Imagine caminhar por uma rua em 1926, ouvindo o som dos bondes, vendo homens de chapéu e mulheres com vestidos elegantes, enquanto, a poucos quilômetros dali, famílias trabalhavam de sol a sol na lavoura. O Brasil de 100 anos atrás era um país em transformação, com um pé no passado rural e outro em um futuro urbano e moderno, e entender esse contraste ajuda a enxergar melhor o país em que vivemos hoje.
Como era o Brasil 100 anos atrás no cenário político e econômico?
No início da década de 1920, o Brasil vivia a chamada República Velha, com a política controlada por poucas famílias poderosas, principalmente ligadas às oligarquias rurais de estados como São Paulo e Minas Gerais. O voto era muito limitado, o que deixava grande parte da população fora das decisões importantes, e os acordos entre líderes regionais valiam mais do que a vontade popular.
A economia dependia da exportação de produtos agrícolas, principalmente o café, concentrado em grandes fazendas que mantinham relações de trabalho muito desiguais. Ao mesmo tempo, a industrialização começava a aparecer em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, com fábricas têxteis, metalúrgicas e de alimentos, criando empregos urbanos, novos costumes e também conflitos trabalhistas em um país ainda muito marcado pelo campo.

Como viviam os brasileiros no dia a dia urbano há 100 anos?
Nas grandes cidades, a rotina começava cedo, com trabalhadores pegando bondes lotados ou fazendo longas caminhadas até fábricas, escritórios e lojas. Ruas centrais ganhavam iluminação elétrica, vitrines chamavam atenção de quem passava e cinemas, cafés e teatros surgiam como novidades que encantavam quem tinha algum dinheiro para gastar com lazer.
Ao mesmo tempo, a desigualdade aparecia em cada esquina, com famílias ricas vivendo em casarões confortáveis e muitos trabalhadores dividindo quartos em cortiços, sem saneamento adequado. Doenças infecciosas eram comuns, o acesso à saúde era limitado e, mesmo assim, as pessoas encontravam tempo para festas de bairro, partidas de futebol em campos de várzea e encontros nas calçadas ao fim do dia.
Leia também: 5 curiosidades que explicam o sucesso do Shih Tzu no Brasil
Como era a vida no campo e nas pequenas cidades brasileiras?
No interior, o relógio era guiado pela luz do dia e pelas estações do ano, com homens, mulheres e crianças trabalhando na terra do amanhecer ao entardecer. A mecanização era rara, a maior parte do trabalho era manual, e muitas crianças dividiam o tempo entre a roça e a escola, quando havia uma escola por perto.
As casas costumavam ser simples, de madeira ou taipa, com iluminação por lampiões e água retirada de poços, rios ou cacimbas. As distâncias eram grandes, o transporte era feito a pé, a cavalo ou de carroça, e as notícias circulavam devagar, muitas vezes trazidas por viajantes, padres ou comerciantes, com as festas religiosas servindo como momentos essenciais de encontro e troca de informações.

Quais eram os principais costumes, trabalhos e formas de lazer dos brasileiros?
Os trabalhos mais comuns envolviam esforço físico intenso, tanto no campo quanto na cidade, com pouca proteção e quase nenhum direito garantido. Nas cidades crescia o número de operários em fábricas, além de artesãos, pequenos comerciantes e funcionários públicos, enquanto no campo predominavam a lavoura, a criação de animais e a extração de produtos naturais, em uma rotina dura e repetitiva que, aos poucos, começaria a ser afetada por novas ideias de organização e de direitos trabalhistas.
A organização familiar era mais rígida, com papéis bem definidos para homens, mulheres e filhos, e o casamento religioso tinha grande peso social. O lazer era vivido principalmente em grupo e, além de festas, rodas de conversa e futebol, algumas atividades começavam a se destacar no cotidiano:
- Festas religiosas e quermesses, que misturavam fé, comida e música.
- Bailes em clubes, salões simples e casas de família, com música ao vivo.
- Cinema mudo nas cidades maiores, encantando com imagens em preto e branco.
- Rádio surgindo como novidade em alguns lares urbanos, unindo informação e entretenimento.
Se você quer saber mais, separamos o vídeo do canal “Você Sabia?” falando sobre essa curiosidade:
O que mudou no Brasil em 100 anos e o que permanece?
Um século depois, o Brasil se tornou muito mais urbano, com mais tecnologia no dia a dia, maior presença do Estado e direitos trabalhistas bem mais consolidados. A escola se espalhou pelo país, o acesso à informação ficou mais rápido e variado e o trabalho deixou de ser, para muitos, apenas força física, incorporando serviços, tecnologia e profissões que nem existiam em 1926.
Mesmo com tantas mudanças, algumas marcas do passado ainda aparecem, como a desigualdade social e regional, que já era forte há 100 anos. Ao olhar para o Brasil de então, com seu campo dominante, suas cidades em transformação e suas diferenças profundas entre ricos e pobres, entendemos melhor as raízes de muitos problemas e também de muitos costumes que ainda fazem parte da nossa vida hoje.








