Em uma encosta árida do vale de Pisco, no sul do Peru, sobre o planalto de Nazca, há quase um século um alinhamento de milhares de cavidades no solo intriga pesquisadores. Conhecido como Band of Holes, Monte Sierpe e também como Cerro Viruela, o sítio arqueológico estende se por cerca de 1,5 km e forma uma faixa contínua de buracos que parecem cuidadosamente planejados. Desde as primeiras imagens aéreas na década de 1930, arqueólogos tentam entender por que uma antiga sociedade dedicaria tanto esforço a escavar mais de cinco mil depressões em uma serra aparentemente estéril, o que torna a Band of Holes um dos maiores enigmas do Peru pré hispânico.
O que é a Band of Holes em Monte Sierpe?
A chamada Band of Holes é composta por aproximadamente 5.200 cavidades superficiais alinhadas em blocos bem definidos ao longo de uma crista estreita. Cada buraco mede entre 1 e 2 metros de largura e chega a cerca de 1 metro de profundidade, dimensão comparável a pequenos compartimentos de armazenamento.
Embora as dimensões sugiram compartimentos de armazenamento, o propósito real desse sítio arqueológico ainda intriga pesquisadores. Na imagem abaixo, o criador @WanderingWolf explora a região pessoalmente, documentando a extensão das cavidades e propondo uma teoria alternativa.

Como foi construída a Faixa de Buracos e por que ela é tão organizada?
Um aspecto construtivo fundamental é que muitas dessas cavidades são revestidas de pedra, com bordas levemente elevadas em relação ao solo ao redor. Esse revestimento demanda maior investimento de trabalho e indica que os buracos foram pensados para uso contínuo, não como simples escavações temporárias.
O padrão de distribuição dos buracos não é aleatório, mas cuidadosamente planejado. A pesquisa com drones revelou repetições numéricas e alternâncias regulares de quantidade de cavidades por linha, lembrando em grande escala os khipus incas, dispositivos de cordas com nós usados como instrumentos de registro e contabilidade.
Quais evidências ligam a Band of Holes ao comércio e à contabilidade?
Uma das hipóteses mais discutidas atualmente é que a Band of Holes atuava como um sistema de contagem e organização de bens. Assim como os khipus ajudavam a registrar tributos, estoques e trabalho, as fileiras de cavidades poderiam representar unidades equivalentes de mercadorias ou tarefas.
Para sustentar essa ideia, os pesquisadores combinaram dados de várias frentes e identificaram elementos que apontam para um uso econômico intenso. Entre as principais evidências destacam se:
- Grãos de pólen de milho e de outras culturas andinas preservados no solo.
- Resquícios de plantas usadas na confecção de cestos e embalagens.
- Disposição numérica regular dos buracos em blocos e seções bem definidos.
- Posição geográfica estratégica em cruzamento de rotas costeiras e de serra.
Que civilizações usaram a Faixa de Buracos e em que período histórico?
O novo estudo destaca que o Monte Sierpe teria sido usado intensamente no século XIV, período em que o poderoso reino de Chincha dominava o litoral sul peruano. Os Chincha são descritos em fontes históricas como comerciantes habilidosos, com rotas que ligavam a costa ao interior muito antes da expansão inca.
No horizonte associado ao domínio inca, a mesma infraestrutura pode ter sido adaptada para registrar tributos e produção agrícola. As cavidades funcionariam como unidades padronizadas para medir porções de milho, tubérculos e outros gêneros, que depois eram registrados em khipus e redistribuídos pela administração imperial.

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Quais são as principais dúvidas e próximos passos sobre a Band of Holes?
Apesar do avanço das pesquisas, o propósito exato da Band of Holes ainda é tema de debate entre arqueólogos. Já foram propostas funções defensivas, agrícolas, rituais e até de captação de água, mas a regularidade matemática e a presença de restos de produtos agrícolas favorecem as hipóteses econômicas e administrativas.
Novos estudos com mapeamentos por drone, análises de solo em setores ainda não estudados e comparação com khipus encontrados na mesma região serão essenciais. Enquanto essas questões seguem em aberto, Monte Sierpe permanece como exemplo de como sociedades pré hispânicas modificaram a paisagem para organizar relações sociais, circulação de bens e informação em grande escala.








