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Início Comportamento

Radu Gologan, matemático: “É uma grande tolice proibir celulares na escola”

Ellen Raquel Patriota Por Ellen Raquel Patriota
11 março 2026 16:05
Em Comportamento
Radu Gologan, matemático: "É uma grande tolice proibir celulares na escola.

Celulares na escola podem ser aliados no ensino dinâmico da matemática

Celulares na escola ainda geram polêmica, mas para o matemático Radu Gologan proibi-los é um erro grave. A tecnologia pode ser aliada poderosa no ensino de matemática e no desenvolvimento do raciocínio, desde que usada com propósito, regras claras e mediação ativa do professor.

  • Proibir celulares na escola ignora que a tecnologia já faz parte da vida de crianças e adolescentes e pode apoiar a aprendizagem quando usada com propósito.
  • O uso orientado do celular na aula de matemática pode aumentar engajamento, participação e capacidade de resolver problemas.
  • Aplicativos educacionais como Kahoot, GeoGebra, Desmos, Photomath, Matific e Khan Academy ampliam possibilidades de ensino e personalizam o estudo.
  • O excesso de telas sem regras claras prejudica a concentração e pode afetar negativamente o desempenho em matemática.
  • Equilibrar tecnologia, raciocínio manual e mediação do professor é essencial para desenvolver pensamento matemático profundo.

Por que proibir celulares na escola é um equívoco?

Proibir celulares na escola ignora que essa ferramenta já faz parte da vida das crianças e adolescentes. O caminho é ensinar o uso produtivo de smartphones e tablets, integrando-os ao planejamento pedagógico. O uso consciente da tecnologia em sala significa colocar o aparelho a serviço da aprendizagem. Pesquisas apontam ganhos em engajamento, resolução de problemas e desempenho quando há intencionalidade.

Celulares
Proibir celulares na escola pode ignorar o potencial da tecnologia como ferramenta de aprendizagem quando usada com orientação pedagógica. / Créditos: depositphotos.com / mapo_japan

Como usar o celular na aula de matemática com foco?

Celular na aula de matemática não substitui caderno, lápis nem o exercício do raciocínio. Gologan defende o aparelho sobre a mesa, mas sempre acompanhado de cálculo manual e construção de imagens mentais. O equilíbrio entre tela e pensamento é central para que o aluno entenda o porquê das respostas. A questão é se o celular faz a criança pensar melhor ou apenas responder mais rápido.

Como aplicativos educacionais favorecem a aprendizagem?

Aplicativos como Kahoot transformam testes rápidos em competição positiva, aumentando engajamento e foco. A gamificação bem conduzida torna revisões mais leves, inclusive em contextos desfavorecidos.

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Outros aplicativos educacionais de matemática ampliam possibilidades em sala, da exploração de gráficos à prática adaptativa, permitindo personalizar o estudo e identificar dificuldades. Alguns exemplos frequentes são:

  • GeoGebra e Desmos para funções e geometria de forma visual.
  • Photomath para discutir estratégias de resolução, com mediação docente.
  • Matific e Khan Academy para trilhas adaptativas e relatórios.

Qual é o papel da tecnologia no pensamento matemático?

Tecnologia e pensamento matemático caminham juntos, indo além de calculadoras e apps pontuais. O contato intenso com telas mudou ritmos de atenção e expectativas de resposta em sala. Os impactos cognitivos das telas podem estimular pressa e impaciência com o esforço mental. O desafio é cultivar concentração e profundidade em meio à rapidez digital.

Quais são as desvantagens do uso excessivo de tecnologia?

Uso excessivo de celulares e telas sem regras claras prejudica a aprendizagem, ampliando distrações. Evidências como as do Pisa associam distração frequente a menor desempenho em matemática. Entre os riscos para a concentração estão buscar respostas prontas e perder o foco prolongado. Alternar momentos com celular liberado e períodos com aparelhos guardados ajuda na autonomia.

