Pesquisadores da Colossal Biosciences estão trabalhando para ressuscitar o mamute-lanoso. No caminho para esse objetivo, eles realizaram um experimento em outra espécie e deram à luz uma criatura surpreendente: um camundongo com pelo dourado e lanoso, textura ondulada e metabolismo de climas frios.
Por que a Colossal Biosciences quer trazer os mamutes de volta?
O objetivo vai além da novidade científica. A empresa de biotecnologia sediada em Dallas, nos Estados Unidos, propõe usar híbridos elefante-mamute para reequilibrar ecossistemas árticos e potencialmente combater o aquecimento global, restaurando as pradarias da Sibéria que existiam na época dos mamutes.
Para isso, os pesquisadores escolheram o elefante-asiático como base, cujo genoma é 99,6% semelhante ao do mamute-lanoso. Estão considerando atualmente cerca de 85 genes de interesse a serem modificados para recriar as características da espécie extinta. A meta declarada pela empresa é criar um híbrido funcional até 2027 ou 2028.

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Por que cientistas editaram genes de mamute em camundongos antes de tentar em elefantes?
Antes de realizar modificações genéticas em elefantes, animais com 22 meses de gestação e décadas de maturidade sexual, a equipe precisava testar se as edições genéticas produzem os resultados esperados. Os camundongos de laboratório foram escolhidos pelo ciclo reprodutivo rápido, genética amplamente mapeada e fácil manipulação em ambiente controlado.
Como o “camundongo lanoso” foi criado e quais genes foram editados?
Anunciado em março de 2025, o camundongo lanoso da Colossal foi criado pela edição simultânea de sete genes via CRISPR, uma das edições mais complexas já realizadas em múltiplos alvos ao mesmo tempo, com algumas eficiências de edição chegando a 100%. Para identificar quais genes editar, os pesquisadores compararam 59 genomas de mamutes-lanosos, mamutes colombianos e mamutes das estepes, com idades entre 3.500 e mais de 1,2 milhão de anos.
Os genes editados e seus efeitos foram:
- FGF5: controla o ciclo de crescimento capilar, gerando pelos mais longos e desgrenhados
- Três genes de folículos capilares: responsáveis pela textura lanosa, pelagem ondulada e bigodes enrolados
- MC1R: responsável pela coloração mais clara do pelo, semelhante à vista em múmias de mamutes
- Genes de metabolismo lipídico: associados à adaptação a climas frios
O resultado foram 38 filhotes de camundongo que expressaram pelo dourado e lanoso, textura ondulada e metabolismo lipídico acelerado. O pelo cresceu até três vezes mais longo do que em camundongos normais, sem alteração significativa na massa corporal.

O que a ciência diz sobre o avanço e quais são as ressalvas?
Conforme a cobertura do MIT Technology Review, Love Dalén, professor de genômica evolutiva da Universidade de Estocolmo e consultor da Colossal, avaliou: “A capacidade de editar múltiplos genes ao mesmo tempo em camundongos e obter a aparência lanosa esperada é um passo muito importante.”
Há ressalvas relevantes, porém. O artigo científico foi publicado como pré-print, sem revisão por pares no momento do anúncio. Críticos apontam que a Colossal aposta fortemente em marketing e visibilidade pública, com resultados científicos ainda escassos para o tamanho das promessas.
Qual é o próximo passo para chegar ao mamute-lanoso de verdade?
O canal IFLScience, com mais de 170 mil inscritos, publicou um vídeo detalhando a criação do camundongo lanoso e o que ele representa na corrida para trazer os mamutes de volta:
A Colossal planeja análises adicionais para entender como múltiplos genes trabalham em conjunto para expressar características físicas complexas. O próximo passo é transpor as edições bem-sucedidas nos camundongos para células de elefante-asiático, avançando na cadeia que pode levar, eventualmente, ao nascimento de um híbrido elefante-mamute.
O camundongo lanoso prova que a ciência está mais perto dos mamutes do que parecia
A tabela abaixo resume a trajetória do projeto, do experimento no camundongo até a meta final com os mamutes:
| Etapa | Status | Detalhe |
|---|---|---|
| Edição genética em camundongos | Concluída (março 2025) | 7 genes editados, 38 filhotes com características de mamute |
| Edição em células de elefante-asiático | Em andamento | 85 genes de interesse mapeados |
| Híbrido elefante-mamute funcional | Meta declarada | Previsão para 2027 ou 2028 |
O mamute-lanoso desapareceu há cerca de 4.000 anos. Se o cronograma da Colossal se confirmar, o animal mais icônico da era glacial pode retornar antes do fim desta década. Não como o original, mas como algo próximo o suficiente para cumprir o mesmo papel nos ecossistemas árticos que moldaram o planeta por milênios.









