O som das ondas batendo nas rochas que dão nome à cidade recebe quem desce a serra em direção ao litoral paulista. Itanhaém, fundada em 1532 por Martim Afonso de Sousa, é a segunda cidade mais antiga do Brasil, tem 26 km de praias, trechos preservados da Serra do Mar e virou referência em qualidade de vida para aposentados que querem trocar a capital pelo mar.
A vila colonial que nasceu três meses depois de São Vicente
A história de Itanhaém começa no mesmo ano em que o Brasil recebeu sua primeira cidade. Em janeiro de 1532, Martim Afonso de Sousa fundou São Vicente, também no litoral paulista. Três meses depois, seguiu pela costa rumo ao sul e instalou a povoação que daria origem a Itanhaém às margens do Rio Itanhaém.
Segundo o portal oficial da Prefeitura de Itanhaém, o município foi fundado em 22 de abril de 1532 e tem grande importância histórica na formação do Brasil colonial. O povoado nasceu estrategicamente no alto do Morro do Itaguaçu, junto com a construção do convento que ainda preserva a memória dos primeiros anos da colonização.
O nome vem do tupi-guarani e significa pedra que canta, numa referência ao som produzido pelas ondas quando batem nos costões rochosos da costa local. Outra curiosidade pouco lembrada é o apelido de Amazônia Paulista, que Itanhaém carrega pelo encontro do Rio Preto com o Rio Branco, fenômeno que reproduz em menor escala o cenário dos rios Negro e Solimões na Amazônia.

Vale a pena viver em Itanhaém para ter qualidade de vida no litoral?
O custo de vida responde parte da pergunta. Itanhaém é uma das cidades mais acessíveis da Baixada Santista, com moradia e serviços mais baratos do que em vizinhas como Santos e Guarujá, o que explica a procura crescente de aposentados e famílias que querem sair da metrópole.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem cerca de 112 mil habitantes pelo Censo 2022 e Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de 0,745, considerado alto para os padrões brasileiros. A cidade também é classificada como Estância Balneária pelo Governo do Estado de São Paulo, o que garante recursos específicos do estado para o setor turístico.
O reconhecimento oficial aparece também no site da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, que descreve Itanhaém como a segunda cidade mais antiga do Brasil e destaca sua proximidade com a capital, a 111 km, além dos atrativos ecológicos e históricos preservados.

Qual o reconhecimento histórico nacional da cidade mais antiga do litoral paulista?
O reconhecimento mais importante está no tombamento do patrimônio colonial. O Convento Nossa Senhora da Conceição, no alto do Morro do Itaguaçu, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e é considerado um dos templos mais antigos do litoral paulista.
A cidade também é o berço de pintores consagrados na história da arte brasileira, entre eles Benedito Calixto, Alfredo Volpi e Emídio de Souza, que nasceram ou viveram parte da vida em Itanhaém. O pintor Benedito Calixto é autor de algumas das obras mais conhecidas sobre o Brasil colonial paulista.
Outra figura histórica ligada à cidade é o padre jesuíta José de Anchieta, que percorria o litoral paulista catequizando indígenas e teria escrito parte de seus poemas na formação rochosa da Praia dos Sonhos, hoje conhecida como Cama de Anchieta.
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O que fazer em Itanhaém durante uma visita ao litoral sul paulista?
O roteiro itanhaense combina patrimônio colonial, praias extensas e natureza preservada em poucos quilômetros. Veja o que merece entrar na visita:
- Convento Nossa Senhora da Conceição: no alto do Morro do Itaguaçu, tombado pelo IPHAN, oferece vista panorâmica do oceano e da cidade histórica.
- Igreja Matriz de Sant Anna: na Praça Narciso de Andrade, uma das igrejas mais antigas do litoral paulista, construída entre 1642 e 1679.
- Cama de Anchieta: formação rochosa na Praia dos Sonhos onde, segundo a tradição, o padre José de Anchieta descansava e escrevia seus poemas, acessada por passarela de madeira.
- Praia dos Sonhos: uma das mais procuradas da cidade, com 800 metros de extensão em formato de meia lua entre dois costões rochosos.
- Praia do Cibratel: praia extensa com boa infraestrutura e quiosques, ideal para famílias e esportes aquáticos.
- Boca da Barra: encontro do Rio Itanhaém com o mar, com águas calmas perfeitas para stand up paddle, caiaque e pesca amadora.
- Gruta Nossa Senhora de Lourdes: pequena enseada com gruta religiosa, ponto de peregrinação e contemplação aos pés do Morro do Paranambuco.
A gastronomia local reflete a tradição pesqueira e a influência caiçara. Entre os pratos e experiências mais lembradas nos restaurantes da orla estão:
- Peixes frescos grelhados: linguado, robalo e tainha servidos direto da pesca artesanal nos quiosques da Praia dos Sonhos.
- Moqueca caiçara: versão local da moqueca com frutos do mar, leite de coco e pimentão, clássico dos restaurantes pé na areia.
- Camarão na moranga: clássico do litoral paulista servido dentro da abóbora com catupiry, presença forte nos cardápios da orla.
- Bolinho de caranguejo: petisco tradicional caiçara feito com carne do caranguejo fresco, comum nos bares da Boca da Barra.
Quem planeja visitar a segunda cidade mais antiga do Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Planeta Litoral, que conta com mais de 1.700 visualizações, onde Giovan Gabriel mostra 7 lugares imperdíveis e gratuitos para conhecer em Itanhaém, no litoral de São Paulo:
Qual a melhor época para visitar Itanhaém?
O clima é tropical úmido, com verão quente e chuvoso e inverno ameno e seco. Cada estação oferece um tipo diferente de experiência:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
O outono é a janela favorita de quem quer praia sem multidão, com temperaturas agradáveis e menos chuva do que no verão. O verão concentra a alta temporada, com mais de 400 mil visitantes na cidade entre dezembro e fevereiro.
Como chegar a Itanhaém saindo da capital paulista?
Itanhaém fica a cerca de 111 km do centro de São Paulo. O acesso mais comum é pela Rodovia dos Imigrantes (SP-160) até a Baixada Santista, seguindo depois pela Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (SP-55) em direção ao litoral sul.
O trajeto leva cerca de 1h30 de carro em condições normais. Há também opções de ônibus regulares saindo dos terminais Tietê e Jabaquara com destino direto à cidade. De Santos, Itanhaém fica a apenas 50 km pela mesma SP-55, o que torna o acesso rápido para quem já está na Baixada Santista.
Conheça a cidade histórica que virou refúgio de quem busca tranquilidade à beira-mar
Poucos lugares no Brasil combinam quase cinco séculos de história, praias extensas e custo de vida acessível em um só endereço. Itanhaém é o raro caso de cidade colonial que virou refúgio de aposentados sem perder o ritmo calmo das antigas vilas de pescadores.
Você precisa descer a serra e conhecer Itanhaém, o pedaço de Brasil colonial onde o mar ainda canta nas pedras desde 1532.









