Em 1912, cinco jovens de Teresópolis subiram ao topo do Dedo de Deus depois que escaladores europeus desistiram da tentativa. A conquista do pico de 1.692 metros inaugurou a escalada esportiva no país. Mais de um século depois, a cidade continua no alto, a 871 metros de altitude, cercada por montanhas, ar frio e uma rotina que mistura trilha, feira de rua e treino de seleção brasileira.
Por que Teresópolis carrega o nome de uma imperatriz?
O nome vem de Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. A família imperial frequentava a região serrana para fugir do calor da corte e descansar entre montanhas e rios. Em 6 de julho de 1891, o então governador Francisco Portela assinou o decreto que transformou a freguesia em município, batizando-a de Teresópolis, junção de “Teresa” com o grego “pólis”.
Antes disso, a região já era conhecida desde 1821, quando o luso-inglês George March comprou terras e ergueu uma fazenda modelo no bairro que hoje se chama Alto. O povoado cresceu devagar até a chegada da estrada de ferro, em 1908, que trouxe visitantes ilustres em busca do ar puro da serra.

O parque que abriga a maior rede de trilhas do país
O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO) foi criado em 1939 e é o terceiro parque nacional mais antigo do Brasil. São mais de 200 km de trilhas em todos os níveis de dificuldade, de passarelas suspensas acessíveis a cadeirantes até a desafiadora Travessia Petrópolis-Teresópolis, com 30 km de subidas e descidas pelo alto das montanhas.
O parque abriga 2.800 espécies de plantas, 462 de aves e 130 animais ameaçados de extinção. A sede principal fica em Teresópolis, com piscinas naturais, área de camping e o início da Trilha da Pedra do Sino, que leva ao ponto mais alto da serra: 2.263 metros. A gestão é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
A Seleção Brasileira treina na serra fluminense
A CBF adquiriu o terreno da Granja Comary em 1978 e transformou o espaço no centro de treinamento oficial de todas as seleções brasileiras de futebol. O complexo tem campos profissionais, academia, piscina e alojamentos em uma área de 150 mil metros quadrados cercada por montanhas.
O clima ameno e o isolamento da serra foram decisivos para a escolha. Por ali passaram gerações de craques em preparação para Copas do Mundo e Copas América. A presença da seleção deu a Teresópolis o apelido de “casa do futebol brasileiro” e movimenta o turismo o ano inteiro.

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O que fazer em Teresópolis além das trilhas?
A serra fluminense guarda atrações para quem curte aventura e também para quem prefere passeios mais tranquilos. Estas são as paradas que definem a identidade de Terê:
- Dedo de Deus: formação rochosa de 1.692 m que estampa a bandeira do Rio de Janeiro. Sua primeira escalada em 1912 é considerada o marco inicial do montanhismo brasileiro.
- Granja Comary: centro de treinamento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde 1987, com lago artificial e vista para a serra. É possível visitar o entorno e fotografar o cenário.
- Feirinha do Alto: uma das maiores feiras de artesanato a céu aberto do Brasil, com cerca de 700 barracas de moda, artesanato e gastronomia. Funciona aos sábados, domingos e feriados na Praça Higino da Silveira.
- Mirante do Soberbo: vista panorâmica do Vale do Paquequer e, em dias claros, da Baía de Guanabara. Fica na chegada pela BR-116.
- Fonte Judith: monumento de 1920 com revestimento de azulejos portugueses, um dos cartões-postais mais fotografados da cidade.
Quem busca aventura e gastronomia na serra, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 48 mil visualizações, onde Bruno e Paula mostram um roteiro completo de 4 dias por Teresópolis, no Rio de Janeiro:
Onde comer bem na serra?
A gastronomia de Teresópolis aproveita o frio e os ingredientes cultivados na própria região, que é o maior cinturão verde do Rio de Janeiro. Os sabores vão do rústico ao refinado:
- Trutas da serra: criadas em águas frias da região, aparecem grelhadas, defumadas ou ao molho de alcaparras nos restaurantes do bairro de Agriões.
- Fondues e raclettes: herança dos imigrantes suíços e alemães, servidos em restaurantes e cervejarias com clima europeu.
- Praça de alimentação da Feirinha: pastéis, crepes, tapiocas e doces caseiros a preços acessíveis, ideais para um almoço descontraído.
- Queijos artesanais e geleias: produzidos por pequenos agricultores locais, vendidos em feiras e empórios espalhados pela cidade.
Como é o clima em Teresópolis?
A altitude de 871 metros garante temperaturas bem mais baixas que as da capital fluminense. A média anual fica em torno de 17°C, segundo a Prefeitura de Teresópolis. O verão é chuvoso e o inverno, seco e frio, ideal para trilhas longas. Veja o comportamento de cada estação:
Dados aproximados com base no Climatempo e em registros recentes do INMET. Nos picos acima de 2.000 m, as temperaturas podem ser 10°C mais baixas.
Como chegar a Teresópolis?
A cidade fica a cerca de 90 km do Rio de Janeiro pela BR-116 (Rio-Teresópolis). O trajeto dura aproximadamente 1h30. Quem vem de Petrópolis segue pela BR-495, e de Nova Friburgo o acesso é pela RJ-130.
Ônibus da Viação Teresópolis partem da Rodoviária Novo Rio com frequência ao longo do dia. Para quem chega de avião, o Aeroporto do Galeão (GIG) é a porta de entrada mais próxima.
A serra que virou lar
Teresópolis guarda em cada curva de estrada uma vista que justifica o apelido de Capital Nacional do Montanhismo. Mas a cidade não vive só de pico e trilha. É o ar frio na cara ao amanhecer, a feira de sábado com cheiro de crepe, o lago da Comary com a serra ao fundo.
Você precisa subir a serra e sentir Teresópolis de perto, nem que seja por um fim de semana, para entender por que tanta gente troca o calor do litoral pelo frio bom da montanha.









