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Início Ciência

Sem parar ou beber água, uma tartaruga pesando 400 gramas nada por semanas seguidas atravessando um oceano inteiro em uma única temporada

Bia Assunção Por Bia Assunção
30 abril 2026 10:15
Em Ciência
Sem parar ou beber água, uma tartaruga pesando 400 gramas nada por semanas seguidas atravessando um oceano inteiro em uma única temporada

Adaptações fisiológicas permitem travessias oceânicas longas sem necessidade de hidratação direta

A travessia de grandes oceanos por uma tartaruga pesando poucos quilos intriga pesquisadores há décadas. Entre as espécies marinhas, a tartaruga-de-couro se destaca por conseguir nadar por semanas seguidas, sem parar para beber água, percorrendo milhares de quilômetros em mar aberto; esses deslocamentos entre o Atlântico e o Pacífico, registrados por equipamentos de monitoramento, ajudam a entender como um réptil consegue suportar longos períodos sem desidratar em um ambiente tão desafiador.

Por que a tartaruga-de-couro é a maior tartaruga do mundo?

A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) é reconhecida como a maior tartaruga existente, com alguns indivíduos ultrapassando duas toneladas. Muitos estudos utilizam referências a animais menores, na faixa de algumas centenas de gramas a alguns quilos, para ilustrar capacidades fisiológicas extremas em fases juvenis.

Ao contrário de outras tartarugas marinhas, ela não tem um casco rígido formado por placas ósseas, e sim uma carapaça flexível, coberta por pele espessa e tecido fibroso, o que reduz o peso relativo e melhora a hidrodinâmica. O corpo alongado, as nadadeiras dianteiras potentes e a capacidade de ajustar a flutuabilidade favorecem um nado constante por longos períodos.

Como a tartaruga-de-couro sobrevive semanas sem beber água?

A principal explicação para atravessar o oceano sem se hidratar diretamente está no equilíbrio entre ingestão de água pelo alimento e mecanismos de conservação hídrica. A dieta rica em organismos gelatinosos, como águas-vivas e outros invertebrados marinhos, fornece grande quantidade de água “embutida” no próprio alimento.

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Além da água presente na comida, a tartaruga-de-couro possui rins eficientes e glândulas de sal especializadas, próximas aos olhos, que eliminam o excesso de sal. Esses mecanismos permitem reter o máximo possível de água doce e manter o equilíbrio de sais minerais e líquidos durante longas travessias.

  • Alimento gelatinoso: alta porcentagem de água nos tecidos das presas.
  • Rins adaptados: filtragem eficiente e redução da perda de água na urina.
  • Glândulas de sal: excreção de sal em excesso sem grandes perdas de líquido.
  • Metabolismo ajustado: consumo moderado de energia durante o nado sustentado.

Leia também: Sem dormir ou comer, uma borboleta pesando menos de 1 grama atravessa três países e uma cordilheira em uma única migração

Quais adaptações biológicas permitem a travessia de oceanos?

As migrações transoceânicas da tartaruga-de-couro envolvem resistência física e um conjunto complexo de adaptações fisiológicas. Um dos pontos mais estudados é o controle da temperatura corporal, com endotermia parcial auxiliada por camada de gordura subcutânea e circulação que reduz a perda de calor.

Esse controle térmico permite explorar áreas frias ricas em alimento e alternar fases de nado intenso com o uso de correntes favoráveis. A espécie também realiza mergulhos profundos e prolongados, reduzindo o metabolismo e priorizando o fluxo sanguíneo para cérebro e coração, o que torna o uso de oxigênio e de reservas energéticas mais econômico.

  1. Termorregulação eficiente: isolamento térmico e controle de circulação sanguínea.
  2. Aproveitamento de correntes: uso de rotas com fluxos marinhos favoráveis.
  3. Nado econômico: movimentos amplos das nadadeiras, reduzindo gasto energético.
  4. Reserva de gordura: acúmulo de energia antes das longas travessias.

Confira as informações do canal “Fauna Marinha RS” no YouTube, explicando mais sobre a tartaruga-de-couro:

O que a ciência ainda não entende totalmente sobre esse comportamento migratório?

Apesar dos avanços em monitoramento por satélite e estudos de fisiologia, muitos aspectos do comportamento migratório da tartaruga-de-couro seguem pouco esclarecidos. Um dos principais pontos em investigação é como esses animais se orientam em rotas transoceânicas e retornam a áreas específicas de desova após anos longe da costa.

Também se estudam diferenças individuais na capacidade de ficar longos períodos sem acesso direto a água doce, considerando tamanho, idade, condição corporal e microbiota intestinal. Pesquisas recentes avaliam ainda como mudanças climáticas e alterações nas correntes oceânicas podem impactar essas migrações e o delicado equilíbrio de água e sais, especialmente em fases juvenis de menor peso.

Tags: atravessar oceanosem parar e beber águatartaruga de couro

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