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Início Ciência

A Grande Faixa de Sargaço do Atlântico tornou-se um fenômeno oceânico sem precedentes, alimentado por nutrientes da Amazônia, fertilizantes e esgoto

Bia Assunção Por Bia Assunção
02 maio 2026 20:15
Em Ciência
A Grande Faixa de Sargaço do Atlântico tornou-se um fenômeno oceânico sem precedentes, alimentado por nutrientes da Amazônia, fertilizantes e esgoto

Expansão de algas no Atlântico afeta ecossistemas costeiros e exige monitoramento constante

A Grande Faixa de Sargaço do Atlântico vem chamando a atenção de pesquisadores e moradores de regiões costeiras pela dimensão que alcançou nos últimos anos. O cinturão de algas castanhas, visível até por imagens de satélite, espalha-se por milhares de quilômetros entre a costa da África e o Caribe, avançando em direção ao Golfo do México e a praias da América Central e do Norte do Brasil, afetando atividades econômicas e a qualidade ambiental das zonas costeiras.

O que é a Grande Faixa de Sargaço do Atlântico?

Diferentemente do mar de Sargaços clássico, localizado no Atlântico Norte e conhecido há séculos, esse novo agrupamento forma um corredor extenso e dinâmico, que varia de tamanho e posição ao longo do ano.

As algas ficam à deriva na superfície, sustentadas por pequenas bexigas cheias de gás, o que permite que percorram longas distâncias levadas por correntes e ventos. Em condições naturais, o sargaço oferece abrigo, alimento e áreas de reprodução para peixes, tartarugas e invertebrados marinhos, funcionando como um importante habitat flutuante.

Como os nutrientes e o clima favorecem a expansão do sargaço?

Estudos recentes apontam que o enriquecimento de nutrientes na água é um dos principais motores da expansão da Grande Faixa de Sargaço do Atlântico. Rios que drenam a Bacia Amazônica transportam grandes quantidades de matéria orgânica e sedimentos, ricos em nitrogênio e fósforo, que funcionam como um fertilizante natural para o crescimento das algas.

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Além da contribuição amazônica, há a entrada de fertilizantes agrícolas oriundos de plantações na América do Sul e na África Ocidental, bem como o aporte de esgoto urbano e industrial. O aquecimento das águas superficiais e alterações nas correntes, associadas às mudanças climáticas, também influenciam a distribuição, a intensidade e a frequência dessa grande mancha marrom no oceano.

Grande Faixa de Sargaço do Atlântico
Estudos recentes apontam que o enriquecimento de nutrientes na água é um dos principais motores da expansão da Grande Faixa de Sargaço do Atlântico.

Leia também: Com 34 metros de comprimento e viva desde Napoleão: Mergulhadores filmam a maior criatura subaquática já registrada.

Quais são os impactos da Grande Faixa de Sargaço do Atlântico nas costas?

Quando grandes volumes de sargaço chegam às praias, os efeitos se tornam mais visíveis para moradores e turistas. Na linha de costa, o acúmulo das algas forma mantos espessos que dificultam o banho de mar, o acesso de embarcações e a prática de esportes aquáticos, comprometendo temporariamente a atratividade das praias.

Do ponto de vista ambiental, a decomposição do sargaço na areia consome oxigênio e libera gases como sulfeto de hidrogênio, causando odores fortes e desconforto respiratório em áreas mal ventiladas. A fauna costeira também é afetada, pois tartarugas marinhas podem ter dificuldade de chegar aos locais de desova, e peixes de pequena escala sofrem com alterações na qualidade da água em regiões rasas.

Confira as informações do canal “Treasure Of World 🌎“ no YouTube, explicando mais sobre a Grande Faixa de Sargaço do Atlântico:

Quais medidas de monitoramento e aproveitamento do sargaço estão em desenvolvimento?

Para lidar com a Grande Faixa de Sargaço do Atlântico, diversos países passaram a investir em monitoramento contínuo por imagens de satélite, boias oceânicas e modelos de previsão. Essas ferramentas ajudam a antecipar a rota das manchas de algas e a planejar ações de limpeza, contenção ou redirecionamento antes que grandes volumes cheguem às praias.

Além da gestão emergencial, cresce o interesse em formas de aproveitamento dessa biomassa, buscando transformar um problema em recurso econômico e tecnológico. Entre os usos estudados para o sargaço, pesquisadores e empresas têm considerado principalmente as seguintes possibilidades:

  • Produção de composto orgânico e fertilizantes agrícolas, após tratamento adequado;
  • Geração de biogás e outros biocombustíveis a partir da digestão anaeróbia;
  • Desenvolvimento de biomateriais, como plásticos biodegradáveis e insumos para a indústria de cosméticos;
  • Emprego em ração animal, respeitando limites de segurança, composição química e possíveis contaminantes.
Grande Faixa de Sargaço do Atlântico
Para lidar com a Grande Faixa de Sargaço do Atlântico, diversos países passaram a investir em monitoramento contínuo por imagens de satélite, boias oceânicas e modelos de previsão.

Quais ações podem reduzir as causas da proliferação de sargaço?

Para que as alternativas de uso sejam viáveis em larga escala, é necessário estabelecer protocolos de coleta, transporte e processamento, evitando que o aproveitamento do sargaço gere novos impactos ambientais. Em paralelo, discute-se a importância de reduzir o excesso de nutrientes que alimenta o cinturão, por meio de medidas de gestão ambiental e cooperação internacional.

  • Melhoria no tratamento de esgoto urbano e industrial antes do descarte nos rios;
  • Adoção de práticas agrícolas que diminuam o uso de fertilizantes químicos e a erosão do solo;
  • Proteção de áreas de floresta na Amazônia e em outras bacias, reduzindo o aporte excessivo de sedimentos;
  • Fortalecimento da cooperação internacional para monitorar e compartilhar dados sobre o sargaço atlântico.

Nesse contexto, várias ações estruturantes são apontadas por pesquisadores e gestores públicos como fundamentais para mitigar o problema de forma duradoura.

Tags: fenômeno oceânicogrande faixa de sargaço do atlânticonutrientes da Amazônia

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