A 210 km de Cuiabá, no sudeste de Mato Grosso, Rondonópolis esconde um contraste raro: a segunda maior economia do estado convive com sítios arqueológicos milenares e dezenas de quedas d’água catalogadas pela prefeitura.
A cidade que pereceu e renasceu no cerrado
O nome homenageia o Marechal Cândido Rondon, que liderou a construção de linhas telegráficas na região entre 1907 e 1909. Antes dele, o local já abrigava o povo Bororo e vestígios humanos de pelo menos cinco mil anos, encontrados no sítio arqueológico Ferraz Egreja, segundo registros do IBGE.
Entre as décadas de 1930 e 1947, a cidade ficou praticamente despovoada. Enchentes, epidemias e a corrida por diamantes em Poxoréu esvaziaram o distrito. A retomada veio com as colônias agrícolas do governo estadual, e a emancipação política foi conquistada em 10 de dezembro de 1953. Na década de 1970, Rondonópolis viveu uma das modernizações rurais mais rápidas do Centro-Oeste, impulsionada pela soja e pela chegada de migrantes sulistas, nordestinos e japoneses.

Vale a pena viver em Rondonópolis?
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Rondonópolis é de 0,755, considerado alto pelo IBGE. O número supera a média estadual (0,725) e a média nacional (0,727), ambas de 2010. A Prefeitura de Rondonópolis destaca que a cidade figura entre as cinco melhores de Mato Grosso para morar, com rede de saúde referência para a região sul do estado.
O Produto Interno Bruto (PIB) alcançou R$ 16,5 bilhões em 2023, mantendo a cidade como a segunda economia mato-grossense, conforme dados divulgados pela Prefeitura. O PIB per capita foi de R$ 67.650. Além disso, a cidade abriga o maior terminal de grãos da América Latina, operado pela Rumo Logística, com capacidade para receber até 2 mil caminhões por dia. A Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), criada em 2018, é a segunda universidade federal do estado e conta com mais de 5.700 estudantes em 25 cursos de graduação.

O que fazer na capital do agronegócio?
Rondonópolis surpreende quem espera apenas paisagem de lavoura. A cidade reúne natureza, história e lazer urbano em atrações que atendem a diferentes perfis:
- Cidade de Pedra: formação rochosa com cerca de 3.600 hectares no Parque Ecológico João Basso, com paredões de até 100 m de altura e pinturas rupestres. Uma cooperação entre o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP e o Museu de História Natural de Paris pesquisa o local há mais de 30 anos.
- Complexo Turístico do Carimã: circuito de nove cachoeiras acessado por trilha de pouco mais de 1 km, a cerca de 60 km do centro pela BR-163.
- Horto Florestal (Bosque Municipal Isabel Dias Goulart): trilhas, pista de caminhada e contato com a fauna do cerrado no perímetro urbano.
- Museu Municipal Rosa Bororo: instalado em uma das construções mais antigas da cidade, preserva acervo sobre a história regional e o Marechal Rondon.
- Parque das Águas: 27 hectares com pista de skate, ciclovia, fonte interativa e opções gastronômicas.
- Rodovia do Peixe (MT-471): estrada cênica que margeia o Rio Vermelho, com formações rochosas, bares à beira-rio e parques de águas termais.
Quem deseja explorar o coração do Mato Grosso, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Família com Aventuras – Talita, Pascoal e Liz, que conta com mais de 18 mil visualizações, onde Talita e Pascoal mostram os 7 melhores pontos turísticos de Rondonópolis, incluindo a Janela de Pedra e o Complexo Carimã:
Quando visitar a Princesa do Sul mato-grossense?
O clima tropical marca duas estações bem definidas. A seca favorece trilhas e cachoeiras, enquanto o período chuvoso deixa a paisagem mais verde:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Rondonópolis?
A cidade fica no cruzamento das rodovias BR-163 e BR-364, a 210 km de Cuiabá pela BR-163. O Aeroporto Maestro Marinho Franco (ROO) recebe voos regionais. De carro, o acesso a partir de Goiânia percorre cerca de 840 km pela BR-364, e de Campo Grande são aproximadamente 460 km pela BR-163.
Uma cidade que vale a viagem e a vida
Rondonópolis carrega a força de quem renasceu do abandono e se tornou uma das economias mais sólidas do interior do Brasil. Entre sítios arqueológicos milenares, cachoeiras escondidas e um terminal logístico que alimenta o país, a cidade oferece muito mais do que se vê à primeira vista.
Você precisa conhecer Rondonópolis e sentir de perto como uma cidade de cerrado transformou desafio em potência, sem perder o verde e a hospitalidade que só o interior de Mato Grosso sabe oferecer.








