A 226 km de Florianópolis, no coração do Planalto Serrano, a cidade mais extensa de Santa Catarina recebe geadas, neve ocasional e mais de 600 mil turistas por ano. Lages, fundada em 22 de novembro de 1766, soma cerca de 165 mil habitantes a quase 920 metros de altitude e ostenta o título de Capital Nacional do Turismo Rural, segundo a Prefeitura Municipal.
A cidade tropeira que inventou os hotéis-fazenda no Brasil
A história da Princesa da Serra começa com tropeiros que cruzavam o sul do país conduzindo gado do Rio Grande do Sul para São Paulo. O bandeirante paulista Antônio Correia Pinto de Macedo fundou a povoação de Nossa Senhora dos Prazeres das Lajens para servir de estalagem na rota comercial e proteger os condutores das pretensões espanholas sobre o planalto.
O nome veio das pedras de laje (arenito) abundantes no terreno. A vila foi transferida da Capitania de São Paulo para Santa Catarina em 9 de setembro de 1820 por alvará régio de Dom João VI, conforme registros da Fundação Cultural de Lages.
O detalhe pouco conhecido: foi ali, na década de 1980, que nasceu o turismo rural brasileiro. As fazendas centenárias da Coxilha Rica abriram porteiras pela primeira vez para receber visitantes, criando os primeiros hotéis-fazenda de que se tem notícia no país.

Por que a cidade virou referência em qualidade de vida na serra?
O município ocupa a posição de 14º maior Produto Interno Bruto de Santa Catarina e figura entre as 10 principais economias do estado, segundo a Prefeitura Municipal. A renda local cresceu nas últimas duas décadas, acompanhada por melhorias em saneamento básico após a ativação do Complexo Araucária e do Complexo Ponte Grande.
A cidade abriga três instituições de ensino superior reconhecidas: a Universidade do Planalto Catarinense (UNIPLAC), o Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). O conjunto atrai estudantes de toda a região Sul.
O custo de vida é mais acessível que o do litoral catarinense, e a infraestrutura local funciona como âncora para toda a Serra Catarinense, com hospital regional, comércio diversificado e aeroporto próprio.

O que fazer em Lages e onde comer bem na cidade?
O destino combina campos centenários, fazendas tropeiras e patrimônio histórico tombado. Entre os principais atrativos da Princesa da Serra, destacam-se:
- Coxilha Rica: patrimônio histórico e cultural com mais de 1.136 km², onde taipas de pedra com mais de 200 anos demarcam os antigos corredores de tropas, segundo o Lages Turismo.
- Hotel Fazenda Pedras Brancas: primeiro hotel-fazenda do Brasil, em funcionamento desde 1983, com casa construída em 1868 que preserva mobília e utensílios originais.
- Salto Caveiras: cachoeira com mais de 30 metros de altura e 220 metros de largura, a 18 km do centro.
- Casarão Juca Antunes: residência luso-brasileira de 1850 tombada como patrimônio do estado, abriga a exposição permanente sobre os mais de 250 anos da cidade.
- Museu Histórico Thiago de Castro: acervo dedicado à memória tropeira e à colonização serrana.
- Parque Jonas Ramos (Tanque): principal área verde do centro, ponto de caminhadas e encontros aos fins de semana.
A cozinha serrana é puro reflexo da herança tropeira, com pratos preparados em fogão a lenha. Vale provar:
- Entrevero: mistura de carnes e legumes feita na panela de ferro, prato consagrado das fazendas da Coxilha Rica.
- Paçoca de pinhão: receita tradicional preparada com a semente da araucária, símbolo da Serra Catarinense.
- Rosca de coalhada: doce caseiro servido nos cafés coloniais das fazendas centenárias.
- Sapecada de pinhão: pinhões assados na brasa, presença obrigatória no inverno.
Quem busca um clima europeu e paisagens de montanha no Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Sincero SC, que conta com mais de 186 mil visualizações, onde o apresentador mostra o centro bem planejado, a cultura e a vida pacata em Lages, Santa Catarina:
Qual a melhor época para visitar Lages e o que fazer em cada estação?
O clima da Princesa da Serra é subtropical de altitude, com quatro estações bem definidas. O inverno é o cartão de visitas da cidade, com geadas frequentes, sincelo (chuva congelada) e neve ocasional, e a 36ª Festa Nacional do Pinhão acontece entre 22 de maio e 7 de junho de 2026.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Princesa da Serra
O acesso principal saindo de Florianópolis é feito pela BR-282, com cerca de 226 km de percurso e tempo médio de viagem de duas horas e meia a três horas, em trecho panorâmico de subida da serra. Quem vem de Curitiba percorre cerca de 330 km pela BR-116 em aproximadamente quatro horas.
O Aeroporto Regional Antônio Correia Pinto de Macedo recebe voos comerciais regulares e atende quem chega de capitais mais distantes. A rodoviária local tem ligações diárias com Florianópolis, Curitiba, Porto Alegre e cidades vizinhas da serra.
Vá conhecer a Princesa da Serra
A maior cidade em extensão de Santa Catarina combina campos infinitos com taipas centenárias, fazendas tropeiras que inventaram o turismo rural brasileiro e invernos com neve cobrindo as araucárias. Poucos lugares no país oferecem essa mistura de história, frio europeu e qualidade de vida no interior.
Você precisa subir a serra e conhecer Lages para entender por que essa cidade foi pioneira em transformar fazendas centenárias em destino turístico nacional.









