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Maduro propõe ‘novo começo’ das relações com os EUA 

Um enviado especial do governo Trump visitou a Venezuela para uma reunião com o ditador chavista

Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, aparece com militares no dia de sua posse para um terceiro mandato de seis anos, em Caracas, Venezuela, em 10 de janeiro de 2025 | Foto: Zurimar Campos/Palácio de Miraflores/Divulgação/ Reuters

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, propôs nesta sexta-feira, 31, um “novo começo” nas relações bilaterais com os Estados Unidos, depois da visita do enviado especial do presidente dos EUA, Donald Trump, a Caracas. A conversa se concentrou principalmente na deportação de migrantes venezuelanos e na libertação de prisioneiros norte-americanos. 

Pouco depois do encontro, seis prisioneiros foram liberados pelo regime chavista.

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O encontro aconteceu poucos dias depois de Trump anunciar a suspensão do status de proteção temporária (TPS) concedido pelo governo de Joe Biden a cerca de 600 mil venezuelanos solicitantes de asilo. Essa medida, que permitia a permanência no país por motivos humanitários, faz parte de um plano maior para realizar a “maior deportação em massa da história” dos Estados Unidos. 

No ano passado, os venezuelanos foram a terceira nacionalidade mais apreendida na fronteira entre os EUA e o México.

O governo chavista divulgou uma nota depois da reunião, na qual diz ter proposto uma “agenda zero” ao enviado especial Richard Grenell. O encontro no Palácio de Miraflores, em Caracas, contou também com a presença da vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, e do chefe do Parlamento, Jorge Rodríguez. 

Segundo a mídia estatal venezuelana, Maduro aceitou conversar com o enviado norte-americano de maneira “respeitosa e soberana”. O ditador teria dito que os acordos firmados entre os países seriam fruto de consenso e não de imposição de nenhuma das partes.

EUA não reconhece Maduro como ganhador das eleições na Venezuela

Caracas rompeu relações diplomáticas com Washington em 2019, quando a Casa Branca reconheceu o líder opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, depois do boicote da oposição às eleições presidenciais de 2018, consideradas fraudulentas e sem transparência. 

No ano passado, o Departamento de Estado dos EUA reconheceu a vitória do opositor Edmundo González nas eleições presidenciais, amplamente acusadas de fraude pela oposição, liderada pela ex-deputada María Corina Machado, e por grande parte da comunidade internacional.

Até hoje, o regime venezuelano não apresentou as atas eleitorais que comprovem o resultado. González, atualmente exilado em Madrid, esteve presente na posse de Trump, no último dia 20.

Em uma coletiva de imprensa na sexta-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada se a visita de Grenell significava o reconhecimento da vitória de Maduro, que iniciou seu terceiro mandato consecutivo em 10 de janeiro. “Absolutamente não”, disse ela.

A porta-voz afirma que o objetivo da visita era persuadir a Venezuela a aceitar os voos de deportação de migrantes indocumentados e liberar os cidadãos norte-americanos detidos no país.

O atual secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alinhado à agenda anti-imigração ilegal de Trump, criticou Biden por negociações com Maduro no passado. O governo democrata suspendeu sanções à indústria petrolífera venezuelana em troca da promessa de eleições livres e justas, que não ocorreram. As sanções foram restabelecidas, porém de forma mais branda.

Mauricio Claver-Carone, enviado especial dos EUA para a América Latina, afirma que o presidente Trump “espera que Nicolás Maduro aceite de volta todos os criminosos venezuelanos e membros de gangues que foram exportados para os Estados Unidos, e que o faça de forma inequívoca e incondicional”.

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