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O voo sequestrado que acabou em tragédia no Oceano Índico; assista

Episódio, há quase 30 anos, deixou lições para a aviação quanto à segurança dentro das cabines dos pilotos

Sem combustível, apesar do alerta do piloto aos sequestradores, Boeing 767 tenta fazer pouso forçado no mar: explosão, 125 mortes e 50 sobreviventes | Foto: Reprodução/Twitter/X
Sem combustível, apesar do alerta do piloto aos sequestradores, Boeing 767 tenta fazer pouso forçado no mar: explosão, 125 mortes e 50 sobreviventes | Foto: Reprodução/Twitter/X

Em novembro de 1996, um avião da Ethiopian Airlines que realizava o voo 961 foi sequestrado e acabou caindo no Oceano Índico. Apesar do impacto, parte dos ocupantes sobreviveu. O acidente foi registrado em tempo real por uma câmera e tornou-se um dos mais impressionantes já vistos na história da aviação.

Na manhã daquele dia, o voo decolou de Adis Abeba, na Etiópia, com destino a Abidjã, na Costa do Marfim. A aeronave, um Boeing 767, transportava 163 passageiros e 12 tripulantes. Entretanto, pouco depois da decolagem, sequestradores tomaram o controle da aeronave, anunciando que tinham uma bomba.

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Voo deveria seguir para a Austrália

Menos de meia hora depois, um dos sequestradores se levantou e foi rumo à cabine de comando. Ele foi seguido por outros dois colegas. Um deles disse aos passageiros: “Todos têm de ficar sentados. Eu tenho uma bomba”. Os criminosos entraram na cabine e avisaram aos pilotos que havia onze sequestradores a bordo. Após retirarem o copiloto do seu lugar, passaram a ameaçar o comandante para que ele direcionasse o voo para a Austrália.

Não havia combustível suficiente a bordo, mas os sequestradores mexiam nos comandos do avião, atrapalhando a trajetória. O piloto avisou os criminosos que o avião estava ficando sem combustível. No entanto, ele foi ignorado, apesar de mostrar os indicadores da aeronave e explicar principalmente o que significava o disparo do alarme de nível crítico de combustível.

Piloto avisou passageiros sobre a situação do voo

Ele chegou a ver a pista de um aeroporto e pediu para pousar ali. Porém, insistiram para que ele não voasse abaixo de cerca de 12 km de altitude. Sem combustível, um dos motores parou. O piloto, contudo, conseguiu convencer um dos criminosos de que havia um problema sério com o avião. Nesse momento, o sequestrador foi até a porta da cabine para conversar com os outros dois comparsas.

Enquanto discutiam, o piloto pegou o microfone e falou aos passageiros: “Senhoras e senhores, este é o seu piloto. Ficamos sem combustível e estamos perdendo um motor desta vez. Devemos realizar um pouso forçado e isso é tudo o que tenho a dizer. Já perdemos um motor e peço a todos os passageiros que reajam contra os sequestradores.”

Pressionado, piloto responde: “Já estou morto”

Ao ouvir o comando, um dos criminosos voltou para a cabine e arrancou o microfone da mão do comandante. Em seguida, ele começou a mexer nos controles, causando problemas ao voo, com uma rota inconstante e perda de altitude. Depois de o outro motor parar de funcionar, o sequestrador percebeu que o avião caia cada vez mais e mandou que o piloto parasse com a descida. Em seguida, mandou ele tirar as mãos do controle e o ameaçou. Prontamente, o capitão respondeu:

“Eu já estou morto, pois estou voando em um avião sem potência nos motores”. Em um último esforço, os pilotos tentaram fazer um pouso controlado no mar. A aeronave atingiu a água a poucos metros da praia de Grande Comore, nas Ilhas Comores. Mesmo diante do cenário improvável, 50 pessoas sobreviveram ao impacto. Das 175 pessoas a bordo, 125 morreram, incluindo os três sequestradores e seis tripulantes.

Da praia, turistas flagram queda do avião

Algumas pessoas morreram ao ficarem presas dentro da fuselagem por estarem com o colete salva-vidas inflado antes de saírem do avião. Todas as cenas foram flagradas em vídeo por um turista diretamente da praia de Grande Comore, mostrando a aproximação na água e o impacto no mar (veja abaixo).

O incidente evidenciou os riscos do acesso fácil à cabine de comando e reforçou a necessidade de medidas de segurança mais rigorosas. Muitas companhias aéreas passaram a reforçar as portas das áreas reservadas aos pilotos para dificultar invasões.

Ao mesmo tempo, entre outras recomendações e aprendizados deixados pela tragédia, reforçou-se o treinamento das tripulações para pouso na água. O machado de combate a incêndio, que fica a bordo, mudou de lugar: ficou em um local acessível apenas a quem faz parte da tripulação. Foi com ele que os sequestradores conseguiram ameaçar os pilotos durante o voo.

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