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Início Animais de Estimação

Águas-vivas de água doce foram registradas pela primeira vez na Patagônia argentina e pesquisadores estão em alerta

Laila Por Laila
19 março 2026 07:55
Em Animais de Estimação
Em fevereiro de 2026, pesquisadores detectaram algo que nunca havia sido registrado naquele ponto da América do Sul: águas-vivas de água doce nas águas da Patagônia argentina

Em fevereiro de 2026, pesquisadores detectaram algo que nunca havia sido registrado naquele ponto da América do Sul: águas-vivas de água doce nas águas da Patagônia argentina

Em fevereiro de 2026, pesquisadores detectaram algo que nunca havia sido registrado naquele ponto da América do Sul: águas-vivas de água doce nas águas da Patagônia argentina. O achado aconteceu na Laguna Bullines, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, e acende um alerta sobre a dispersão silenciosa de espécies exóticas em ambientes que até então permaneciam preservados.

Como as águas-vivas de água doce chegaram à Patagônia argentina?

A espécie identificada é a Craspedacusta sowerbii, nativa do vale do rio Yangtzé, na China. A dispersão involuntária dessas águas-vivas ocorre por meio de pólipos microscópicos que se fixam em barcos, equipamentos de pesca ou nas patas de aves migratórias, atravessando fronteiras sem que ninguém perceba. Esse mecanismo torna a espécie uma das invasoras aquáticas mais difíceis de rastrear e conter.

O monitoramento foi conduzido pela Área de Biologia de Conservação do parque em parceria com o INIBIOMA. O perfil oficial do Parque Nacional Nahuel Huapi, com mais de 112 mil seguidores, divulgou o registro histórico em vídeo, detalhando o achado e explicando os riscos do estabelecimento da espécie na região:

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Parque Nacional Nahuel Huapi (@parquenacionalnahuelhuapi)

Por que as águas-vivas de água doce só aparecem em certas épocas do ano?

O ciclo de vida dessas criaturas tem duas fases principais, e a fase medusa visível só emerge quando a temperatura da água supera os 17 °C. O brotamento ideal, porém, ocorre em condições muito mais quentes, com o ápice entre 28 °C e 30 °C. Fora dessas condições, as águas-vivas permanecem como pólipos microscópicos fixados ao fundo dos lagos, invisíveis a qualquer observação visual.

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Essa estratégia de sobrevivência é o que torna a detecção tão difícil: a espécie pode estar presente em um lago por anos sem que ninguém perceba, esperando que as condições climáticas favoreçam o surgimento das formas pelágicas na coluna de água. O calor atípico do verão de 2026 na Patagônia pode ter sido o gatilho para o registro histórico em Laguna Bullines.

Essa estratégia de sobrevivência torna a detecção visual extremamente difícil até que o calor do verão estimule o surgimento das formas pelágicas na coluna de água

Leia também: Byung-Chul Han, filósofo coreano, disse: “Quando estamos extremamente preocupados com a sobrevivência, somos como o vírus: um ser que sobrevive sem viver”

Qual é o impacto das águas-vivas de água doce nos ecossistemas da América do Sul?

A presença dessas medusas em novas latitudes preocupa biólogos pelo impacto potencial na cadeia alimentar local. Segundo estudo publicado pela Scientific Reports, a espécie é reconhecida como uma invasora global com grande potencial de colonização, competindo por recursos com espécies nativas de peixes e crustáceos pequenos nos ambientes que ocupa.

Pesquisas sobre a distribuição da espécie no Brasil confirmam presença em diversos estados, incluindo o Mato Grosso do Sul. O padrão de expansão segue a mesma lógica observada na Argentina: aparecimento associado ao aquecimento das águas e dificuldade de rastrear o vetor de introdução. A tabela abaixo resume os registros da espécie na América do Sul por localidade:

LocalidadeStatus do primeiro registroObservação
BrasilRegistrada em diversos estadosPresença confirmada no Mato Grosso do Sul
Uruguai2017Primeiro registro oficial no país
Patagônia ArgentinaFevereiro de 2026Registro mais austral da espécie no país
A investigação científica no INIBIOMA busca determinar se os exemplares encontrados na Argentina conseguiram formar colônias permanentes ou se o registro é apenas um evento esporádico causado pelo aquecimento atípico das águas

Como evitar que elas se dispersem para outros lagos da Patagônia?

A contenção da espécie depende diretamente das atitudes de turistas e pescadores que transitam entre diferentes corpos de água da região. Pólipos microscópicos podem sobreviver fora da água por períodos consideráveis, fixados em equipamentos que parecem completamente limpos a olho nu. Os protocolos recomendados pelas autoridades do parque para evitar a dispersão são:

  • Drenar completamente toda a água acumulada em botes ao sair de lagos ou lagunas antes de se deslocar para outro ambiente.
  • Desinfectar equipamentos de mergulho com água sanitária ou soluções salinas concentradas após cada uso em lagos da região.
  • Deixar barcos e acessórios secarem totalmente ao sol antes de utilizá-los em outro corpo de água.
  • Nunca transportar plantas aquáticas ou animais vivos entre diferentes lagos, lagunas ou rios da Patagônia.
Deixar barcos e acessórios secarem totalmente ao sol antes de utilizá-los em outro ambiente

O registro na Patagônia é um alerta sobre o avanço das espécies invasoras aquáticas

A documentação científica sobre a Craspedacusta sowerbii aponta que o aumento dos registros globais está ligado diretamente às mudanças climáticas: águas mais quentes por períodos mais longos criam janelas cada vez maiores para o surgimento da fase medusa visível. A comunidade local foi convocada a colaborar com o mapeamento, enviando fotos e vídeos de novos avistamentos para as autoridades do parque.

O surgimento das águas-vivas de água doce na Laguna Bullines é um lembrete de como a movimentação humana entre ambientes aquáticos pode alterar ecossistemas inteiros de forma silenciosa e irreversível. Monitorar esses novos registros é o primeiro passo para garantir que os lagos cristalinos da Patagônia continuem sendo santuários de vida nativa nas próximas décadas.

Tags: biodiversidadeNaturezavida animal

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