A Ucrânia decidiu permitir que homens com até 22 anos deixem o país. A medida, em vigor desde esta quinta-feira, 28, marca uma mudança significativa na política adotada no início da guerra contra a Rússia, quando Kiev proibiu a saída de todos os cidadãos do sexo masculino de 18 a 60 anos.
Segundo o Ministério do Interior, o objetivo é dar oportunidade a esses jovens de estudar ou trabalhar legalmente no exterior. A expectativa é que retornem, futuramente, com experiência e formação para contribuir com a reconstrução nacional.
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Embora os homens de 18 a 22 anos já estivessem fora da convocação obrigatória até recentemente, a proibição de deixar o país continuava em vigor. A convocação militar ucraniana, nos dois primeiros anos de guerra, só atingia cidadãos com 27 anos ou mais. A partir de abril de 2024, a idade mínima caiu para 25.
A nova regra, segundo o serviço de fronteiras, vale para quem ainda não completou 23 anos no momento da saída. A exceção permanece para homens que ocupam cargos públicos — esses só podem sair a trabalho.
Medida da Ucrânia levanta temor de fuga definitiva de jovens
O governo acredita que a medida vai frear o medo de não poder voltar para o exterior depois de visitas ao país. O deputado Fedir Venislavsky, ligado ao partido de Zelensky, defende a mudança. Segundo ele, muitos jovens têm evitado regressar para não ficarem presos na Ucrânia. “Desse jeito, vamos perder uma geração inteira.”
Já o sociólogo Oleksandr Hladun, da Academia Nacional de Ciências da Ucrânia, criticou duramente a decisão. Para ele, a política atual estimula a fuga definitiva.
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“Essa decisão vai fazer as pessoas irem embora”, disse Hladun à agência alemã Deutsche Welle. “Ninguém vai voltar. Por um lado, as autoridades dizem que não há pessoal o suficiente no front nem nas linhas de defesa, e que o mercado de trabalho precisa de estrangeiros. Aí facilitam a saída de homens.”
Pesquisas recentes revelam que o desejo de emigrar é mais forte entre os jovens. Segundo levantamento do instituto Rating, 20% dos ucranianos de 18 a 29 anos querem viver permanentemente no exterior — o dobro da média nacional, que é de 10%.






































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