O maior peixe de rio do mundo é uma raia-gigante do Mekong de 300 kg e 3,98 metros, capturada no Camboja em 2022. O recorde, certificado pelo Guinness World Records, superou o antigo título do bagre-gigante do Mekong e colocou os holofotes sobre a conservação dessas espécies ameaçadas.
Qual é o maior peixe de rio do mundo atualmente?
O recorde pertence a uma raia-gigante do Mekong (Urogymnus polylepis) de 300 kg e 3,98 metros de comprimento, medida do focinho à ponta da cauda. A captura ocorreu em junho de 2022 no rio Mekong, no Camboja, durante expedição do projeto Wonders of the Mekong, liderado pelo biólogo Zeb Hogan.
A confirmação veio pelo Guinness World Records, que atestou o peso exato de 300 kg, superando o antigo recordista, um bagre-gigante do Mekong de 293 kg capturado na Tailândia em 2005. A raia foi marcada com um chip de rastreamento e devolvida à água-viva.
O feito é considerado um marco para a ictiologia, já que a espécie é rara e ameaçada de extinção. O registro também foi destaque no Discover Wildlife, que repercutiu a importância da descoberta para a ciência.

Como foi a captura da raia-gigante de 300 kg?
A equipe do projeto trabalhava em uma expedição de rotina quando pescadores locais avisaram sobre a captura incomum. O animal foi cuidadosamente medido, pesado e recebeu um marcador acústico que permitirá monitorar seus deslocamentos por um ano.

O vídeo abaixo, publicado pelo canal Wonders of the Mekong, que tem 736 inscritos, mostra o momento da soltura da raia gigante. As imagens documentam o trabalho da equipe e a devolução do animal ao rio, um procedimento essencial para a preservação da espécie.
A tecnologia empregada inclui uma rede de 36 receptores acústicos espalhados pelos rios Mekong e 3S, que captarão os sinais do marcador. Isso permitirá aos biólogos entender melhor o comportamento dessa criatura elusiva que vive no fundo lamacento.
Quais são as características da raia-gigante do Mekong?
A Urogymnus polylepis é uma espécie de água doce que pode atingir dimensões impressionantes. Diferente da maioria dos peixes, ela respira por espiráculos localizados atrás dos olhos, adaptação para viver enterrada na lama. Sua cauda longa e fina pode causar ferimentos graves, mas o animal não é agressivo.
Confira na tabela abaixo as principais características físicas e ecológicas dessa espécie rara:
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Peso máximo registrado | 300 kg (recorde mundial) |
| Comprimento total | Até 3,98 m (focinho à ponta da cauda) |
| Habitat | Fundo lamacento de rios como o Mekong |
| Respiração | Espiráculos (adaptação para viver enterrada) |
| Status de conservação | Ameaçada de extinção |
E o pirarucu brasileiro: como ele se compara?
O pirarucu (Arapaima gigas), nativo da Amazônia, é o maior peixe escamoso de água doce do mundo e um dos gigantes sul-americanos mais conhecidos. Embora não supere a raia do Mekong em peso, ele impressiona pelo porte e pela importância cultural e econômica para a região.
Registros históricos apontam exemplares de até 220 kg e 2,9 metros, como o capturado em 2021 no rio Japurá (Amazonas). No entanto, os tamanhos típicos variam entre 1,8 e 2,5 metros, com peso de 90 a 160 kg. A pesca controlada é permitida em algumas áreas, mas a espécie também sofre com a sobrepesca.
As principais diferenças entre os dois gigantes podem ser resumidas nos seguintes pontos:
- Habitat: a raia vive no fundo lamacento do Mekong; o pirarucu prefere as várzeas amazônicas.
- Respiração: a raia usa espiráculos; o pirarucu tem bexiga natatória modificada para respirar ar.
- Peso máximo: a raia chega a 300 kg; o pirarucu, a 220 kg em registros confiáveis.
- Estado de conservação: ambos são ameaçados, mas o pirarucu tem programas de manejo mais estruturados no Brasil.

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Por que a descoberta da raia-gigante é importante?
Além de quebrar o recorde, a captura da raia de 300 kg representa um sinal de esperança para o rio Mekong, que enfrenta sérios desafios ambientais, como barragens e poluição. Muitas espécies de peixes gigantes de água doce estão à beira da extinção, o peixe-espátula chinês, por exemplo, foi declarado extinto em 2020.
O monitoramento por meio do marcador acústico permitirá aos pesquisadores coletar dados essenciais sobre os hábitos da raia, ajudando a propor medidas de conservação mais eficazes. O projeto Wonders of the Mekong espera que o feito inspire ações para proteger o ecossistema do rio e suas criaturas extraordinárias.









