O ex-presidente da França, Nicolas Sarkozy (2007-2012), disse, neste sábado, 27, que não espera perdão presidencial depois de ser condenado no caso do suposto financiamento líbio de sua campanha de 2007.
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Em entrevista ao Journal du dimanche, ele comentou a decisão do Tribunal Criminal de Paris, que determinou a ele cinco anos de prisão, incluindo regime fechado, por ter permitido que seus colaboradores mais próximos buscassem apoio financeiro do regime do ditador Muammar Kadhafi, que comandou o país entre 1969 e 2011.
Questionado sobre a possibilidade de o presidente Emmanuel Macron conceder-lhe graça, Sarkozy foi categórico: “Em nenhum caso”. Ele explicou: “Para ser agraciado, é preciso aceitar a pena, e portanto reconhecer a culpa”, argumentou o ex-presidente.
“Jamais reconhecerei minha culpa por algo que não fiz. Lutarei até meu último suspiro para que minha honestidade seja reconhecida”, encerrando com um “eu vencerei”. Como a graça só pode ser aplicada a uma condenação definitiva, ainda não é possível, já que o ex-presidente recorreu da decisão.
O ex-presidente da França, no longo depoimento, criticou a condução do processo e questionou a autenticidade de um documento publicado em 2012 pelo site Mediapart, que originou a ação judicial.
O material, em árabe, supostamente tratava de um acordo para apoiar sua candidatura à presidência, relatam o Le Monde e a AFP. A magistrada responsável declarou: “O mais provável é que este documento seja falso”.
Sarkozy se disse surpreso com mandado de prisão
O ex-presidente rebateu: “Se há um falso, é porque houve falsificadores, manipuladores e, portanto, um complô”, ressaltou. “Num mundo normal, toda a acusação teria desmoronado. Mas o tribunal fez exatamente o oposto. Lembro que perdi a eleição presidencial de 2012 por uma margem mínima. O falso de Mediapart teve grande influência nisso. Quem reparará essa injustiça?”
Sobre a execução provisória de sua pena, que inclui prisão com mandado de prisão diferido (não imediato), ele afirmou que esperava “tudo, menos isso”. Sarkozy ainda acrescentou: “Todos os limites do Estado de direito foram violados. É inacreditável. Mesmo nas réplicas agressivas, o PNF [Parquet Nacional Financeiro] não havia solicitado isso!”
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Fontes judiciais informaram que Sarkozy foi convocado pelo órgão especial do Ministério Público francês (PNF) para 13 de outubro, quando será informada a data exata de sua entrada na prisão, prevista para um “prazo relativamente próximo”.
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