A 99 km da capital paulista, Campinas guarda uma coleção de feitos que poucos brasileiros conhecem. A Princesa d’Oeste viu nascer, em pleno século XIX, o processo fotográfico e a ópera mais executada do país. Dois séculos depois, abriga um dos aceleradores de partículas mais modernos do planeta e figura entre as cidades com melhor qualidade de vida do Brasil.
Onde nasceram a fotografia e a ópera mais famosa do país
Em 1833, o franco-monegasco Hércules Florence conseguiu fixar imagens em papel usando nitrato de prata em uma câmara escura improvisada na então Vila de São Carlos. Ele registrou o processo com o nome photographie, pelo menos cinco anos antes de o termo aparecer na Europa. A descoberta, comprovada nos anos 1970 pelo pesquisador Boris Kossoy e testada no Instituto Hercule Florence, colocou Campinas na história mundial da imagem.
Três anos depois do feito de Florence, a cidade viu nascer outro gênio. Antônio Carlos Gomes, o Nhô Tonico, tornou-se o primeiro compositor brasileiro a apresentar uma ópera no Teatro alla Scala de Milão. A estreia de O Guarani, em 1870, rendeu ovação na Itália e consagração imediata no Brasil. A abertura dessa ópera segue no ar até hoje como tema do programa A Voz do Brasil, desde 1935. O Museu Carlos Gomes, a duas quadras do monumento-túmulo do maestro, preserva partituras e objetos pessoais no centro da cidade.

Por que a Princesa d’Oeste concentra 15% da ciência nacional
Campinas responde por cerca de 15% de toda a produção científica brasileira. No coração desse ecossistema está a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que lidera o número de depósitos de patentes entre universidades do país e mantém o maior parque científico da cidade. A instituição realiza mais de 400 eventos científicos e tecnológicos por ano.
No mesmo distrito de Barão Geraldo funciona o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O CNPEM abriga o Sirius, uma das primeiras fontes de luz síncrotron de 4ª geração do mundo e a maior infraestrutura científica já construída no país. O equipamento gera feixes de luz capazes de revelar a estrutura atômica de materiais orgânicos e inorgânicos, com aplicações em saúde, energia e novos materiais.
Empresas como IBM, Dell, Lenovo e HP mantêm sedes na região metropolitana. Das 500 maiores empresas do mundo, 50 têm filiais no entorno de Campinas, segundo dados da Prefeitura de Campinas.

Qualidade de vida entre as melhores para cidades grandes
O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025 classificou Campinas como a segunda melhor cidade em qualidade de vida entre os municípios com mais de 500 mil habitantes, atrás apenas de Ribeirão Preto. O levantamento avalia 57 indicadores sociais e ambientais em 5.570 cidades brasileiras. A Princesa d’Oeste obteve 81,6 pontos em necessidades humanas básicas e 80 pontos em acesso ao conhecimento básico.
O destaque aparece também no saneamento. Campinas atingiu nota 93,2 em água e saneamento no IPS, com avaliações sobre abastecimento, esgotamento sanitário e perdas na distribuição. Em 2025, a cidade também conquistou o 1º lugar no Ranking Trata Brasil na categoria saneamento. No campo da conectividade, a nota de 80,86 em acesso à informação e comunicação reforça o perfil tecnológico da cidade. Em 2019, Campinas já havia sido eleita a cidade mais inteligente e conectada do país pelo Ranking Connected Smart Cities da Urban Systems. O resultado foi celebrado pela Prefeitura de Campinas.
Com IDHM de 0,805 (faixa considerada muito alta pelo IBGE), a cidade se consolidou como a primeira do Brasil a alcançar status de metrópole sem ser capital de estado.
Quem deseja explorar o interior de São Paulo, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 116 mil visualizações, onde Tati Marmon mostra curiosidades e as belezas do Parque Portugal em Campinas:
De pouso de tropeiros a maior metrópole do interior
Campinas nasceu como parada de descanso no Caminho dos Goiases, trilha aberta por bandeirantes entre 1721 e 1730. Três clareiras em meio à mata densa inspiraram o nome: campinas sem árvores. A fundação oficial veio em 14 de julho de 1774, com a celebração da primeira missa na futura freguesia.
O café transformou a paisagem no século XIX e atraiu imigrantes de várias partes do mundo. A chegada da ferrovia Companhia Mogiana, em 1872, acelerou o crescimento e conectou a cidade ao porto de Santos. Com a crise cafeeira nos anos 1930, Campinas se reinventou pelo caminho da indústria. A abertura da Via Anhanguera em 1948 e da Rodovia Bandeirantes em 1979 consolidou a vocação logística que a cidade carrega até hoje.
Atualmente, com mais de 1,1 milhão de habitantes segundo o Censo 2022, Campinas é a terceira cidade mais populosa de São Paulo e o 12º maior PIB municipal do Brasil. A fênix que ocupa o centro do brasão municipal, oficializado em 1889, sintetiza o espírito da cidade: capacidade constante de se reinventar.
Uma metrópole que merece ser descoberta de perto
Campinas reúne ciência de fronteira, história que mudou o mundo e uma qualidade de vida rara para cidades do seu porte. Poucos lugares no Brasil combinam um acelerador de partículas, o berço da fotografia e um compositor que encantou a Europa, tudo a menos de uma hora da capital paulista.
Você precisa conhecer Campinas e sentir de perto o ritmo de uma cidade que inventou o futuro antes de ele chegar.









