O governo do Reino Unido proibiu, nesta terça-feira, 7, a entrada do rapper Kanye West no país, sob o argumento de que sua presença não atende ao interesse público. A medida surge em meio à controvérsia que envolve sua participação como atração principal do festival Wireless, em Londres.
West enfrenta críticas recorrentes por declarações antissemitas e pela publicação da canção Heil Hitler, uma referência à saudação nazista, em 2025. Esses episódios já levaram ao bloqueio de suas contas em redes sociais e à reação de empresas e autoridades.
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A escalação do artista para o festival provocou forte repercussão. Empresas retiraram o patrocínio do evento, e integrantes do Partido Conservador enviaram uma carta à secretária do Interior, Shabana Mahmood, em que pedem a proibição da entrada do músico.
O primeiro-ministro Keir Starmer classificou a decisão de incluí-lo na programação como “profundamente preocupante”. “O antissemitismo em qualquer forma é abominável e deve ser confrontado com firmeza onde quer que apareça”, afirmou.
Já Melvin Benn, diretor da Festival Republic, uma das organizadoras do evento, defendeu a manutenção de West como atração principal. Ele reconheceu que os comentários do artista são “abomináveis”, mas pediu que o público considere a possibilidade de perdão.
“O perdão e a segunda chance estão se tornando virtudes perdidas nesse mundo cada vez mais”, argumentou Benn. “Peço que as pessoas reflitam sobre seus comentários imediatos de nojo e ofereçam algum perdão e esperança, como eu decidi fazer.”
Apesar da defesa, patrocinadores, como Diageo, Pepsi e PayPal, anunciaram a retirada de apoio ao festival.
West cita transtornos e pede desculpa pública
West pediu desculpa em janeiro, em anúncio publicado no jornal norte-americano The Wall Street Journal. Ele atribuiu seu comportamento a uma lesão cerebral não diagnosticada e a um transtorno bipolar não tratado. Também se desculpou por declarações relacionadas ao ditador Adolf Hitler.
West não se apresenta no Reino Unido desde 2015, quando participou do Festival de Glastonbury.
Declarações de Starmer geram críticas entre setores da comunidade judaica
Apesar de se opor à entrada de West em razão das declarações antissemitas do artista, Starmer enfrenta reação negativa de parte da população britânica, inclusive da comunidade judaica, por sua condução de temas ligados à presença islâmica no país e por suas ressalvas às operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Em março, diante de ativistas e parlamentares, o premiê elogiou os muçulmanos como “a cara da Grã-Bretanha moderna” e afirmou que eles “são um caso de sucesso em termos de diversidade”. As declarações ocorreram durante uma cerimônia de iftar, a quebra do jejum diário no Ramadã.
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Ele afirmou ainda que o país atravessa um “momento muito difícil”, em razão da “dor do conflito em Gaza” e do “sofrimento dos palestinos”. Também declarou estar “horrorizado com a onda de ódio” direcionada aos muçulmanos britânicos, que atribuiu à “retórica e àdesinformação da extrema direita”.






































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