A 290 km de Porto Alegre, no exato centro geográfico do Rio Grande do Sul, Santa Maria abriga a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), primeira federal criada fora de uma capital brasileira, além da Universidade Franciscana (UFN), do Instituto Federal Farroupilha e da Base Aérea de Santa Maria (BASM). Os 30 mil estudantes universitários movimentam uma cidade de 282 mil habitantes que mistura ciência, cultura gaúcha e a herança de quem chegou pelos trilhos no início do século XX.
Por que Santa Maria é chamada de Cidade Universitária?
Porque a presença das instituições de ensino moldou a economia, a cultura e o ritmo do município ao longo de seis décadas. A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi fundada em 1960 e instalada oficialmente em março de 1961, tornando-se a primeira universidade federal criada fora de uma capital no Brasil. O feito fez do Rio Grande do Sul o primeiro estado da federação a ter duas universidades federais.
O campus principal ocupa 1.863 hectares no bairro Camobi, oferece 89 cursos de graduação na sede de Santa Maria e abriga aproximadamente 30 mil estudantes, segundo dados oficiais da própria universidade. Somam-se a isso a Universidade Franciscana (UFN), antiga UNIFRA, mantida pela ordem franciscana e referência em cursos da área da saúde, e o Instituto Federal Farroupilha, com campus na cidade. A UFSM aparece na 13ª posição entre as melhores universidades brasileiras no Ranking Universitário Folha 2024.

A Sentinela Alada do Pampa que vigia o sul do Brasil
A história militar de Santa Maria é tão antiga quanto a universitária. A Base Aérea de Santa Maria (BASM) foi criada em 18 de dezembro de 1970 e inaugurada em 15 de outubro de 1971, ocupando uma área de 4 milhões de metros quadrados originalmente cedida pelo governo de Getúlio Vargas em 1944. O aeródromo foi construído em regime de urgência durante a Segunda Guerra Mundial, com colaboração do Exército dos Estados Unidos.
Conhecida como Sentinela Alada do Pampa, a base é hoje subordinada à Ala 4, ativada em 2016, e reúne quatro esquadrões aéreos e cerca de 1.400 militares. Entre as aeronaves operadas estão os caças A-1 dos Esquadrões Poker e Centauro, os helicópteros H-60L Black Hawk do Esquadrão Pantera (responsável por busca e salvamento) e as aeronaves remotamente pilotadas do Esquadrão Hórus. Junto com a Base Aérea de Canoas, a BASM é uma das principais responsáveis pela vigilância do espaço aéreo do sul do Brasil.

Como a cidade retém quem se forma na universidade?
Pela combinação rara de custo de vida acessível, infraestrutura de cidade média e a posição central no estado. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Santa Maria tem 282 mil habitantes e é a 5ª mais populosa do Rio Grande do Sul. O Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), ligado à UFSM, é referência em alta complexidade para mais de 1,3 milhão de pessoas da região central do estado, o que cria empregos qualificados em saúde para quem se forma localmente.
A população jovem mantém o comércio ativo e a vida noturna variada, e o ritmo de cidade média permite morar perto do trabalho, evitar trânsito de capital e ainda usufruir de equipamentos culturais que cidades menores não oferecem. O carinho gaúcho pela tradição se traduz em CTGs ativos, rodeios anuais e a Romaria da Medianeira, em novembro, considerada uma das maiores manifestações religiosas do estado. Para muitos profissionais, esse pacote pesa mais do que a oferta de salários ligeiramente maiores em Porto Alegre.
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O que fazer no Coração do Rio Grande do Sul?
O roteiro mistura herança ferroviária europeia, ciência e o cotidiano universitário. A maioria das atrações fica entre o centro histórico e o campus da UFSM, em distâncias curtas.
- Vila Belga: conjunto de casas operárias coloridas projetado em 1901 e inaugurado em 1907 para abrigar funcionários de uma companhia ferroviária belga. Foi tombada como patrimônio histórico nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 2014, junto com a Mancha Ferroviária.
- Planetário da UFSM: um dos primeiros do interior do Brasil, com sessões de astronomia abertas ao público.
- Catedral Diocesana de Santa Maria: marco arquitetônico no centro, com torres altas e estilo eclético do início do século XX.
- Sítios paleontológicos: a região guarda fósseis de até 230 milhões de anos e integra o circuito turístico Paleorrota, uma das maiores áreas de concentração de fósseis do Brasil.
- Santuário da Medianeira: palco da maior romaria católica do estado, em novembro, que atrai centenas de milhares de fiéis.
- Distritos rurais: o interior do município reúne cachoeiras, balneários e propriedades coloniais com produção de queijos, embutidos e vinhos artesanais.
Quem deseja explorar o coração do Rio Grande do Sul, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Viva o RS, que conta com mais de 75 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro de 48h por Santa Maria e cidades da Quarta Colônia:
Quando ir e o que esperar do clima da cidade gaúcha?
Santa Maria tem as quatro estações bem definidas, característica rara no Brasil tropical. O verão é quente, o inverno registra geadas com frequência e a primavera enche o pampa de flores.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar ao longo do ano.
Conheça a cidade que segura quem se forma na universidade
Santa Maria tem o que muita capital não consegue: três instituições de ensino superior consolidadas, uma base aérea histórica, um hospital de referência regional e a tradição gaúcha viva nas ruas. É o tipo de cidade que faz quem chega para estudar acabar ficando para trabalhar.
Você precisa visitar Santa Maria, caminhar pela Vila Belga e passar uma tarde no campus da UFSM para entender por que o Coração do Rio Grande do Sul é também um dos polos universitários mais antigos do interior brasileiro.








