Imagine uma pequena ilha solitária em um oceano imenso, cercada por nada além de vazio. Mesmo assim, nessa ilha ainda surgem novas florestas. Algo parecido acontece com a galáxia anã NGC6789, que, mesmo vivendo em uma região extremamente vazia do Universo, continua formando estrelas quando, em teoria, já deveria ter ficado “sem combustível” há muito tempo.
O que é a galáxia anã NGC6789 e onde ela está?
A palavra-chave central neste tema é galáxia anã, e NGC6789 é um exemplo marcante desse tipo de objeto. Ela é bem menor e menos massiva que a Via Láctea, mas ainda assim abriga um núcleo ativo, onde novas estrelas surgem em um ritmo modesto, embora claramente observável pelos telescópios modernos.
NGC6789 está localizada em uma região chamada Local Void, ou vazio local, um enorme “deserto cósmico” com pouquíssimas galáxias e nuvens de gás. Mesmo assim, essa pequena ilha de estrelas continua viva e criativa, o que coloca em dúvida algumas ideias tradicionais sobre como as galáxias se comportam em ambientes tão isolados, especialmente quando comparadas a sistemas maiores como o Grupo Local de galáxias.

Por que uma galáxia anã no vazio ainda forma estrelas?
Os dados mais recentes indicam que uma parte importante das estrelas de NGC6789 surgiu relativamente tarde em sua história. Estima se que alguns poucos por cento de todas as estrelas tenham nascido nos últimos centenas de milhões de anos, um sopro de tempo quando falamos em escalas cósmicas, semelhante ao que se observa em outras galáxias anãs de formação estelar tardia, como a IC 1613.
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Para investigar essa persistência, equipes de pesquisa usaram telescópios muito sensíveis, capazes de enxergar detalhes nas regiões externas da galáxia. O objetivo era encontrar sinais de fusão com outra galáxia anã, como caudas de estrelas ou arcos luminosos, que pudessem indicar a chegada de gás extra para alimentar novos ciclos de formação estelar.

Quais hipóteses tentam explicar esse comportamento anômalo?
Até agora, as imagens profundas não mostram marcas claras de colisões recentes nem de captura de matéria. O centro, onde o nascimento de estrelas é mais intenso, também parece surpreendentemente calmo, o que reforça a sensação de que NGC6789 está fugindo ao padrão esperado para galáxias pequenas em regiões vazias, mesmo quando comparada a anãs isoladas estudadas com o Hubble.
Diante disso, astrônomos trabalham principalmente com duas explicações para o fornecimento de gás, cada uma com seus desafios e mistérios próprios.
- Hipótese 1: uso lento e cuidadoso de um estoque interno de gás muito antigo.
- Hipótese 2: entrada contínua, porém discreta, de gás frio vindo do espaço entre as galáxias.
- Desafio comum: ambas exigem que uma galáxia pequena seja muito mais resistente à perda de gás do que se imaginava.
Se você quer saber mais, separamos o vídeo do TikTok “@galaxianoceu” falando sobre algumas galáxias anãs:
O que esse mistério revela sobre a evolução das galáxias?
O caso de NGC6789 mostra que pequenas galáxias em regiões isoladas do Universo ainda podem surpreender quem as observa. Cada galáxia anã em ambientes extremos funciona como um laboratório natural, onde se testam ideias sobre perda de gás, alimentação por matéria difusa e a capacidade de uma galáxia permanecer ativa por bilhões de anos.
- Refinar modelos de evolução de galáxias anãs em grandes vazios cósmicos.
- Investigar o papel de fluxos de gás quase invisíveis no abastecimento de matéria prima.
- Comparar NGC6789 com outras galáxias isoladas que também apresentem sinais de atividade tardia.
Com novos telescópios entrando em operação até o final desta década, como o James Webb e futuros observatórios de rádio, os cientistas esperam medir melhor a quantidade e o tipo de gás em NGC6789 e em outras galáxias anãs parecidas. Esses estudos podem mudar o retrato atual da evolução galáctica e mostrar que, mesmo nos cantos mais vazios do cosmos, o Universo ainda encontra formas criativas de manter estrelas brilhando por muito mais tempo do que se pensava.









