermelha. Esperamos esclarecimentos por parte dele.”
Herzog tomou conhecimento das declarações enquanto retornava a Israel após visita oficial de vários dias à Austrália e respondeu em nota: “Israel é um Estado soberano.”
A questão é que, caso Herzog não conceda o perdão, independentemente de ser responsabilidade dele ou não, ele terá de encarar a pressão da direita israelense.
Segundo o professor Eyal Zisser, vice-reitor da Universidade de Tel-Aviv, a força de Netanyahu está na direita mais radical, já que é ela que tem estruturado o governo, mesmo em votações pontuais. Até agora, o primeiro-ministro tem sido, no geral, o que mais atende aos interesses desta ala.
“Eles são cerca de 5% ou 10% das cadeiras do Parlamento, mas eles têm uma influência, porque eles são fundamentais para a governabilidade de Netanyahu”, afirma o professor a Oeste. “Netanyahu precisa deles para a sua sobrevivência política.”
Netanyahu e o presidente de Israel
O Ministério da Justiça prepara um parecer jurídico sobre a eventual concessão de indulto a Netanyahu. O documento, elaborado por representantes da procuradoria-geral, da promotoria estatal e do Departamento de Indultos, deverá ser enviado nos próximos dias à residência presidencial.
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A discordância entre Netanyahu e Herzog tem raízes principalmente políticas e institucionais, ligadas a diferenças entre seus campos políticos. Filho do ex-presidente Chaim Herzog, Isaac foi líder do Partido Trabalhista, de centro-esquerda, entre 2013 e 2018. Atualmente, como exige o cargo de presidente, ele não integra nenhum partido. Em decadência, o Partido Trabalhista em apenas quatro representantes no Parlamento.
Já Netanyahu lidera a direita israelense. Ele é chefe do governo e líder do Likud, partido nacional-conservador. Até o momento, nem Netanyahu nem o partido Likud se manifestaram oficialmente. Pessoas próximas ao premiê afirmam que ele deve procurar Herzog ainda nesta semana para tentar reduzir a tensão entre os dois líderes.






































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