Pesquisas recentes na Antártida vêm revelando detalhes que até pouco tempo eram impossíveis de observar. Debaixo de espessas camadas de gelo, uma área antes considerada relativamente homogênea mostrou um cenário muito mais complexo, com estruturas alongadas semelhantes a “lágrimas” gigantes esculpidas na base das plataformas, levantando novas questões sobre o derretimento polar e a elevação do nível do mar.
O que é o gelo sob a Antártida e por que ele é importante?
O gelo da Antártida não é apenas uma grande massa branca vista nas imagens de satélite. Ele se divide em camadas diferentes, com gelo continental, plataformas flutuantes e regiões onde o gelo se encontra diretamente com o oceano, interagindo com correntes marinhas frias ou relativamente mais quentes.
Na base dessas plataformas, o chamado gelo sob a Antártida funciona como uma espécie de “tampa” que ajuda a estabilizar as geleiras do interior do continente. Quando essa tampa se desgasta, o fluxo de gelo em direção ao mar tende a aumentar, o que afeta diretamente as projeções de elevação do nível do mar nas próximas décadas.
Como foi possível descobri-lo em detalhes?
Essas formações foram identificadas por um submarino autônomo equipado com sensores de alta precisão e sonares de última geração. Ao se deslocar por regiões remotas, onde navios e pesquisadores raramente conseguem chegar, o equipamento produziu mapas em alta resolução da parte inferior das plataformas de gelo.
O uso de submarinos autônomos representou um marco na exploração polar, permitindo navegar sob as plataformas de gelo em áreas extremamente difíceis de alcançar por métodos tradicionais. A combinação de sinais acústicos, medições do oceano e reconstruções em 3D revelou sulcos e estruturas alongadas com centenas de metros de extensão.
Confira as informações do canal “Curiosidade Genial” no YouTube, explicando sobre satélite detectar algo sob o gelo da Antártida:
Quais técnicas permitiram o mapeamento do gelo sob a Antártida?
Os dados coletados resultaram em um mapeamento de alta resolução, mostrando que a fusão do gelo é muito mais irregular do que se pensava. Em vez de um derretimento uniforme, alguns pontos concentram o fluxo de água mais quente, gerando formas marcantes e canais de perda de massa de gelo.
De modo geral, o processo envolveu uma combinação de técnicas complementares que integraram medições físicas, planejamento operacional e processamento digital avançado:
- Planejamento de rotas detalhadas para o submarino autônomo em áreas pouco mapeadas.
- Uso de sonar multifeixe para medir a distância até a base do gelo.
- Integração de dados de temperatura, salinidade e correntes marinhas.
- Processamento digital avançado para reconstrução em 3D da superfície inferior do gelo.

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Qual é o impacto na elevação do nível do mar?
A principal preocupação dos pesquisadores está ligada à forma como o gelo sob a Antártida responde ao aquecimento dos oceanos. Quando a água relativamente mais quente alcança a base das plataformas de gelo, ocorre o derretimento basal, que enfraquece essas plataformas e reduz sua capacidade de conter o avanço das geleiras do interior.
As estruturas em forma de lágrima indicam que o derretimento basal pode ser mais concentrado em certos canais, alterando a estabilidade de partes específicas da plataforma. Esse comportamento desafia modelos simplificados que consideravam uma taxa média e constante de derretimento e, em 2026, diversos grupos de pesquisa ajustam suas projeções climáticas para incorporar essas novas geometrias.

Quais são os próximos passos da pesquisa sobre o gelo sob a Antártida?
A descoberta dessas formações abriu uma nova frente de investigação, na qual equipes científicas devem combinar expedições com submarinos autônomos, medições por satélite e modelos numéricos mais refinados. A meta é compreender como o gelo sob a Antártida reage a diferentes cenários de aquecimento oceânico, considerando temperatura, correntes e salinidade.
Para tornar o acompanhamento mais sistemático, alguns grupos estudam instalar sensores fixos em pontos estratégicos na base do gelo e ampliar o uso de robôs submarinos em outras regiões polares, como o Ártico. Ao cruzar essas informações, pesquisadores esperam aperfeiçoar as previsões sobre a estabilidade das calotas e os impactos nas zonas costeiras povoadas em todo o planeta.








