Em março de 2026, o piso da Igreja de São Pedro e São Paulo, em Maastricht, nos Países Baixos, afundou durante obras de restauração. Debaixo dos azulejos danificados, operários encontraram um esqueleto enterrado sob o altar com uma bala de mosquete de chumbo no tórax e uma moeda francesa de 1660. Os indícios apontam para d’Artagnan, o militar gascão que Alexandre Dumas imortalizou em Os Três Mosqueteiros e que faleceu justamente nessa cidade em 1673.
Quem foi d’Artagnan na história real, antes de virar personagem de romance?
Charles de Batz de Castelmore d’Artagnan nasceu por volta de 1611 e foi um militar gascão que serviu como oficial dos mosqueteiros da guarda do rei Luís XIV, o Rei Sol. Não foi uma invenção literária: construiu uma carreira real ao lado do monarca mais poderoso da Europa do século XVII, participando de batalhas, missões diplomáticas e operações que moldaram a política francesa da época.
Segundo registros históricos, sua morte é documentada. D’Artagnan caiu durante o cerco de Maastricht, em 1673, quando o exército francês tentava tomar a cidade no contexto da Guerra Franco-Holandesa (1672–1678). Relatos da época indicam que foi atingido na garganta ou no peito por uma bala de mosquete. Desde então, o local exato de seu sepultamento nunca havia sido confirmado.

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Como o esqueleto foi encontrado e quais são os indícios que apontam para d’Artagnan?
A descoberta foi fortuita. Em fevereiro de 2026, parte do piso da Igreja de São Pedro e São Paulo afundou próximo ao altar durante obras de restauração. No buraco aberto sob os azulejos danificados, operários encontraram um esqueleto.
Os indícios considerados convincentes pelos pesquisadores incluem:
- O esqueleto foi encontrado enterrado sob o altar, local historicamente reservado a figuras de grande prestígio social e militar.
- Junto aos ossos, foram localizados fragmentos de uma bala de mosquete de chumbo compatíveis com ferimento na região torácica, exatamente como descrevem as fontes históricas sobre a morte de d’Artagnan.
- Uma pequena moeda de bronze francesa datada de cerca de 1660 foi encontrada ao lado dos restos, compatível com o período em que d’Artagnan estava em atividade.
- A localização em Maastricht é coerente com documentos históricos que indicam que, dadas as circunstâncias da batalha e as temperaturas da época, o corpo foi mantido na própria cidade holandesa.

Quem são os responsáveis pela investigação e qual é a posição científica deles?
O diácono Jos Valke, da própria igreja, foi quem ligou para o arqueólogo aposentado Wim Dijkman assim que o esqueleto foi encontrado. Dijkman dedica 28 anos de pesquisa à localização do túmulo de d’Artagnan e é considerado a principal referência científica sobre o tema em Maastricht.
As posições dos dois diferem em grau de certeza. O diácono Valke afirmou à emissora local L1 Nieuws estar “99% convicto” de que os restos pertencem ao mosqueteiro. Já Dijkman mantém cautela científica: “É uma narrativa incrivelmente emocionante. Mas sou um cientista, e sempre abordo as coisas com cuidado.” A confirmação depende dos resultados da análise de DNA ainda em andamento.
O Guardian foi um dos primeiros veículos internacionais a reportar a descoberta, em 25 de março de 2026, atraindo atenção global para a investigação. O canal Guardian News, com mais de 4,01 milhões de inscritos no YouTube, publicou imagens do local e entrevistas com os responsáveis pela investigação:
Quais análises científicas estão sendo feitas para confirmar a identidade do esqueleto?
O esqueleto foi removido da igreja e encaminhado a um instituto arqueológico em Deventer, no leste dos Países Baixos, para análise da idade biológica e do sexo. Em 13 de março de 2026, uma amostra de DNA foi extraída dos dentes e enviada a um laboratório em Munique, na Alemanha.
As principais etapas da investigação científica em curso são:
- Análise da idade biológica e do sexo do esqueleto no instituto arqueológico de Deventer.
- Extração de DNA dos dentes e envio ao laboratório de Munique para sequenciamento genético.
- Comparação do material genético com o DNA de descendentes do pai de d’Artagnan, para confirmar ou descartar a identificação por linha paterna.
- Análise dos fragmentos da bala de chumbo para determinar compatibilidade com armamento do período da Guerra Franco-Holandesa.

Por que o mistério sobre o sepultamento de d’Artagnan durou mais de 350 anos?
Segundo a BBC, a teoria de que d’Artagnan teria sido sepultado em Maastricht é relativamente recente. Durante séculos, não havia documentação suficiente para confirmar se o corpo havia sido transportado de volta à França ou mantido na cidade holandesa. O interesse científico pela hipótese cresceu a partir de 2001, quando Dijkman entrou em contato com pesquisas anteriores que apontavam para a Igreja de São Pedro e São Paulo como local provável do sepultamento.
A ausência de registros funerários claros, comum em contextos de batalha do século XVII, e a distância entre Maastricht e a França tornaram a investigação longa e fragmentada. O próprio afundamento do piso da igreja, um evento fortuito, foi o que finalmente abriu o acesso ao espaço onde o esqueleto estava.

O mosqueteiro que a literatura eternizou pode finalmente ter um endereço
Se o DNA confirmar a identificação, o achado encerrará um mistério de mais de três séculos e transformará Maastricht em destino permanente para quem busca as origens reais de uma das figuras mais romanizadas da história militar europeia. D’Artagnan deixou de ser apenas um personagem de ficção há muito tempo: foi um soldado real, com uma morte documentada e um túmulo que a história havia perdido.
O resultado da análise de DNA ainda não foi divulgado. Até lá, o esqueleto encontrado sob o altar da igreja holandesa permanece como o indício mais concreto já obtido sobre onde o verdadeiro d’Artagnan foi enterrado depois que a batalha de Maastricht terminou em 1673.







