Quando o cão se tornou o melhor amigo da humanidade? A ciência acaba de empurrar essa resposta 5.000 anos para o passado. Um estudo genético identificou um filhote fêmea de 15.800 anos em um abrigo rochoso na Turquia, tornando-o o cão doméstico mais antigo já identificado pela pesquisa científica.
Onde os arqueólogos encontraram os restos do cão da Era do Gelo?
O animal mais velho já identificado pelas pesquisas viveu há 15.800 anos em um abrigo rochoso chamado Pinarbasi, localizado na atual região da Turquia. Os cientistas extraíram o material genético de um pequeno fragmento de crânio e descobriram que os restos pertenciam a um filhote fêmea de poucos meses de vida.
Essa área era muito frequentada por caçadores e coletores do período Paleolítico Superior. Para entender a dimensão dessa descoberta histórica, os artigos publicados simultaneamente na revista Nature detalham que outros exemplares de idades parecidas foram localizados em diferentes regiões geográficas.
A expansão desses animais pelo continente deixou rastros genéticos notavelmente parecidos nestes locais escavados pelas equipes de pesquisa:
- A Caverna de Gough, no Reino Unido, guardava um espécime datado de 14.300 anos.
- A Caverna de Kesslerloch, situada na Suíça, abrigava fósseis de 14.200 anos.
- Esses três genomas indicam uma disseminação rápida de uma população única por toda a Eurásia Ocidental.

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Como a ciência consegue diferenciar um lobo de um animal doméstico antigo?
Um dos maiores desafios da arqueologia moderna é conseguir olhar para esqueletos tão antigos e dizer com certeza quem era selvagem e quem vivia em harmonia com os humanos. Fisicamente, as estruturas ósseas das duas espécies nos primórdios da domesticação são praticamente idênticas aos olhos dos especialistas.
Para resolver esse mistério, as equipes analisaram um total de 141 amostras biológicas utilizando técnicas de mapeamento de DNA inovadoras. Esse método laboratorial de ponta conseguiu classificar corretamente os grupos e confirmou que os fósseis de Pinarbasi e da Caverna de Gough eram inequivocamente animais de companhia, e não predadores selvagens.
Segundo as declarações divulgadas pela Universidade de Oxford, o pesquisador Lachie Scarsbrook explicou que os humanos e esses parceiros de quatro patas já interagiam de forma biológica e socialmente distinta há pelo menos 16.000 anos.

Quem liderou o sequenciamento genético do cão pré-histórico?
O trabalho monumental que reescreveu a cronologia da biologia evolutiva uniu grandes mentes e instituições globais de peso. As informações vieram a público em março de 2026, revelando dados exatos que empurram as primeiras evidências diretas em cerca de 5.000 anos para o passado.
De acordo com o material divulgado na plataforma EurekAlert, os levantamentos paralelos contaram com as seguintes frentes de investigação acadêmica:
- O primeiro grupo de estudo foi conduzido por William Marsh, pesquisador dedicado ao Instituto Francis Crick, localizado em Londres.
- Essa etapa inicial contou com a colaboração ativa de mais de 21 centros internacionais focados em pesquisa evolutiva.
- O segundo artigo teve liderança conjunta da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU) e do Museu de História Natural de Londres (NHM).
Por que a domesticação aconteceu antes da invenção da agricultura?
Durante décadas, existiu um debate intenso sobre o verdadeiro motivo da aproximação entre humanos e lobos. A nova datação revela que essa aliança se formou em plena Era do Gelo, muito antes de as primeiras sociedades começarem a plantar alimentos ou construir vilarejos fixos e protegidos.
Isso comprova que os primeiros parceiros peludos não surgiram para pastorear ovelhas ou guardar fazendas. Eles se uniram aos caçadores-coletores nômades em uma relação natural de benefício mútuo, onde a busca cooperativa por alimento garantia a sobrevivência de ambos no frio extremo da época.
O cruzamento avançado de dados aponta que a separação biológica da população selvagem ocorreu antes do último máximo glacial, confirmando que essa convivência já existia há mais de 18.000 anos de forma regionalmente estabelecida.

Qual é a herança biológica do cão para os animais de estimação modernos?
Uma das revelações mais surpreendentes do projeto é a incrível resiliência genética desses companheiros ancestrais. Quando as sociedades que dominavam a agricultura começaram a se espalhar pela Europa, a linhagem original que acompanhava os caçadores não desapareceu e nem foi substituída, mantendo sua força intacta através dos séculos.
Esses mesmos sobreviventes do frio contribuíram diretamente para a formação das raças que vemos caminhando pelas ruas hoje. Essa amizade duradoura transformou o cão em uma das poucas pontes biológicas vivas que conectam o mundo gelado pré-agrícola às casas confortáveis da nossa sociedade atual.









