O leão-marinho é um mamífero cujo habitat é o mar e que pertence à família dos otariídeos. Parece uma grande foca. Tem surgido, porém, um outro tipo de leão marinho, no caso o típico leão felino, habitante das savanas, que tem se deslocado para regiões marítimas.
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
Receba nossas atualizações
Estes também passaram a viver em costas rochosas ou praias. Mas, diferentemente do leão-marinho original, estão longe do Pacífico Norte, da América do Sul, e de algumas ilhas subantárticas. Eles vivem na Costa dos Esqueletos, na Namíbia, África, conforme relata matéria da BBC.
A região abriga hoje uma população única: leões que abandonaram o deserto para sobreviver às margens do Oceano Atlântico.
São o mais novo tipo de leões marítimos do mundo, os primeiros felinos com essa característica. Essa mudança radical de comportamento foi registrada pela fotógrafa belga Griet Van Malderen, que documentou a adaptação desses felinos a um ambiente completamente distinto do qual eles estavam acostumados.
Van Malderen passou dias observando Gamma, uma leoa do grupo, e relata: “Gamma esteve vigilando a foca todo o dia”. A fotógrafa esperou dentro de seu carro para registrar o momento em que o animal mirava sua presa, os restos de um lobo-marinho do Cabo, fora do campo de visão da câmera. “É realmente assombroso ver como seu comportamento está começando a mudar.”
Somente 12 leões do deserto vivem atualmente na região, parte de uma população estimada em cerca de 80 indivíduos. Eles migraram em 2017 do árido interior da Namíbia em direção à costa em busca de alimento, modificando radicalmente sua dieta e hábitos de caça. “A foto mostra a resiliência desses animais… que mudam de habitat para sobreviver”, diz Van Malderen. “Esses leões são fortes. A vida se trata de sobreviver e tudo é uma luta.”
Philip Stander, especialista em conservação que monitora os leões do deserto desde 1980, explica que Gamma pertence à primeira geração de leões nascidos e criados na Costa dos Esqueletos.
Ele considera a imagem de Van Malderen “realmente significativa”, pois mostra o “primeiro dia sozinha na praia” da leoa. Stander detalha que, nos anos 1980, os leões do deserto viviam na mesma costa, mas foram forçados a retornar ao interior devido a uma seca severa e conflitos com fazendeiros que dizimaram grande parte da população.
Mais de 30 anos depois, esses animais “encontraram o caminho de volta à costa”, observa Stander. Eles se adaptaram a um território extremamente hostil, um “imenso mar de dunas sem vegetação”, segundo o especialista, que fundou em 1997 a Desert Lion Conservation Trust.
Os leões do deserto se destacam por percorrer áreas enormes: enquanto o território médio de um leão no Serengeti é de cerca de 100 quilômetros quadrados, os leões da Namíbia circulam por até 12 mil quilômetros quadrados. “São atletas de elite, estão em excelente forma física”, afirma Stander.
Além disso, aprenderam a sobreviver praticamente sem água, ao obterem a maior parte de sua hidratação da carne que consomem. “Obtêm a maior parte da hidratação da carne que comem”, reforça o especialista.
O retorno à costa aconteceu a partir de 2015, depois de uma seca reduzir as presas tradicionais, como avestruzes, órixes e antílopes. As focas, então, tornaram-se uma nova fonte de alimento. “As focas foram uma bênção para eles”, diz Van Malderen.
“O clima extremo levou esses leões ao limite, obrigando-os a se adaptar de maneiras extraordinárias para sobreviver nas praias do Atlântico.”
Gamma, agora com três anos e meio, tornou-se uma caçadora habilidosa, capaz de matar até 40 focas em uma única noite, segundo Van Malderen. Dois filhotes nasceram na costa em março de 2025, sinalizando uma nova fase da adaptação da espécie.
Para Van Malderen, é “assombroso” acompanhar a mudança de comportamento: a primeira geração estudada, há mais de 30 anos, se especializava em girafas, enquanto hoje focas oferecem uma pausa na escassez de alimentos.
Leões da Namíbia
Leões do deserto se movimentam em grupos menores que os de savana. Natalie Cooper, pesquisadora do Museu de História Natural de Londres, explica: “Em regiões com mais presas, há mais leões por manada em um território menor”, destaca.
Leia mais: “Ratos gigantes ajudam no combate ao tráfico de animais selvagens”
“Aqui, eles deambulan em pequenos grupos ao longo de enormes distâncias para conseguir alimento”.
Tal comportamento torna a fotografia desses animais ainda mais desafiadora. “Como fotógrafa, é maravilhoso porque esses leões estão sempre em movimento”, destaca Van Malderen. “Não estão deitados dormindo, mas caçando para sobreviver.”
Stander resslata que os leões marítimos são únicos também pelo aprendizado do ecossistema oceânico. “Os chamamos de leões marítimos porque aprenderam a compreender o ecossistema oceânico e a consumir alimentos do oceano.”
Estudos indicam que cormorões, flamingos e focas representaram 86% da biomassa consumida por três leonas jovens durante 18 meses.
Para proteger a população e reduzir conflitos com humanos, guardas utilizam fogos de artifício para afastar os felinos e implantaram sistemas de cercas virtuais que emitem alertas quando os leões se aproximam de áreas habitadas. Van Malderen reforça que a fotografia desses animais é vital para a conservação:
“Minhas fotos ressaltam a beleza, mas também a fragilidade desses animais”, observa a fotógrafa. “Sua resiliência é uma lição para todos: para enfrentar mudanças, se adaptar e agir antes que seja tarde demais.”
Stander complementa: “A foto transmite uma bela lição para todos: os animais têm a capacidade de se recompor e recuperar a força e a beleza que os caracteriza. Só precisamos dar-lhes uma chance”.






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.