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Por que tantas crianças desenvolvem medo de matemática?

O medo de matemática costuma surgir por volta dos 10 anos, na passagem aos anos finais do Ensino Fundamental. A mudança brusca de abordagem faz muitos alunos sentirem que deixaram de entender a disciplina. Essa quebra de relação com a matemática leva à rejeição e ao desespero com provas. É importante revisar o que ocorreu na transição, em vez de culpar apenas a criança.

Celulares
O celular em sala deve complementar o raciocínio e o cálculo manual, não substituir o pensamento matemático. / Créditos: depositphotos.com / Victority

Como a escola pode construir a intuição matemática?

A intuição matemática das crianças se perde quando a escola prioriza apenas formalismos, regras e fórmulas. Falta espaço para que o aluno construa imagens próprias dos conceitos. Um ensino excessivamente formal impede que a matemática seja vista como algo vivo e criativo. A geometria, por exemplo, pode exigir imaginação comparável à da poesia.

Por que muitos alunos ficam para trás em matemática?

A dificuldade em acompanhar o ritmo da turma aparece em classes grandes, onde o professor tende a priorizar quem responde rápido. Alunos que precisam de mais tempo são facilmente deixados de lado. Velocidade não é sinônimo de inteligência matemática, pois problemas reais levam meses ou anos. O rótulo “sou ruim em matemática” exige atenção conjunta de família e escola.

Como os pais impactam a relação da criança com a matemática?

Frases como “eu era fraco em matemática” criam rótulos na cabeça da criança e facilitam desistências. Medos e frustrações dos adultos acabam projetados sobre os filhos. Muitos que dizem “nunca entendi matemática” têm bom raciocínio, mas perderam o vínculo afetivo com a disciplina. Em casa, é essencial valorizar o esforço e evitar piadas que desqualifiquem a matéria.

Como a matemática vai além das quatro operações?

A utilidade da matemática não se limita a somar, subtrair e decorar tabuada. O estudo mais profundo treina habilidades centrais para diversas carreiras. Raciocínio lógico e memória sustentam áreas como TI, engenharia e pesquisa. Problemas abstratos preparam para lidar com conteúdos complexos no futuro.

Como a matemática ganhou peso na escola moderna?

A centralidade da matemática na educação se consolidou após o Iluminismo, substituindo em parte filosofia, lógica e línguas clássicas no treino do pensamento abstrato. A função dupla da matemática combina formação de raciocínio estruturado e utilidade prática. Fórmulas e modelos sustentam a Revolução Tecnológica e aplicações cotidianas.

Celulares
O uso excessivo de telas sem regras claras pode prejudicar a concentração e o desempenho em matemática. / Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina

Como identificar talento para matemática em crianças?

O talento matemático infantil aparece em conexões rápidas, perguntas claras e gosto por raciocinar. Crianças podem se destacar mesmo em contextos com pouca estrutura. Valorizar sem exagerar é crucial para que o talento floresça sem pressão. Mais importante que o rótulo é observar como a criança lida com desafios e erros.

Por que o respeito à escola fortalece a aprendizagem?

O respeito pela escola foi central na família de Gologan, onde a educação valia mais do que propriedades. Professores e padres incentivaram antepassados a prosseguir nos estudos. Enxergar a educação como escada social, e não só diploma, protege a motivação dos jovens. Currículos impecáveis sem formação real desvalorizam o mérito.

Leia também: Esqueça as samambaias: essa planta de folhas grandes virou tendência na decoração de salas modernas

Como equilibrar diversão e esforço no estudo de matemática?

A ideia de escola sempre lúdica é vista com cautela por Gologan. Aprender bem exige esforço, concentração e treino contínuo, mesmo com apoio de tecnologia. O estudo como exercício do cérebro é comparável à prática física para o corpo. Uso inteligente de celulares, respeito à educação e esforço consciente podem transformar a aprendizagem em matemática.

Tags: aprendizagemcelularesEducaçãoproibição

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