Cinco rios desenham uma mão espalmada sobre o Lago Guaíba, e foi dessa paisagem que nasceu o nome da cidade. Viamão, no Rio Grande do Sul, guarda quase 1.500 km² de história gaúcha, praias de água doce e o ponto exato onde o lago encontra a Laguna dos Patos.
Por que esta cidade gaúcha foi capital do estado entre 1763 e 1773?
Porque a antiga capital, Vila do Rio Grande, foi invadida por tropas espanholas. Em março de 1763, durante o ataque comandado por Pedro de Cevallos, governador de Buenos Aires, a sede do governo foi transferida às pressas para a freguesia gaúcha, conforme registra a Prefeitura de Viamão.
O município se manteve como capital até 1773, quando a sede foi novamente transferida, dessa vez para Porto dos Casais, atual Porto Alegre. O período de uma década rendeu à cidade o apelido carinhoso de Velha Capital, ainda usado pelos gaúchos.
A herança histórica permanece no centro. A Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, inaugurada em 1770 em estilo barroco rococó, é a segunda igreja mais antiga do estado e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1938, no primeiro lote de tombamentos do Brasil.

Vale a pena viver na Velha Capital?
Vale, sobretudo para quem busca a proximidade com Porto Alegre sem abrir mão de natureza preservada. Com cerca de 1.494 km², o destino é o maior município da Região Metropolitana da capital gaúcha, segundo o portal oficial de Turismo do Rio Grande do Sul. A extensão territorial faz da cidade um mosaico de paisagens, com áreas urbanas e rurais lado a lado.
O ritmo de crescimento também tem chamado atenção. A Prefeitura de Viamão registrou um crescimento de 45% na abertura de novas empresas em 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O avanço se reflete também no mercado de trabalho, com aumento de 21% na geração de empregos no município.
Quem mora ou visita o destino tem acesso fácil a parques estaduais, fazendas de turismo rural e um centro histórico vivo. A localização, a apenas alguns quilômetros de Porto Alegre, mantém a infraestrutura de uma capital ao alcance dos moradores.

Reconhecimento patrimonial e ambiental
O destino concentra dois reconhecimentos importantes do estado e do país. O primeiro é a Igreja Matriz, marco do barroco rococó português no sul do Brasil, com tombamento federal pelo IPHAN. O segundo é a chancela ambiental do Parque Estadual de Itapuã, administrado pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (SEMA).
O parque foi instituído em 1973 por decreto estadual e protege 5.566 hectares no encontro do Lago Guaíba com a Laguna dos Patos. A área é um dos últimos redutos dos ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre, com transição entre os biomas Pampa e Mata Atlântica.
A fauna local impressiona pela variedade. O parque abriga o bugio-ruivo, símbolo da unidade e ameaçado de extinção, além de capivaras, lontras, gato-maracajá, jaguatirica e o gato-palheiro. O puma, segundo a SEMA, voltou a ser registrado na área nos últimos anos.
O que fazer em Viamão
O destino combina patrimônio histórico, fazendas rurais e praias de água doce. Entre os pontos mais visitados destacam-se:
- Parque Estadual de Itapuã: a 57 km de Porto Alegre, abriga praias, dunas, lagoas e o Farol de Itapuã, conforme a SEMA.
- Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição: templo de 1770 em estilo barroco rococó, no centro histórico, tombado pelo IPHAN em 1938.
- Farol de Itapuã: construído em 1860, marca o limite entre o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos.
- Praia das Pombas: dentro do Parque de Itapuã, tem cerca de 850 metros de orla com trechos sombreados e capacidade limitada a 350 visitantes por dia.
- Banhado dos Pachecos: única área do Rio Grande do Sul que abriga o cervo-do-pantanal, com torre panorâmica de 16 metros, segundo a Prefeitura.
- Quinta da Estância: maior fazenda especializada em turismo rural pedagógico do estado, com cerca de 100 hectares de natureza preservada.
A gastronomia da Velha Capital reflete a tradição gaúcha e a diversidade rural do município. Entre os pratos e itens típicos da região destacam-se:
- Churrasco gaúcho: cortes nobres assados em fogo de chão, especialidade das churrascarias ao longo da rodovia RS-040.
- Arroz com leite: doce tradicional que dá nome à festa local, herança das famílias açorianas que colonizaram a região.
- Peixe de água doce: pratos com pintado, dourado e jundiá, base da Festa do Peixe realizada anualmente.
- Produtos coloniais: cucas, salames, queijos artesanais e doces caseiros vendidos em propriedades rurais.
- Mate: bebida símbolo do estado, presente na rotina dos viamonenses durante todo o dia.
Quem busca conhecer as belezas e a história da Velha Capital, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Prefeitura de Viamão, que conta com mais de 293 mil visualizações, onde é mostrado um belo panorama aéreo e turístico de Viamão, Rio Grande do Sul:
Quando visitar Viamão e curtir cada estação?
O verão é a melhor época para aproveitar as praias do Parque de Itapuã, enquanto o inverno favorece trilhas, turismo rural e a programação cultural no centro histórico de Viamão.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Velha Capital
O acesso aéreo mais comum é pelo Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, a cerca de 25 km do centro de Viamão. De carro, o trajeto pode ser feito pela Avenida Bento Gonçalves ou pela rodovia RS-040, que liga a capital ao litoral norte gaúcho.
Para quem chega de Pelotas ou Rio Grande, o caminho passa pela BR-116, com cerca de 250 km até o destino. Há linhas de ônibus regulares saindo de Porto Alegre durante todo o dia.
Conheça a antiga capital onde a história ainda respira
Poucos destinos gaúchos reúnem tanto patrimônio histórico, biodiversidade preservada e proximidade com a capital. A combinação de praias de água doce, igreja barroca tombada e fazendas de turismo rural faz da Velha Capital uma alternativa completa para um final de semana fora de Porto Alegre.
Você precisa atravessar a região metropolitana e conhecer Viamão, onde dois lagos se encontram e a história do Rio Grande do Sul ainda está guardada nas pedras de uma igreja de 1770.








