Na última semana, Cuba declarou estar em “estado de guerra”, de acordo com a imprensa estatal. A decisão foi aprovada em reunião do Conselho de Defesa Nacional, órgão responsável por assumir o controle do país em situações de desastres naturais ou conflitos armados.
Segundo a mídia estatal, a medida se baseia no conceito de “Guerra de Todo o Povo”, que prevê a mobilização total da população para responder de forma coletiva e decisiva a uma eventual agressão externa. A declaração de “estado de guerra” sucede notícias sobre uma possível intervenção norte-americana para derrubar o regime ditatorial em Cuba.
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O novo cenário intensificou o clima de insegurança e tem afetado o cotidiano da população. Na última segunda-feira, 26, o país enfrentou uma das piores ondas de apagões dos últimos meses. A falta de alimentos, medicamentos e água potável, somada à precariedade do sistema de saúde, torna a população ainda mais vulnerável.

Jovens que cumprem o serviço militar estão sendo especialmente prejudicados. “Eles estão com medo. Ninguém está preparado para uma guerra. Mesmo assim, são obrigados, segundo as autoridades, a defender a revolução”, disse o pastor de uma igreja local à Portas Abertas, organização que monitora as condições de cristãos ao redor do mundo.
De acordo com o pastor, identificado pela Portas Abertas sob o pseudônimo Luís, muitos jovens permanecem confinados, sem condições adequadas ou acesso a recursos essenciais, apenas para cumprir a missão de defender o regime.
Cristãos são reprimidos pelo Estado em Cuba
Cuba ocupa a 24ª posição entre os 50 países onde os cristãos mais sofrem perseguição e é considerado o mais perigoso da América Latina, segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026. Em junho passado, dois integrantes da equipe da Portas Abertas passaram vários dias no país para avaliar as condições das comunidades cristãs e relataram uma realidade marcada por pobreza estrutural e vigilância constante.

Um dos voluntários relatou sobre um pastor ao dizer que a refeição modesta, de apenas arroz, frango e salada, oferecida pela Portas Abertas durante um evento da igreja foi a melhor que muitos participantes comeram em meses. “A situação me abalou profundamente. O que consideramos básico, eles veem como luxo”, disse o enviado da organização.
Ademais, o Estado monitora de perto a atividade religiosa. “As igrejas são autorizadas a se reunir, mas sempre sob observação”, afirmou o voluntário. “Nos cultos, você ouve as pessoas orarem por dificuldades e necessidades, mas nunca mencionam os responsáveis. Esse silêncio diz muito sobre o medo com que os cristãos vivem.”
Miguel (nome fictício), pastor cubano que enfrenta forte perseguição, liderou 14 igrejas ao longo de 20 anos e vivenciou de perto a repressão, a fome e a escassez. Por sua atuação religiosa, foi interrogado cerca de 50 vezes por autoridades do regime.

Um casal, identificado com os pseudônimos de Alicia e Aarón, também testemunhou essa realidade. Eles dirigem programas de ajuda social e foram convocados pelo Escritório de Assuntos Religiosos de Cuba depois de ser fotografados por um estranho. “Tenho medo de que algo aconteça com meu marido”, disse Alicia.
Outra voluntária do Portas Abertas viajou para uma área rural a três horas de Havana, capital de Cuba, para conhecer famílias cristãs envolvidas nos projetos de apoio da organização. “Quando você vê as pessoas na rua, vê o desespero”, relatou.
Os apagões são uma realidade constante e deixam bairros inteiros na escuridão por horas ou até dias. O sistema de saúde também está em crise. “Meu salário não cobre nem o que minha esposa diabética precisa. Vivemos em constante incerteza”, disse um líder cristão entrevistado pela voluntária.






































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