Muitos indivíduos percebem intuitivamente que a natureza possui benefícios incomparáveis para o bem-estar humano. Essa conexão inata que se sente ao estar ao ar livre ao invés de confinado entre quatro paredes motivou o psicólogo Marc Berman, PhD, a dedicar sua carreira à investigação dos efeitos da natureza na mente e no corpo humano. Berman fundou um novo campo de pesquisa — a neurociência ambiental — para explorar como a natureza impacta nossa saúde cognitiva, física e social. No livro “Nature and the Mind”, previsto para lançamento em agosto de 2025, Berman compila suas descobertas e aborda alguns dos surpreendentes benefícios de saúde proporcionados pelo contato com o ambiente natural.
Um dos pontos destacados por Berman é o impacto positivo da luz natural na saúde dos olhos. Estudos indicam que passar cerca de duas horas diárias ao ar livre pode ajudar a prevenir a miopia em crianças e jovens adultos. Além disso, uma pesquisa de 2021 demonstrou que ler ao ar livre pode aguçar as áreas visuais do cérebro em adultos. Essas descobertas são complementadas por um estudo seminal que Berman ajudou a desenvolver, mostrando que uma caminhada de 50 minutos no parque pode melhorar em 20% a atenção e a memória das pessoas. A estimulação natural, como árvores, água corrente e nuvens, renovam nossa capacidade de concentração, resultando em um desempenho superior em tarefas que exigem foco.
Como a natureza afeta a saúde mental?
Os efeitos da natureza na saúde mental são amplamente reconhecidos. A capacidade da natureza de restaurar a nossa atenção e foco é apontada por Berman como uma razão para sua influência benéfica nos estados de ansiedade e depressão. Muitas vezes, a depressão pode levar ao que ele descreve como um estado de fadiga mental, dificultando a concentração. Interagir com a natureza pode reverter essa fadiga, oferecendo mais recursos cognitivos para lidar com questões que podem originar a depressão. Além disso, tais interações encorajam pensamentos mais reflexivos e positivos, ajudando a controlar sintomas de ansiedade e depressão.

Qual é a relação entre a natureza e doenças cardíacas?
A relação entre natureza e saúde cardíaca se revela intrigante. Em um estudo coautorado por Berman, foi observado que a adição de 11 árvores a uma rua urbana correlacionava-se com uma redução de 1% nos transtornos cardiometabólicos — como doenças cardíacas, derrame e diabetes — entre os moradores. Embora as causas desse efeito não sejam claras, há especulações relacionadas à qualidade do ar, aumento de atividades físicas em áreas arborizadas, ou até mesmo ao impacto estético das paisagens naturais. Afinal, o que é benéfico para a mente tende a refletir-se positivamente no corpo, reforçando as melhorias atencionais e cognitivas.

Como fortalece o sistema imunológico?
O fortalecimento do sistema imunológico é outro domínio em que a natureza exerce influência. Estudos conduzidos na Finlândia indicam que crianças que brincam ao ar livre entre plantas experimentam um aumento significativo em suas funções imunológicas após 28 dias. Berman enfatiza que adultos também podem se beneficiar, sendo essa melhora vinculada à exposição a bactérias e outros microrganismos benéficos presentes no solo. Isso pode envolver tanto o contato direto com o solo, quanto a inalação de tais microrganismos. Novas pesquisas sugerem ainda que a diversidade microbiana à qual somos expostos em ambientes naturais pode ajudar a regular inflamações e fortalecer o equilíbrio do nosso sistema imunológico ao longo da vida.

Por fim, a interação com a natureza tem impactos notáveis na saúde social. Pesquisas mostram que moradores de edifícios rodeados por vegetação tendem a ser menos agressivos. Em ambientes naturais, as pessoas normalmente se mostram mais cooperativas e sociáveis. Berman argumenta que essa experiência de estar imerso em cenas naturais belas pode evocar sentimentos de admiração e pertencimento a algo maior, promovendo a transcendência pessoal e um maior foco nas necessidades dos outros. Além disso, a prática regular de atividades em grupo ao ar livre tem se mostrado eficaz no fortalecimento de laços sociais e no estímulo ao trabalho em equipe, contribuindo para comunidades mais saudáveis e resilientes.








