OMS vetou ‘Nu’ e ‘Xi’ como possíveis nomes de nova variante

Razões políticas levaram a organização a 'pular' letras do alfabeto grego e batizar cepa sul-africana como Ômicron
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Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS)
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) | Foto: Reprodução/Flickr

A Organização Mundial da Saúde (OMS) surpreendeu a comunidade científica ao batizar a variante sul-africana do coronavírus como Ômicron.

Antes da reunião que sacramentou o nome da nova cepa, na sexta-feira 26, a expectativa era que a nomenclatura seria “Nu” — seguindo a ordem que vinha sendo adotada pela entidade, tendo como base como alfabeto grego.

Desde junho do ano passado, as variantes consideradas mais preocupantes do vírus Sars-CoV-2 vêm sendo denominadas com letras do alfabeto grego. Essa decisão foi tomada inicialmente para que nenhum país fosse estigmatizado, com expressões com “vírus chinês”, por exemplo.

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A OMS decidiu, então, atribuir as letras gregas às chamadas “variantes de preocupação” (variant of concern, VoC, em inglês), “variantes de interesse” (variant of interest, VoI) e “variantes sob monitoramento” (variant under monitoring, VuM), seguindo a ordem cronológica pela qual foram definidas como ameaças potenciais.

Veja a lista

  • VoC (variantes de preocupação): Alfa (detectada pela primeira vez no Reino Unido), Beta (detectada na África do Sul), Gama (no Brasil, também conhecida como P.1), Delta (na Índia) e Ômicron (também detectada na África do Sul);
  • VoI (variantes de interesse): Lambda (detectada pela primeira vez no Peru) e Mu (na Colômbia); Épsilon (na Califórnia, EUA).
  • VuM (variantes sob monitoramento): 7 cepas que não recebem nome de letras do alfabeto grego

Com base nesse critério, a variante inglesa do coronavírus (B.1.1.7) foi denominada Alfa. A primeira cepa sul-africana ganhou o nome Beta, enquanto a brasileira é a Gama. Delta é a variante indiana do coronavírus.

Os cientistas atribuem longas sequências de letras e números às novas variantes, tomando como base sua linhagem: “VoC” e “VoI”, de preocupação ou de interesse. Na sequência, essa característica é “combinada” com o alfabeto grego.

Depois da descoberta da Delta, três outras variantes foram classificadas como de interesse (VoI): Lambda, Épsilon e Mu. A sequência natural, portanto, seria a letra “Nu” do alfabeto grego, mas a OMS decidiu subverter a ordem. Não só a “Nu” foi “pulada”, como também a “Xi”, próxima da lista.

“‘Nu’ soa muito como a palavra ‘new’, que em inglês quer ‘novo’. Os países anglófonos teriam se encontrado na situação de ouvir dois sons extremamente semelhantes em uma frase em que falava da nova variante”, explicou a porta-voz da OMS, Margaret Harris. Isso, possivelmente, causaria uma confusão — muitas pessoas poderiam imaginar que se tratava apenas de uma variante “nova” (The new Nu variant, em inglês), e não do próprio nome da cepa.

Já o uso de “Xi” foi banido justamente por ser um nome muito difundido na China — país que ocupa o centro de grandes disputas geopolíticas e está diretamente ligado à origem do coronavírus. Além disso, é o nome do chefe de Estado chinês, o presidente Xi Jinping. Segundo a OMS, chamar a nova variante de “Xi” poderia levar a novas reações contra o país asiático.

Com informações do jornal Corriere Della Sera

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