Você consegue imaginar avestruzes de dois metros de altura vivendo tranquilamente a mais de 4.000 metros de altitude? Na Bolívia, isso é real. Seis dessas aves gigantes, pesando mais de 100 quilos cada uma, foram levadas ainda filhotes para El Alto e hoje comem alfafa fresca, respondem à voz dos tratadores e já até botaram o primeiro ovo no meio do altiplano.
Como os avestruzes chegaram a uma região tão alta e fria na Bolívia?
O projeto audacioso teve início em outubro de 2015, quando 12 filhotes deixaram a região quente de Santa Cruz rumo ao rigoroso altiplano boliviano. A nova moradia escolhida para as aves foi a Estação Experimental de Kallutaca, uma ampla base de estudos administrada de perto pelo curso de medicina veterinária da Universidade Pública de El Alto (UPEA).
Na época da chegada, as pequenas aves mediam cerca de 50 centímetros e enfrentaram um período intenso de aclimatação térmica. Hoje, o grupo conta com seis exemplares adultos da espécie Struthio camelus, que impressionam os universitários com mais de dois metros de altura e peso superior a 100 quilos.
De acordo com a reportagem publicada sobre o projeto, o convívio diário transformou o comportamento do grupo de forma incrível. Os animais se tornaram bastante dóceis, respondem à voz humana e interagem tranquilamente com os tratadores e visitantes locais.

A dieta rigorosa que garante a sobrevivência das aves gigantes no clima extremo
Manter a energia desses enormes corredores no frio exige um cardápio planejado milimetricamente pela equipe de pesquisadores bolivianos. Cada exemplar consome um quilo de ração diária, quantidade estrategicamente dividida em 500 gramas de manhã e 500 gramas à tarde para manter o metabolismo sempre em atividade.
O banquete servido no telhado do mundo inclui ingredientes ricos em calorias e de fácil digestão, complementados com nutrientes frescos da horta:
- Mistura de grãos: uma ração balanceada feita de farelo de trigo, sorgo, milho e soja triturada.
- Complemento úmido: cascas de vegetais limpos e diversas hortaliças colhidas na região.
- Alimento favorito: fartas porções de alfafa fresca, o item predileto que os animais devoram rapidamente.
Por que a incubação dos ovos de avestruzes se tornou o maior desafio do projeto?
No ano de 2019, os veterinários celebraram um marco histórico extraordinário quando uma fêmea do grupo botou o primeiro ovo documentado naquelas montanhas. Cada unidade gerada pesa aproximadamente um quilo (o peso equivalente a uma dúzia de ovos de galinha caipira), trazendo grande esperança reprodutiva para os pesquisadores.
O grande obstáculo atual é conseguir manter os filhotes aquecidos até o nascimento no frio do altiplano. Para driblar a instabilidade elétrica da região, a universidade instalou um sistema trifásico e projetou uma chocadeira artesanal construída com placas de isopor, aquecedor de água e ventiladores. O objetivo mecânico é manter a temperatura interna cravada em 35 °C por exatos 40 dias.
O resgate de animais exóticos fortalece a pesquisa científica na universidade
O espaço preparado pela faculdade se tornou uma referência tão positiva em cuidado animal que passou a acolher outras aves retidas em cativeiro doméstico irregular. O ganho de espaço físico adequado permite que esses indivíduos resgatados recuperem a força muscular perdida em locais apertados das cidades urbanas.
Para entender como funciona a rigorosa fiscalização ambiental boliviana, selecionamos o conteúdo do canal Bolivia TV Oficial, que conta com mais de 80 mil inscritos. Na reportagem a seguir, você acompanha visualmente o processo de transferência desses animais exóticos para a estação de pesquisa e as exigências legais cobradas pelo governo:
Quais são as vantagens econômicas de criar avestruzes nas altitudes andinas?
O sucesso do modelo montado pela UPEA possui um potencial enorme para revolucionar a forma como o trabalhador rural gera renda nas montanhas geladas de La Paz. Se os nascimentos nas chocadeiras térmicas se confirmarem, essa mesma técnica poderá ser ensinada e replicada por pequenos produtores espalhados por todo o altiplano.
O principal atrativo para as famílias agricultoras é o aproveitamento comercial total da ave. O investimento se paga rapidamente através da venda de carnes extremamente magras, ovos cobiçados pelo baixíssimo nível de colesterol e penas finíssimas absorvidas instantaneamente pelo mercado de vestuário.









