A retomada do cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hezbollah, nesta sexta-feira, 19, não eliminou os sinais de tensão entre as partes. Logo depois da entrada em vigor da trégua, líderes da organização xiita fizeram declarações indicando que continuam tratando o confronto como uma disputa em aberto e não como um conflito encerrado.
+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste
Receba nossas atualizações
“Estamos passando pela fase mais perigosa de nossas vidas no Líbano”, declarou o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem. “O plano que está sendo implementado contra nós hoje tem como objetivo acabar com a resistência e com seu povo, e eliminar completamente sua presença no Líbano. Eles querem implementar seu plano por meio da guerra israelense no Líbano, que ignora todas as regras.”
Na mesma declaração, acrescentou: “O projeto para eliminar o Hezbollah e estabelecer a ocupação fracassou, e os israelenses se retirarão de cada último centímetro de nossa terra.” O deputado do Hezbollah Ihab Hamadeh também rejeitou a ideia de uma estabilização definitiva da situação. Segundo ele, “o Estado não consegue conter Israel depois da decisão de abandonar o poder. Israel está tentando minar os esforços de calmaria por meio de seus ataques.”
Ele acrescentou: “O Irã está determinado a atacar o norte de Israel em resposta às violações israelenses. A equação da unidade das frentes terá a palavra final em relação aos esforços de calmaria.”
As declarações foram feitas depois que um novo cessar-fogo passou a vigorar entre Israel e o Hezbollah por iniciativa dos Estados Unidos e com mediação do Catar. O acordo surgiu depois de escalada provocada pela morte de quatro soldados israelenses em um ataque atribuído ao grupo libanês, na madrugada desta sexta-feira.
Foi justamente esse episódio que levou Israel a ampliar seus bombardeios, atingindo cerca de 150 alvos e expandindo as operações para o Vale do Bekaa antes da retomada da trégua.
Trégua com Hezbollah questionada em Israel
Pela quinta vez, desde o início da crise, iniciada depois de 7 de outubro, a entrada em vigor de um cessar-fogo foi anunciada por autoridades estrangeiras, e não pelo governo israelense. Em Israel, esse padrão passou a gerar questionamentos sobre a forma como acordos ligados ao conflito vêm sendo comunicados.
Depois da confirmação nortepamericana de que o cessar-fogo havia entrado em vigor, nenhuma autoridade israelense fez pronunciamento público. A posição oficial foi transmitida por meio de declarações atribuídas a fontes graduadas do governo.
Leia também: “Quarenta anos de terror”, reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 320 da Revista Oeste
Uma dessas fontes afirmou que o entendimento não impõe novas limitações às operações militares israelenses. Segundo o interlocutor, “não há nada de novo no cessar-fogo”. A autoridade acrescentou: “O Hezbollah atacou, apanhou e correu para pedir a renovação do cessar-fogo.”
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também evitou comentar diretamente o acordo. Em vez disso, divulgou imagens de ataques realizados pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) no Líbano e declarou: “Conforme determinei, as FDI atacaram com força 150 alvos do Hezbollah no Líbano e eliminaram dezenas de terroristas.”
A viabilidade da nova trégua continua sendo motivo de dúvidas. Os entendimentos anteriores fracassaram diante da continuidade dos combates e da presença simultânea de tropas israelenses e combatentes do Hezbollah em diferentes regiões do Líbano.
Atualmente, forças israelenses permanecem posicionadas até a região do rio Litani e também em áreas mais ao norte. O Hezbollah, por sua vez, continua ativo no terreno. A ofensiva mais recente marcou uma mudança de padrão na resposta israelense. Depois da morte dos quatro militares, Israel ampliou os ataques para o Vale do Bekaa. Até então, os confrontos costumavam ficar concentrados principalmente no sul do Líbano.
Apesar da escalada, Israel evitou atacar Beirute. A avaliação era de que uma ofensiva contra a capital libanesa poderia desencadear uma reação direta do Irã. Diante desse risco, Washington intensificou os contatos diplomáticos e, com auxílio do Catar, obteve de Teerã e do Hezbollah a retomada do cessar-fogo.
A situação no Líbano também passou a influenciar as negociações entre EUA e Irã. Autoridades norte-americanas afirmaram que representantes iranianos demonstraram resistência em iniciar conversas na Suíça com o vice-presidente J. D. Vance devido às operações militares israelenses. Eles assinaram o acordo mas se recusaram a realizar a reunião presencial.
Segundo a Casa Branca, o governo iraniano recebeu a mensagem de que “Israel está pronto para avançar e que o Hezbollah é responsável por interromper os ataques”. Duas outras autoridades regionais disseram que “o Paquistão está surpreso com a decisão do Irã de não participar das conversas”.
Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores do Irã informou que o memorando de entendimento firmado com os EUA para encerrar a guerra já foi assinado digitalmente, tornando menos urgente a realização de um encontro presencial na Suíça.
Ao mesmo tempo, as Forças Armadas iranianas divulgaram um comunicado para demonstrar que permanecem mobilizadas. Segundo a nota, “no Exército e na Guarda Revolucionária, estamos ombro a ombro, em estado de alerta e prontos para agir. Aguardamos as ordens do comandante supremo. Nossos filhos aumentarão suas capacidades de combate e estarão preparados para sacrificar suas vidas se o inimigo violar qualquer acordo.”
Nos EUA, Donald Trump comentou o impasse em uma publicação nas redes sociais. “Não fomos nós que não nos reunimos por desespero”, escreveu Trump nas redes sociais. “Foi o Irã. Eles estão acabados! Vamos cumprir os 60 dias. Eles não receberão dinheiro algum, nem dez centavos!”






































Entre ou assine para enviar um comentário.
Você precisa de uma assinatura válida para enviar um comentário, faça um upgrade aqui.