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Início Animais de Estimação

Cientistas recuperam RNA de um animal extinto pela primeira vez

Laila Por Laila
28 março 2026 22:15
Em Animais de Estimação
Foi exatamente isso que ocorreu quando especialistas isolaram o RNA de um animal extinto de maneira inédita

Foi exatamente isso que ocorreu quando especialistas isolaram o RNA de um animal extinto de maneira inédita

Imagine visitar os corredores silenciosos de um museu antigo e descobrir que as peças expostas na vitrine ainda guardam segredos biológicos vivos. Foi exatamente isso que ocorreu quando especialistas isolaram o RNA de um animal extinto de maneira inédita, reescrevendo os livros de biologia e abrindo caminho real para a ressurreição de uma das espécies mais famosas da Oceania.

Onde o material genético do tigre-da-Tasmânia estava escondido?

O pesquisador Emilio Mármol Sánchez e sua equipe da Universidade de Estocolmo realizaram um feito histórico com uma peça esquecida nas gavetas. O tecido celular analisado pertencia a um tilacino, o inconfundível tigre-da-Tasmânia, armazenado desde 1891 no acervo científico do Museu Sueco de História Natural.

A pesquisa oficial publicada na revista Genome Research em 19 de setembro de 2023 revelou que a carcaça permaneceu em temperatura ambiente por mais de 130 anos, sem refrigeração especial. Para a surpresa do grupo laboratorial, as amostras de pele e de músculo esquelético mantinham uma qualidade assombrosa, permitindo reconstruir pela primeira vez os transcriptomas complexos da criatura.

Para a surpresa do grupo laboratorial, as amostras de pele e de músculo esquelético mantinham uma qualidade assombrosa, permitindo reconstruir pela primeira vez os transcriptomas complexos da criatura

Leia também: Por que os motoristas embrulham as chaves do carro em papel alumínio? A explicação vai surpreender muita gente

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Por que extrair o RNA de um animal extinto parecia impossível na biologia?

O resgate de DNA antigo já ocorreu em fósseis com mais de 2 milhões de anos, mas tentar replicar o processo com a fita de ácido ribonucleico era considerado um desperdício de tempo. A comunidade científica sempre esbarrou na instabilidade natural dessa molécula, que se degrada aceleradamente logo após a falência múltipla dos órgãos.

O fracasso constante nos laboratórios mundiais ocorria por conta da fragilidade da estrutura perante a ação feroz das enzimas naturais. As chamadas ribonucleases, que estão ativas na imensa maioria dos tecidos vivos, destroem rapidamente os filamentos genéticos.

A façanha celebrada na cidade de Estocolmo quebra essa barreira biológica e altera definitivamente os rumos práticos da paleogenômica, viabilizando o estudo de organismos milenares com uma riqueza de detalhes inédita.

O resgate de DNA antigo já ocorreu em fósseis com mais de 2 milhões de anos, mas tentar replicar o processo com a fita de ácido ribonucleico era considerado um desperdício de tempo

Os microRNAs exclusivos que o predador australiano guardou por um século

A decodificação dos dados entregou informações que as antigas montagens baseadas apenas em DNA jamais conseguiram fornecer. A equipe conseguiu identificar códigos que constroem proteínas musculares e anotar genes de processamento ribossômico totalmente ausentes nos bancos de dados atuais.

O professor associado Marc R. Friedländer confirmou aos veículos de ciência a detecção de microRNAs exclusivos da espécie, que são pequenas moléculas regulatórias fundamentais para a expressão celular. O especialista celebrou publicamente a oportunidade única de vislumbrar essas engrenagens biológicas que sumiram da face da Terra há mais de cem anos.

O impressionante avanço laboratorial no sequenciamento do tecido cerebral

A evolução investigativa não parou nas amostras musculares e atingiu o sistema nervoso central no mês de outubro de 2024. A empresa americana de biotecnologia Colossal Biosciences isolou filamentos de longa cadeia a partir de uma cabeça conservada submersa em etanol por exatos 110 anos.

Essa raridade histológica entregou fragmentos essenciais para montar o transcriptoma cerebral da fera. A leitura moderna revelou exatamente como os órgãos sensoriais do predador processavam as informações durante a caça nas florestas fechadas:

  • Cavidade nasal: decifrando os receptores que rastreavam o cheiro das presas ocultas na escuridão.
  • Tecido ocular: detalhando o funcionamento genético da visão noturna e percepção de contrastes.
  • Músculo da língua: mapeando a sensibilidade gustativa e as preferências de alimentação do carnívoro.

Para aprofundar os detalhes tecnológicos desse mapeamento ambicioso, selecionamos o conteúdo do canal Olhar Digital, que conta com mais de 947 mil inscritos acompanhando as inovações diárias. No vídeo a seguir, a equipe de jornalismo pontua como a leitura do genoma completo pavimenta a longa estrada para a desextinção:

A chave biológica definitiva para trazer o animal de volta à vida

O último exemplar vivo respirou pela última vez nas jaulas do Zoológico de Beaumaris, situado na gélida cidade de Hobart, no dia 7 de setembro de 1936. Embora a curiosidade histórica fosse o motor da pesquisa, a leitura dessas moléculas acelera consideravelmente os projetos bilionários focados na ressurreição deste animal e do imponente mamute-lanoso.

A diferença crucial do processo é que a fita dupla tradicional funciona apenas como uma planta arquitetônica estática, enquanto a fita simples recuperada mostra exatamente os interruptores que ligam e desligam os comandos nas células vitais. Essa instrução de funcionamento é a peça essencial que faltava para gerar um embrião funcional e viável, nutrindo o sonho palpável de ver o caçador listrado retornando ao ecossistema da Tasmânia muito em breve.

Tags: biotecnologiapaleogenômicavida animal

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