Em muitas casas, trocar de roupa e vestir o pijama é um dos últimos rituais antes de apagar as luzes. A separação entre roupa do dia e roupa da noite, porém, é uma construção histórica recente, ligada a mudanças de hábitos domésticos, de higiene, de conforto e à evolução da moda e da indústria têxtil.
Qual é a origem do pijama na história do vestuário?
O termo “pijama” deriva de expressões em línguas como o persa e o hindi, que uniam as ideias de “perna” e “roupa” para indicar uma calça leve, ampla e confortável. Originalmente, tratava-se de uma peça do vestuário cotidiano, adequada a climas quentes e úmidos, e não de uma roupa exclusiva para dormir.
Esse traje era comum entre trabalhadores, comerciantes e moradores de áreas urbanas e rurais, confeccionado em tecidos respiráveis que facilitavam a circulação de ar. A imagem de “roupa de dormir” ainda não existia; o pijama era apenas uma solução prática para o dia a dia, ligada ao contexto cultural e climático do sul da Ásia.

Como o pijama foi incorporado à moda europeia?
O contato mais intenso entre Europa e sul da Ásia, por meio do comércio e da presença colonial, levou viajantes europeus a observar a calça folgada combinada a túnicas e a levar a ideia para seus países. Inicialmente, o pijama foi adotado como um exotismo oriental, usado em ambientes privados ou como roupa de descanso.
Com o tempo, alfaiates europeus adaptaram o modelo asiático, criando conjuntos de calça e blusa coordenados, em algodão, seda e outros tecidos. Assim, o pijama deixou de ser apenas calça e tornou-se um conjunto de dormir, que no fim do século XIX e início do XX passou a disputar espaço com as camisas de dormir, sobretudo entre os homens.
Por que o pijama se tornou a principal roupa de dormir?
À medida que o pijama se consolidava no Ocidente, separar a roupa do dia da roupa da noite passou a ser visto como sinal de higiene e organização da rotina. Em um período em que banhos diários ainda não eram regra, usar um traje específico para dormir ajudava a manter a cama mais limpa e o corpo mais protegido.
Com o avanço da indústria têxtil no século XX, novos tecidos leves, laváveis e acessíveis favoreceram sua popularização. Entre os fatores que explicam por que o pijama se firmou como principal roupa de dormir, destacam-se:
- Redução de custos de produção e maior oferta de modelos acessíveis.
- Campanhas publicitárias associando o pijama ao descanso e à vida doméstica.
- Criação de versões específicas para crianças, mulheres e homens, em diferentes estações.
- Valorização da ideia de conforto planejado e da “boa noite de sono”.

Como o pijama se adapta à rotina noturna atual?
Nas primeiras décadas do século XXI, o pijama passou a conviver com o “loungewear”, peças que servem tanto para dormir quanto para ficar em casa. Em muitas famílias, ele ainda marca a transição entre o ritmo agitado do dia e o momento de descanso, funcionando como um sinal interno de que as atividades externas terminaram.
A rotina noturna moderna costuma incluir jantar, cuidados com a pele, redução do uso de telas e, para grande parte das pessoas, vestir a roupa de dormir. Embora camisetas e peças improvisadas também sejam usadas, o pijama continua simbolizando conforto intencional, pensado para acompanhar o corpo durante o sono.
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O pijama continuará fazendo parte da vida cotidiana no futuro?
Especialistas em comportamento e moda indicam que o pijama deve permanecer presente, ainda que em formatos renovados e mais versáteis. Mudanças climáticas, novos tecidos sustentáveis, tecnologias antibacterianas e a busca por bem-estar tendem a orientar os próximos modelos de roupa de dormir.
Mesmo com a popularização de roupas casuais na hora de deitar, a categoria “roupa de dormir” dificilmente desaparecerá, pois atende a necessidades práticas, culturais e de organização do dia a dia. Da calça leve do sul da Ásia ao conjunto moderno nas gavetas atuais, o pijama segue marcando o fim de mais um dia e o início de algumas horas de descanso.








