As autoridades venezuelanas transferiram o líder opositor Juan Pablo Guanipa de Caracas para sua residência em Maracaibo, onde ele deverá cumprir prisão domiciliar. O político retornou à custódia do Estado sob a acusação de violar as condições de uma breve liberdade condicional concedida no domingo 8. Guanipa, um aliado próximo da Nobel da Paz María Corina Machado, havia deixado a prisão depois de nove meses detido por suposta conspiração.
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Durante as poucas horas em que esteve livre, o opositor visitou familiares de presos políticos, liderou uma caravana motorizada pela capital venezuelana e exigiu a convocação de novas eleições. A Promotoria utilizou essas ações como justificativa para alegar o descumprimento das regras de soltura e solicitou a conversão da pena para o regime domiciliar. Ramón Guanipa, filho do líder, confirmou a transferência e reforçou que a família continua exigindo a liberdade plena de todos os detentos políticos.
Crise política e intervenção externa
A nova detenção de Juan Pablo Guanipa ocorre em um cenário de profunda transformação institucional na Venezuela. O país vive sob o comando da presidente interina Delcy Rodríguez, que assumiu o poder por causa da captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, durante uma incursão militar dos Estados Unidos. Em suas redes sociais, o opositor agradeceu ao governo norte-americano pelo trabalho em prol da liberdade e da democracia no país sul-americano.
Existe a expectativa de que o Parlamento venezuelano aprove, nos próximos dias, uma anistia geral impulsionada pelo novo governo. A medida beneficiaria centenas de opositores que permanecem encarcerados ou sob restrições judiciais. Enquanto o projeto não avança, a defesa de Guanipa sustenta que a prisão domiciliar ainda configura uma privação injusta de direitos, especialmente diante do colapso do regime chavista.
Contexto da oposição encabeçada por María e Guanipa
A perseguição contra lideranças ligadas a María Corina Machado intensificou-se nos meses que antecederam a queda de Maduro. Guanipa enfrentou quase um ano de isolamento antes da tentativa de soltura frustrada desta semana. A oposição venezuelana agora aguarda a consolidação da transição política para retomar a organização partidária e disputar novos pleitos sem a interferência dos órgãos de repressão que sustentavam a ditadura anterior.
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