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Nova descoberta desafia teoria de 'suicídio ecológico' na Ilha de Páscoa

Pesquisa fortalece a hipótese de integração entre os polinésios e a América do Sul

A Ilha de Páscoa está situada a 3.700 km de distância da costa oeste do Chile | Foto: Wikimedia Commons

Pesquisadores descobriram que a teoria de “suicídio ecológico” na Ilha de Páscoa, proposta pelo geógrafo Jared Diamond no livro Colapso, pode estar errada. A ilha, colonizada por polinésios por volta de 1.200 d.C., é famosa por suas estátuas moais. As informações são da revista Veja.

Um novo estudo genético da Ilha de Páscoa analisou os restos de 15 indivíduos rapanui, que viveram entre 1670 e 1950, e revelou que a população da ilha floresceu até a década de 1860. Os restos mortais foram levados ao Museu da Humanidade em Paris por Alphonse Pinart em 1877 e Alfred Métraux em 1935.

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Os cientistas esperavam encontrar sinais de um colapso populacional, como uma queda repentina na diversidade genética, mas descobriram que a população cresceu continuamente até ser drasticamente reduzida por invasores de escravos peruanos e epidemias trazidas por europeus.

“Sobrou cerca de 3% da população”, disse Bárbara Sousa da Mota, da Universidade de Lausanne, uma das autoras do estudo publicado na revista Nature. A pesquisa também mostrou que os rapanui tinham relações com nativos americanos, o que adiciona uma nova dimensão à história da ilha.

Essa descoberta desafia a teoria de Diamond, que argumentava que os rapanui destruíram seu ambiente, levando à queda de sua sociedade. “Em apenas alguns séculos, o povo da Ilha de Páscoa destruiu sua floresta, levou suas plantas e animais à extinção e viu sua sociedade complexa mergulhar no caos e no canibalismo”, escreveu ele.

Interações da Ilha de Páscoa com colonizadores

O novo estudo sobre a Ilha de Páscoa sugere que as interações com colonizadores europeus tiveram um impacto maior do que a superexploração de recursos naturais. A análise genética dos atuais descendentes dos rapanui mostra que eles são 90% polinésios e 10% americanos.

Em 2017, um estudo de restos mortais de ilhéus que viveram séculos atrás não encontrou vestígios de interação com povos americanos, mas a nova pesquisa finalmente revela essa conexão. Resta saber se foram os rapanui que chegaram às Américas ou o contrário. Pesquisas adicionais ainda são necessárias.

Momento do encontro e sua importância

Mais relevante, porém, foi o momento em que esse encontro aconteceu, em algum período entre 1250 e 1430, antes da chegada de Colombo às Américas em 1492. Isso fortalece a hipótese de integração entre os polinésios e a América do Sul.

Os novos dados representam um avanço significativo na compreensão da história de Rapa Nui. “Talvez esse estudo seja a pá de cal final nessa narrativa, transformando-a em uma história sobre a resiliência humana e a habilidade de utilizar os recursos de forma sustentável em meio às mudanças ambientais”, afirmam Stephan Schiffels e Kathrin Nägele, do Instituto Max Planck.

Diálogo com a comunidade local

Além disso, a pesquisa foi conduzida em diálogo constante com a comunidade local, reforçando o desejo de repatriar os ancestrais rapanui levados para museus distantes. A repatriação pode permitir que esses ancestrais contem sua história de sobrevivência e resiliência diretamente de sua terra natal.

“Conseguimos, finalmente, deixar claro que o uso dos recursos da ilha teve menos impacto do que o contato dos europeus com essa população”, complementa Bárbara. As novas evidências foram obtidas em constante diálogo com a comunidade local e reforçam o desejo de repatriar os ancestrais rapanui carregados para museus distantes. Talvez essa seja a hora de levá-los de volta para casa, de onde poderão contar sua história de sobrevivência e resiliência.

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