Ao longo do leste do continente africano, a tectônica de placas está lentamente modificando a paisagem e preparando o cenário para a possível formação de um novo oceano, em um processo quase imperceptível em escala humana, mas fundamental para entender como os continentes se esticam, se fraturam e se separam ao longo de milhões de anos.
O que é tectônica de placas e como ela funciona?
Essa teoria descreve como a camada externa da Terra é dividida em imensos blocos rígidos que flutuam e se movem sobre o manto superior, que possui uma consistência mais maleável. Essas estruturas sólidas podem colidir entre si, deslizar lateralmente ou se distanciar, como se observa atualmente no leste do continente africano.
Para visualizar como esses movimentos moldam a face da Terra, o canal @TodaMatéria apresenta um vídeo didático que detalha os tipos de interação entre as placas. Nele, você poderá entender as diferenças fundamentais entre os movimentos convergentes, divergentes e transformantes, e como eles resultam em fenômenos como terremotos e vulcões.
Leia também: A linda e mortal caverna de Cristal Gigante do México com peças de mais de 500 mil anos
Por que a tectônica de placas está dividindo o leste da África?
A região que vai da Depressão de Afar, no nordeste da Etiópia, até o norte de Moçambique tornou se um grande laboratório natural para estudar a tectônica de placas africana. Ali a Placa Africana está se dividindo em duas porções, a Placa Nubiana a oeste e a Placa Somaliana a leste, que se afastam alguns milímetros por ano.
Na área do Turkana, na fronteira entre Etiópia e Quênia, a crosta já se encontra bastante afinada e se aproxima de valores típicos de crosta oceânica. Esse afinamento intenso indica um estágio avançado de rifteamento continental, em que a litosfera se torna mais frágil e suscetível ao rompimento definitivo.
Quais evidências mostram o avanço da tectônica de placas no Rift Africano?
O avanço da abertura no leste africano é confirmado por diferentes tipos de estudos que se complementam e reforçam as mesmas conclusões. Esses dados permitem reconstruir a espessura da crosta, a taxa de afastamento entre blocos e a história da deformação ao longo de dezenas de milhões de anos.
Entre as principais linhas de evidência usadas por geólogos e geofísicos, destacam se:
- Sismologia ondas sísmicas revelam a profundidade da interface entre crosta e manto e a geometria das falhas.
- GPS e satélites marcos geodésicos registram afastamentos de alguns milímetros por ano entre as margens do rift.
- Vulcanismo ativo cones, caldeiras e campos de lava indicam manto mais quente e raso próximo à superfície.
- Sedimentos espessos o acúmulo de camadas em vales rebaixados confirma subsidência prolongada ligada à abertura.

Leia também: Com pelo menos 180 metros de profundidade o fundo do “buraco do diabo” nunca foi visto ou alcançado pelo homem
Como as placas tectônicas podem criar um novo oceano no leste da África?
Quando um rift continental continua se aprofundando e se alargando, chega um momento em que a crosta se rompe por completo e passa a ser gerada crosta oceânica, composta principalmente por basaltos. O magma sobe pelas fraturas, solidifica se e constrói um assoalho oceânico jovem, como ocorreu na abertura do oceano Atlântico.
No caso do leste da África, modelos geodinâmicos indicam que, se a taxa atual de extensão de cerca de 6 a 7 mm por ano se mantiver, a ruptura completa da litosfera e a invasão das águas do oceano Índico poderão ocorrer em aproximadamente 10 milhões de anos. Nesse cenário, partes da Etiópia, Quênia, Tanzânia e Moçambique formariam um novo bloco continental separado, cercado por um oceano recém formado, repetindo o ciclo de união e fragmentação de supercontinentes que marca a história da Terra.








