Ruas de areia, céu sem fios elétricos e um pôr do sol que mergulha direto no oceano. Jericoacoara fica a 300 km de Fortaleza, no litoral oeste do Ceará, e até meados dos anos 1980 era apenas uma aldeia de pescadores escondida atrás de dunas gigantes. Hoje, a vila dentro do Parque Nacional de Jericoacoara coleciona prêmios internacionais e recebe visitantes de dezenas de países sem abrir mão das ruas sem asfalto.
De aldeia isolada a fenômeno global em poucas décadas
O nome vem do tupi yurucuá-cuara e significa “toca das tartarugas”, referência à desova que ainda acontece nas praias da região. Os primeiros registros europeus datam de 1614, quando Jerônimo de Albuquerque ergueu o Forte de Nossa Senhora do Rosário ao pé do serrote, segundo a Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara. O forte serviu de base contra piratas franceses que disputavam o acesso ao Maranhão.
A vila permaneceu isolada por séculos. A energia elétrica só chegou nos anos 2000, por rede subterrânea. Os moradores optaram pela ausência de postes e iluminação pública, preservando o brilho das estrelas e o charme dos jantares à luz de velas. Em 1994, o jornal americano The Washington Post incluiu Jeri entre as 10 praias mais bonitas do planeta. Em 2010, a revista britânica Time Out a elegeu a 6ª melhor praia tropical do mundo.

8.850 hectares protegidos entre dunas e mar
A proteção ambiental de Jericoacoara começou em 1984, quando o governo federal criou a Área de Proteção Ambiental (APA). Em 4 de fevereiro de 2002, a área foi recategorizada para Parque Nacional, com gestão do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em 2007, os limites foram ampliados para 8.850 hectares, incluindo uma faixa marítima de 1 km paralela à costa.
O parque abriga dunas móveis, manguezais, lagoas temporárias e restingas. O ponto mais alto é o Serrote, formação rochosa de 95 metros onde funciona o farol inaugurado em 1952. Jericoacoara é um dos raros lugares do litoral brasileiro onde se vê o sol nascer e se pôr no oceano, graças à posição peninsular da vila.

O que fazer na vila entre dunas e lagoas?
A variedade de paisagens compensa o número reduzido de praias. Entre dunas, lagoas de água doce e formações rochosas, os passeios se dividem nos lados leste e oeste da vila:
- Pedra Furada: formação rochosa esculpida pelo mar, ícone de Jeri. Entre 15 de julho e 15 de agosto, o sol se encaixa no arco da pedra ao se pôr. Acesso a pé na maré baixa, cerca de 30 minutos.
- Duna do Pôr do Sol: duna móvel a oeste da vila, ponto de encontro diário de moradores e turistas para assistir ao fim do dia sobre o mar.
- Lagoa do Paraíso: águas cristalinas de cor esverdeada, redes dentro da lagoa e beach clubs com estrutura completa. Acesso de buggy, a cerca de 20 km da vila.
- Lagoa Azul: mais rústica que a vizinha, com tom azulado intenso e ambiente tranquilo.
- Praia do Preá: a 12 km de Jeri, famosa pelos ventos constantes que a tornaram referência mundial para kitesurf e windsurf.
- Mangue Seco: praia com manguezal preservado, balanço sobre o rio e cenário para fotografias.
Quem sonha em conhecer o Ceará, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Trip Partiu, que conta com mais de 349 mil visualizações, onde Juliana mostra os melhores passeios e dicas de economia em Jericoacoara:
Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
O clima quente é constante, com temperaturas entre 22 °C e 35 °C ao longo do ano. A diferença está na chuva e no vento, que definem a melhor época para cada atividade:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à vila escondida entre as dunas?
O Aeroporto Regional de Jericoacoara, inaugurado em 2017, recebe voos diretos de Fortaleza, São Paulo e outras capitais. Do aeroporto até a vila são cerca de 30 minutos de transfer em veículo 4×4. Quem sai de Fortaleza por terra percorre 300 km pela CE-085 até Jijoca de Jericoacoara, de onde segue mais 20 km por estrada de areia, acessível apenas por buggy ou veículo com tração. Carros particulares ficam no estacionamento na entrada da vila.
O paraíso que trocou postes por estrelas
Jericoacoara fez uma escolha rara: cresceu para o turismo sem aceitar postes de luz, asfalto ou trânsito de carros. O parque nacional, as dunas que mudam de lugar e o pôr do sol diário sobre o mar formam um cenário que justifica cada prêmio recebido.
Você precisa pisar na areia de Jeri, subir a duna no fim da tarde e entender por que tanta gente cruza o país para ver o sol sumir no horizonte dali.









