A visão humana ignora segredos fascinantes escondidos nas asas dos morcegos na escuridão. O uso de uma simples lanterna laboratorial revelou um brilho verde inexplicável na anatomia desses animais, deixando especialistas em biologia totalmente perplexos com a descoberta.
Como os cientistas descobriram a emissão de luz verde nesses morcegos?
A primeira documentação formal desse fenômeno na América do Norte envolvendo morcegos foi publicada na revista Ecology and Evolution em julho de 2025. Pesquisadores da Universidade da Geórgia (UGA) examinaram 60 espécimes preservados no Museu de História Natural e aplicaram banhos intensos de radiação na sala de testes.
As asas, os membros posteriores e a membrana interfemoral (o tecido elástico entre as pernas) reagiram emitindo uma luz forte e contínua. Utilizando equipamentos avançados de medição de comprimento de onda, a equipe cravou que o pico do brilho emitido era da cor verde absoluta, operando na faixa entre 520 nm e 552 nm.
O estudo listou seis espécies norte-americanas identificadas com a nova característica luminescente:
- O castanho-grande (Eptesicus fuscus) e o molossídeo-brasileiro (Tadarida brasiliensis).
- As variantes vermelho-oriental (Lasiurus borealis) e seminole (Lasiurus seminolus).
- As espécies raras Myotis austroriparius e o cinza (Perimyotis subflavus).

Por que a biologia não sabe a utilidade do brilho nas asas dos morcegos?
O coautor do estudo, Steven Castleberry, declarou em comunicado oficial que a ciência desconhece o motivo real do fenômeno e a sua eventual função evolutiva ou adaptativa para a sobrevivência animal no escuro absoluto das cavernas.
Os pesquisadores trabalham com a hipótese de que uma mutação genética rara teria sido benéfica no passado, permitindo que os morcegos que possuíam esse traço conseguissem se reproduzir com maior facilidade e segurança. No entanto, a cor idêntica em ambos os sexos destrói completamente a ideia de que a luz serviria para a diferenciação sexual na época do acasalamento.
A tabela a seguir contrasta as hipóteses derrubadas pela equipe com a teoria que ainda se mantém de pé:
| Hipótese biológica levantada | Análise dos dados laboratoriais | Status atual dentro da ciência |
|---|---|---|
| Diferenciação visual sexual | Brilho idêntico entre machos e fêmeas | Teoria descartada oficialmente |
| Camuflagem orgânica no mato | As seis espécies habitam locais distintos | Teoria derrubada pela geografia |
| Herança evolutiva compartilhada | Característica surgiu de um ancestral comum | Teoria principal a ser investigada |
A possível função de comunicação noturna invisível entre os morcegos
A pesquisadora principal do projeto e aluna da UGA, Briana Roberson, destaca que essas criaturas possuem sistemas sensoriais singulares e uma ecologia social muito densa. Como diversos exemplares selvagens conseguem enxergar frentes de luz invisíveis ao olho humano, o traço luminescente pode ser a chave de um sistema próprio de mensagens visuais.
De acordo com a publicação na Phys.org sobre as frentes de luz ultravioleta, o brilho operaria como um radar de aproximação, garantindo uma comunicação noturna invisível e segura entre os membros do mesmo grupo durante voos de caça.

Quais outros animais crepusculares brilham sob a luz?
A capacidade de brilhar no escuro deixou de ser uma exclusividade dos fungos e peixes abissais. A biologia provou em 2020 que os ornitorrincos são biofluorescentes, apresentando uma pelagem que reflete um forte tom verde-azulado. Em 2021, os esquilos-voadores também foram identificados com a mesma coloração fosforescente no peito e na barriga.
Em 2023, cientistas australianos examinaram 125 espécies de mamíferos diferentes e descobriram que absolutamente todas apresentavam algum nível de reação química refletiva na pelagem. O próprio território nacional brasileiro identificou em 2024 uma espécie única cujos morcegos brilham com patas azuis-esverdeadas perante a lanterna UV.
Para entender o impacto monumental dessa biologia extrema nos exames acadêmicos, selecionamos o resumo do canal educacional Fantástico Mundo da Biologia, que já conta com 7,26 mil inscritos acompanhando as inovações na fauna. No vídeo a seguir, a equipe destrincha a diferença entre biofluorescência e bioluminescência usando esse novo estudo de base:
O longo caminho para desvendar os segredos da escuridão animal
A catalogação da cor viva comprova que a observação humana básica é insuficiente para entender a complexidade das interações na natureza selvagem. O registro laboratorial do fenômeno levanta questões perturbadoras sobre a existência oculta de traços genéticos antigos e sem utilidade prática aparente para os mamíferos noturnos atuais.
As futuras análises com exemplares capturados vivos determinarão se o brilho verde é um mecanismo de interação complexo ou apenas a sombra biológica deixada para trás por um ancestral esquecido nos confins da árvore evolutiva das cavernas.









