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Início Animais de Estimação

O passarinho que dorme voando e pode passar mais de 300 dias sem tocar o chão

Laila Por Laila
12 maio 2026 09:05
Em Animais de Estimação
O andorinhão-preto detém o recorde biológico mais impressionante do reino animal ao realizar todas as suas funções vitais em pleno voo, desafiando os limites da resistência física

O andorinhão-preto detém o recorde biológico mais impressionante do reino animal ao realizar todas as suas funções vitais em pleno voo, desafiando os limites da resistência física

É difícil imaginar um passarinho que praticamente vive no céu, mas o andorinhão-preto leva essa adaptação ao extremo. A espécie pode passar meses voando, dormir em pleno ar e só depender do solo em momentos muito específicos da reprodução.

O estudo científico que monitorou este passarinho por dez meses

Durante décadas, a biologia suspeitou dessa façanha, mas a prova definitiva surgiu apenas recentemente através de tecnologia. Pesquisadores da Universidade de Lund publicaram no PubMed os resultados de geolocalizadores fixados em aves selvagens europeias, comprovando que o andorinhão permanece voando por mais de 99% do tempo.

A pesquisa revelou que alguns indivíduos nunca tocaram o solo durante todo o monitoramento de dez meses fora da temporada reprodutiva. Confira na tabela abaixo os recordes de voo ininterrupto documentados pela ciência em diferentes espécies de andorinhão:

Espécie observadaTempo de voo contínuo registrado
Andorinhão-preto (Apus apus)10 meses (mais de 300 dias)
Andorinhão-alpino (Apus melba)200 dias consecutivos
Esse fenômeno permite que a ave desligue apenas metade do cérebro por vez, mantendo a outra parte ativa para controlar a estabilidade e a navegação em pleno movimento nas alturas

Leia também: Não é tudo o mesmo animal: entenda a diferença real entre sucuri, anaconda e jiboia

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Como o andorinhão-preto consegue dormir durante o voo?

A resposta para esse mistério reside em um mecanismo neurológico fascinante conhecido como sono uni-hemisférico. Esse fenômeno permite que a ave desligue apenas metade do cérebro por vez, mantendo a outra parte ativa para controlar a estabilidade e a navegação em pleno movimento nas alturas.

Ao anoitecer, esses animais sobem a altitudes de até 2.000 metros para realizar voos em espiral lenta. Nesse período de repouso intermitente, a velocidade de cruzeiro cai para 20 km/h e os batimentos de asa são reduzidos, permitindo que o organismo recupere energias sem precisar de um ninho ou galho para pousar.

A rotina completa que este passarinho realiza no ar

A especialização aérea do andorinhão-preto é tão profunda que a sua anatomia se adaptou para que quase nada exija o contato com a terra firme. A enciclopédia virtual Wikipedia explica que o nome do gênero Apus significa literalmente “sem pés”, devido às suas patas extremamente curtas.

Veja a lista de atividades vitais que o andorinhão executa enquanto navega pelas correntes de ar:

  • Alimentação contínua: captura insetos e pequenas aranhas suspensas no ar, mantendo uma dieta 100% aérea.
  • Hidratação rápida: coleta água da chuva ou faz rasantes em lagos para beber sem interromper o voo.
  • Coleta de materiais: apanha penas e palhas levadas pelo vento para estruturar o ninho no período de reprodução.
  • Migração extrema: percorre até 10.000 km da Europa ao sul da África quase sem realizar paradas técnicas.

A velocidade sustentada dessa ave é uma das maiores do mundo, atingindo até 110 km/h durante os deslocamentos migratórios. Para observar a incrível precisão desse caçador aéreo capturando presas em pleno movimento, selecionamos o conteúdo do canal Saber Atualizado, que educa quase 10 mil inscritos. No vídeo abaixo, você confere a dinâmica de captura em uma colônia urbana na França:

Por que o solo representa um grande perigo para o andorinhão-preto?

O preço da perfeição aerodinâmica foi a atrofia quase total dos membros inferiores, tornando a ave incapaz de caminhar ou saltar para decolar a partir de superfícies planas. Se um andorinhão-preto cai no chão acidentalmente, ele enfrenta uma dificuldade extrema para alçar voo novamente, ficando vulnerável a predadores.

A decolagem só é segura a partir de superfícies verticais, como troncos de árvores ou fendas em prédios históricos, onde a ave pode utilizar a queda livre para ganhar velocidade. Essa limitação física explica por que o animal evita o solo com tanta consistência, mantendo a sua vida protegida nas alturas do céu.

As ameaças climáticas que afetam a sobrevivência deste passarinho

Embora seja classificado globalmente como pouco preocupante, as populações europeias enfrentam um declínio visível nas últimas décadas. A redução drástica na disponibilidade de insetos voadores e as reformas em edifícios que eliminam locais de nidificação são os principais desafios para a conservação da espécie.

As mudanças climáticas também alteram as rotas migratórias e a oferta de alimento durante a travessia do Saara. Proteger o habitat desse ícone da avifauna é essencial para garantir que o céu continue abrigando o ser vivo que transformou o voo em uma forma permanente de existência biológica.

Tags: BiologiaNaturezavida animal

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