Nas águas profundas e turbulentas do rio Paraná, vive um peixe que a maioria das pessoas nunca vai ver na vida. O Manguruyú, também chamado de jaú ou jundiá-da-lagoa, é considerado o maior peixe de água doce das Américas fora da bacia amazônica, com registros que ultrapassam 1,5 metro de comprimento e 100 quilos. O achado recente nas águas argentinas do Paraná colocou a espécie novamente no centro das atenções da biologia fluvial sul-americana.
O que é o Manguruyú e por que esse peixe é tão raro de ser visto?
O Manguruyú habita águas profundas e turbulentas com fundos rochosos de difícil acesso, alimentando o caráter mítico da espécie na cultura ribeirinha. Discreto por natureza, ele raramente se aproxima da superfície e passa a maior parte do tempo próximo a pedras submersas, onde a visibilidade é praticamente nula.
A anatomia impressionante inclui fânulos sensíveis na região da boca que funcionam como radares biológicos precisos. Esses sensores permitem que o animal localize alimentos com eficiência mesmo em condições de visibilidade zero, tornando-o um predador altamente adaptado ao ambiente de fundo que ocupa.

Como foi o registro histórico do maior peixe de rio nas águas do Paraná argentino?
Segundo o portal El Once, o achado ocorreu nas águas do rio Paraná, na Argentina, numa região onde localidades como Goya e La Paz já registram aumento de espécimes jovens. O encontro surpreendeu especialistas pelo porte do exemplar, que se encaixa nas maiores dimensões já documentadas para a espécie em ambiente selvagem.
Enquanto isso, no Brasil, um pescador fisgou um jaú de 100 quilos no rio Ivaí, na cidade de Floresta, no interior paranaense. A captura exigiu equipamentos de alta resistência e uma batalha de 45 minutos antes de ser concluída. O animal foi pesado por três homens e devolvido imediatamente ao rio.
O canal TV Paranaíba, com mais de 1 milhão de inscritos, documentou outro achado colossal brasileiro nas águas do rio Paranaíba:
Quais são os maiores peixes de rio registrados na América do Sul?
O Manguruyú divide o topo desse ranking com outras espécies gigantes da bacia fluvial sul-americana. Cada uma ocupa um nicho geográfico distinto e tem características físicas e comportamentais próprias.
A tabela abaixo compara as três maiores espécies de peixe de rio do continente nos principais registros documentados:
| Espécie | Localização principal | Dimensões máximas registradas |
|---|---|---|
| Manguruyú | Rio Paraná e Uruguai (Argentina) | Ultrapassa 1,5 m e 100 kg |
| Jaú (Zungaro zungaro) | Rio Ivaí e Pantanal (Brasil) | Chega a 1,8 m e 150 kg |
| Pirarucu | Bacia do rio Amazonas (Brasil) | Pode atingir 3 m e 200 kg |

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Por que o Manguruyú está ameaçado e o que está sendo feito para protegê-lo?
A sobrevivência dessas espécies esbarra na degradação ambiental severa e na fragmentação dos rios por barragens, que interrompem rotas migratórias essenciais para a reprodução. A poluição acumulada nas últimas décadas reduziu significativamente as populações originais em várias partes da bacia do Paraná.
A aplicação de medidas protecionistas e a proibição do consumo têm ajudado no repovoamento biológico. Algumas características biológicas do Manguruyú que tornam sua conservação ainda mais urgente:
- Diferenças de coloração entre sexos: machos e fêmeas apresentam tons distintos que variam conforme a fase de vida do animal.
- Evolução cromática com a idade: os juvenis têm tons amarelados que escurecem progressivamente até atingir a coloração adulta.
- Adaptação respiratória: a espécie consegue captar ar na superfície em águas com níveis muito baixos de oxigênio dissolvido.

A presença do Manguruyú indica saúde do ecossistema fluvial
Encontrar um peixe predador de topo como o Manguruyú nas águas do Paraná é mais do que um registro de tamanho impressionante: é um indicador de que aquele trecho do rio ainda mantém condições ecológicas suficientes para sustentar espécies exigentes no topo da cadeia alimentar.
A pesca com soltura imediata, praticada tanto no Brasil quanto na Argentina, é o modelo que permite que esses animais continuem sendo avistados sem comprometer a recuperação das populações. Cada exemplar devolvido ao rio é uma garantia de que a espécie gigante dos fundos do Paraná terá mais uma geração para existir.








