O cheiro de açúcar caramelizado e a sombra das figueiras centenárias recebem quem chega a Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. A cidade carrega no nome uma lei federal e no centro histórico um acervo arquitetônico que o IPHAN reconheceu como Patrimônio Cultural Brasileiro.
Por que Pelotas ficou conhecida como a cidade dos doces?
A resposta está nos navios do século XIX. Os barcos que levavam charque para o Nordeste voltavam carregados de açúcar. Dentro dos casarões da elite charqueadora, esse açúcar virava doce fino, preparado à base de ovos conforme receitas trazidas por portugueses. A troca rendeu uma tradição que atravessou gerações e se mantém viva nas confeitarias e na Rua do Doce.
Em 2024, a Lei Federal 14.867 oficializou Pelotas como Capital Nacional do Doce. O título, concedido pelo Ministério do Turismo, reconhece formalmente o que doceiras e moradores já sabiam há décadas.

Casarões azulejados e um teatro de 1834
O Conjunto Histórico de Pelotas reúne quatro praças, um parque, a Chácara da Baronesa e a Charqueada São João, todos tombados pelo IPHAN em 2018. Foi a primeira vez na história do instituto que uma mesma cidade recebeu duplo reconhecimento, material e imaterial, em uma única sessão.
No coração da Praça Coronel Pedro Osório, o Theatro Sete de Abril marca presença desde 1834. Primeiro teatro erguido no Rio Grande do Sul, ele nasceu financiado pela riqueza do charque e recebeu até a visita de Dom Pedro II, em 1846. A fachada em art nouveau, com máscaras e liras esculpidas em cimento, é de uma reforma de 1916 e segue entre as mais fotografadas da cidade.

O que visitar na Princesa do Sul?
A cidade oferece um roteiro que mistura história, natureza e sabor. Algumas atrações ficam a poucos minutos do centro.
- Charqueada São João: construída em 1810, preserva o acervo original do ciclo do charque e é patrimônio tombado pelo IPHAN. Passeio de barco pelo Arroio Pelotas complementa a visita.
- Museu do Doce: instalado em casarão de 1878 na Praça Coronel Pedro Osório, conta a história da tradição doceira. Administrado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
- Praia do Laranjal: praia de água doce às margens da Lagoa dos Patos, a 12 km do centro. Figueiras na orla e a colônia de pescadores Z-3 completam o cenário.
- Caixa d’água de ferro: estrutura de 8 metros importada de Paris em 1875, apoiada em 45 colunas decoradas. Fica na Praça Piratinino de Almeida.
- Mercado Central: de 1846, reúne produtos regionais, cafés e artesanato sob uma estrutura de ferro fundido e vidro.
Quem deseja conhecer a capital nacional do doce, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Diogo Elzinga, que conta com mais de 1 milhão de inscritos, onde Diogo mostra por que Pelotas é considerada uma das melhores cidades do Brasil:
Fenadoce: a feira que vende quase 2 milhões de doces
A Feira Nacional do Doce (Fenadoce) é o evento mais aguardado do calendário pelotense. A 30ª edição, em 2024, reuniu 311 mil visitantes e registrou a venda de 1,9 milhão de doces. Quindim, camafeu, bem-casado e doces cristalizados disputam a atenção na Cidade do Doce, o pavilhão temático onde as doceiras produzem ao vivo.
A 31ª edição está marcada para 16 de julho a 3 de agosto de 2025, no Centro de Eventos Fenadoce. O espaço inclui programação cultural, gastronomia e parque de diversões.
Sabores que vão além dos doces
Pelotas também surpreende no salgado e na mesa colonial. A gastronomia reflete a mistura de imigrantes que moldaram a região.
- Doces finos de Pelotas: receitas à base de ovos e açúcar, herança portuguesa. Os mais tradicionais são o quindim, o camafeu de nozes e o pastel de Santa Clara.
- Café colonial: servido em sítios da zona rural, com pães caseiros, geleias, cucas e vinho de laranja.
- Churrasco gaúcho: cortes de costela e picanha preparados no fogo de chão, presentes nos restaurantes do centro e do Laranjal.
Quando o clima favorece cada tipo de passeio em Pelotas?
O clima subtropical traz verões quentes e invernos frios, com variações intensas ao longo do ano. A Fenadoce acontece no inverno, mas o verão atrai pelo Laranjal.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma viagem que adoça a memória
Pelotas combina o peso da história com a leveza de uma tradição feita de açúcar, ovos e paciência. Poucos lugares no Brasil oferecem casarões tombados, charqueadas à beira d’água e uma feira capaz de vender quase 2 milhões de doces em menos de três semanas.
Você precisa experimentar a Princesa do Sul e sentir o sabor de uma cidade que transformou açúcar em identidade.








