Em meio à expectativa pelo anúncio oficial dos resultados das eleições presidenciais em Camarões, confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança resultaram em quatro mortes no domingo 26, segundo autoridades locais.
As manifestações se espalharam por diversas cidades depois do apelo do candidato da oposição, Issa Tchiroma Bakary, que participou da votação realizada em 12 de outubro. Os protestos pediam transparência e desdobraram-se em bloqueios de vias em Douala, Garoua e Maroua, sendo registrados enfrentamentos com gás lacrimogêneo.
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As tensões aumentaram depois de denúncias da oposição sobre possíveis fraudes no pleito, enquanto o conselho constitucional planeja divulgar o resultado final nesta segunda-feira, 27. Centenas de pessoas foram às ruas, e dezenas de oposicionistas e ativistas acabaram detidos nos últimos dias, de acordo com o ministro da Administração Territorial, Paul Atanga Nji.
Presidente de Camarões tenta o oitavo mandato consecutivo

O governador da Região do Littoral, Samuel Dieudonné Ivaha Diboua, confirmou que, além dos mortos, vários agentes de segurança ficaram feridos em ataques contra delegacias e policiais. “Várias pessoas foram presas por planejar ataques violentos”, afirmou o ministro.
Com quase 30 milhões de habitantes, Camarões vive um clima de instabilidade, agravado pela decisão do presidente Paul Biya, de 92 anos, de tentar o oitavo mandato consecutivo. Biya está no poder desde 1982, depois de depor Ahmadou Ahidjo, e ampliou sua permanência ao eliminar limites constitucionais de mandatos.
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Opositores acusam Biya de manipular o processo eleitoral e usar o aparato estatal para influenciar o resultado. Neste ano, o principal rival, Maurice Kamto, foi declarado inelegível depois de decisão judicial, o que enfraqueceu ainda mais a concorrência.
Apesar de favorito nas pesquisas, Biya enfrenta pressões inéditas, inclusive de sua filha Brenda, de 27 anos, que pediu aos cidadãos que escolham outro líder. Vozes religiosas e membros do próprio governo também questionaram sua capacidade de continuar no cargo.
Clima de medo e repressão limita oposição
Biya apareceu publicamente na quarta-feira 8, em um comício no norte do país, em que prometeu melhorar a segurança e investir em infraestrutura e empregos para os jovens. A região é uma das mais pobres e frequentemente atingida por ataques do Boko Haram.
Especialistas como Raoul Sumo Tayo, do Instituto de Estudos de Segurança, ressaltam o clima de medo que impede manifestações abertas. “Quando você pega um táxi em Camarões, não sabe exatamente quem é o motorista. As pessoas têm medo de falar”, disse o pesquisador.
Arrey Ntui, do International Crisis Group, complementou: “Pouquíssimas pessoas no sistema governante estão dispostas a se expor” para desafiar o presidente, afirmou à Reuters.
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