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Putin e Otan intensificam exercícios nucleares

Manobras de Moscou e da aliança militar ocidental ocorrem ao mesmo tempo, com objetivos e escala diferentes

Vladimir Putin é presidente da Rússia desde 2000 | Foto: Divulgação/Kremlin
O presidente Vladimir Putin acompanhou pessoalmente o treinamento nuclear russo | Foto: Divulgação/Kremlin

O presidente russo, Vladimir Putin, acompanhou, nesta quarta-feira, 22, o exercício anual de suas forças estratégicas, reforçando o protagonismo nuclear de Moscou. A ação coincide com a simulação Steadfast Noon, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que se encerra na próxima sexta-feira, 24, e envolve armas táticas em território europeu.

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Enquanto a Otan, que reúne 32 países (dentre eles os Estados Unidos) mantém discrição em seus treinamentos, Putin opta por uma exibição pública de força. Ele recebeu relatórios do ministro da Defesa, Andrei Belousov, e do chefe do Estado-Maior, general Valeri Gerasimov, no centro de comando militar.

Arsenal estratégico em demonstração

O treinamento russo incluiu o disparo de um míssil intercontinental Iars do cosmódromo de Plesetsk até a Península de Kamtchatka, cobrindo mais de 6,6 mil km. No Mar de Barents, o submarino nuclear Briansk lançou um míssil Sineva, enquanto bombardeiros Tu-95MS dispararam mísseis de cruzeiro Kh-102. Todas as armas têm capacidade para causar destruição em larga escala.

O Grom, realizado anualmente desde 2012, é o principal exercício estratégico da Rússia, mas o país realiza simulações nucleares durante todo o ano. Já a Otan concentra-se em ogivas táticas, projetadas para conflitos locais.

Treinamento da Otan

O Steadfast Noon envolveu 71 aeronaves de 14 países, com destaque para os F-35 norte-americanos e suas bombas B-61. As operações ocorreram principalmente na Base de Volkel, na Holanda, e incluíram unidades na Bélgica, no Reino Unido e na Alemanha, que substitui gradualmente seus Tornado por caças de quinta geração. Cerca de 2 mil militares participaram, com exercícios concentrados no Mar do Norte. A aliança afirma que os treinos têm caráter defensivo.

Contexto nuclear global

A Rússia lidera o ranking mundial de potências nucleares, seguida pelos EUA, somando juntos quase 90% do arsenal global. França e Reino Unido mantêm arsenais menores, com cooperação limitada em alguns exercícios, mas cada país preserva autonomia sobre sua doutrina.

A sobreposição de exercícios evidencia a escalada de demonstrações de força, reforçando a tensão entre Moscou e países europeus, enquanto o conflito na Ucrânia continua sem solução.

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