Restos de uma cidade submersa de 2.400 anos foram identificados no leste da Turquia, no distrito de Eğil, em Diyarbakir, dentro de um reservatório artificial que esconde estruturas históricas preservadas debaixo d’água, onde cientistas turcos e equipes de arqueologia subaquática registraram túmulos escavados na rocha, uma mesquita, uma madrassa e um hamame, capazes de reorientar o entendimento sobre antigas civilizações que habitaram a Anatólia e o Oriente Médio.
- Cidade submersa em Diyarbakir preserva estruturas religiosas e civis com cerca de 2.400 anos
- Reservatório artificial construído nos anos 1980 e 1990 ajudou a conservar vestígios arqueológicos debaixo d’água
- Achado conecta história local a conflitos e transformações do Oriente Médio antigo, em paralelo a novas descobertas na Sérvia
O que a descoberta em Diyarbakir revela sobre uma cidade submersa esquecida?
A descoberta da cidade submersa em Diyarbakir ocorreu durante expedições no reservatório de Eğil, área conhecida por abrigar múltiplas civilizações ao longo de milênios. Os vestígios arqueológicos incluem túmulos, estruturas religiosas e edificações públicas preservadas por décadas sob a água. Equipes especializadas em busca e salvamento subaquático da gendarmaria provincial realizaram os mergulhos e a documentação visual dos achados. Vídeos, fotografias e mapeamentos servem agora de base para análises detalhadas e futuras campanhas científicas.

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Por que a região de Eğil é estratégica para a história antiga?
A região de Eğil, em Diyarbakir, é apontada como território com ocupação contínua desde a Antiguidade até hoje. Essa continuidade histórica ajuda a entender rotas comerciais, conflitos e transformações culturais do Oriente Médio antigo. A área foi lar de muitas civilizações, conectando Mesopotâmia, Anatólia e regiões hoje na Síria e no Iraque. Esse contexto sugere que a cidade submersa integrava uma rede de centros urbanos estratégicos para política, religião e economia.
Como o reservatório artificial contribuiu para preservar a cidade?
A história do reservatório de Diyarbakir começou em 1986, com a construção da barragem que inundou o vale e criou a grande bacia. O enchimento final concluído em 1997 submergiu estruturas históricas e sítios religiosos. A inundação controlada, planejada para garantir abastecimento de água à metrópole de Diyarbakir, acabou funcionando como proteção involuntária, reduzindo saques, vandalismo e pressão urbana sobre o sítio.
Quais sítios arqueológicos foram salvos antes da inundação?
Antes do preenchimento total do reservatório, autoridades e arqueólogos organizaram uma operação de salvamento dos santuários mais importantes, permitindo que parte da memória religiosa fosse mantida em terra firme. Em 1995 foram transferidos para a colina de Nebi Harun os túmulos dos profetas Hazrat Zulkifli e Hazrat Ilyas, em um esforço de preservação histórica e de continuidade das práticas de peregrinação.

O que permanece no fundo do reservatório de Diyarbakir?
Missões subaquáticas recentes confirmam a presença de túmulos escavados na rocha e diversas estruturas arquitetônicas. Entre os principais vestígios estão uma mesquita, uma madrassa e um hamame, formando um núcleo urbano legível. A preservação dos contornos indica que erosão e assoreamento foram limitados, permitindo reconstruir a planta da antiga cidade com apoio de mapeamento 3D e sensores geofísicos.
Como cidades submersas revelam segredos das civilizações antigas?
A cidade submersa de 2.400 anos na Turquia soma-se a outras descobertas de vilas, templos e portos afundados. Essas ruínas submersas ajudam a rastrear rotas comerciais, invasões, desastres naturais e decisões políticas. No contexto do Oriente Médio antigo, mesquitas e madrassas hoje sob a água sugerem continuidade espiritual e intelectual do espaço, vinculada à expansão de impérios e mudanças de fronteira.
O que a descoberta na Sérvia revela sobre antigos conflitos?
Paralelamente à descoberta na Turquia, arqueólogos na Sérvia localizaram uma vala comum com cerca de 1.100 anos, majoritariamente de mulheres e crianças. Pesquisadores sugerem evidência de um massacre em larga escala e conflito inter-regional. Essa interpretação afasta hipóteses de epidemias como causa principal. Relacionar achados como os da Sérvia e de Diyarbakir constrói um quadro mais complexo da Antiguidade, com centros urbanos florescentes e episódios de extrema violência.

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Como a arqueologia subaquática fortalece a proteção do patrimônio histórico?
Descobertas em reservatórios e mares reforçam a necessidade de programas permanentes de arqueologia subaquática em áreas com grandes obras hidráulicas. Cada nova cidade submersa ajuda governos a rever políticas de proteção e turismo cultural. No caso de Diyarbakir, estudos contínuos podem gerar rotas de turismo controlado, exposições museológicas e ações educativas, mostrando como decisões atuais impactam a memória histórica futura.
- Cidade submersa em Diyarbakir preserva túmulos, mesquita, madrassa e hamame com cerca de 2.400 anos
- Reservatório artificial construído entre 1986 e 1997 garantiu abastecimento de água e protegeu vestígios arqueológicos
- Descobertas simultâneas na Turquia e na Sérvia ampliam o entendimento sobre centros urbanos e conflitos antigos









